O Destino de uma Nação (2017)

Por Nagib Salha

Este longa coloca Dunkirk quase como um complemento (ou derivado) e, sem dúvidas, é tão excitante quanto a obra de Christopher Nolan. Porém, muito mais controlado. O diretor Joe Wright realizou um trabalho incrível com as câmeras, unindo retalhos de forma firme dos primeiros dias de Churchill (Gary Oldman) com um apelo apaixonado a coragem em um testemunho perfeito do poder das palavras e da sua capacidade incrível de inspirar.

O Destino de uma Nação é uma sinfonia de máquinas de datilografia, riscos de lápis e gritos. Palavras inspiradoras ocuparam toda a tela. Em 9 de maio de 1940, Neville Chamberlain (Ronald Pickup), um homem tímido e covarde, perdeu a confiança do Parlamento. Então, mesmo sem a preferência do partido, somos apresentados ao futuro Primeiro-ministro. Isto acontece, inicialmente, através dos olhos de Elizabeth Layton (Lily James), uma jovem e tímida datilógrafa que acaba sendo enviada a um matadouro. Quando entra no quarto de Churchill para digitar seus pensamentos, ele ainda está de pijamas embaixo dos lençóis, com seu charuto úmido entre os lábios. Seu discurso é entregue a toda velocidade e de forma impaciente, grosseira, isso é suficiente para fazer Elizabeth fugir sem olhar para trás.

Todos os dias são antecipados na tela através de um calendário. Passamos por uma tensão entre a opção de render-se – com acordos de paz, enquanto o exército alemão avança e consome tudo ao redor de Dunkirk e Calais – e uma possível posição corajosa do império britânico através de Churchill. Neste clima, o primeiro-ministro tem momentos de desespero (sentado em uma privada em conversa com o presidente Roosevelt) e de esperança (na estação de metrô com pessoas comuns).

Churchill é descrito por Anthony McCarten (roteirista) como um homem apaixonado pelo som de sua própria voz, e essa qualidade é suficiente para que Gary Oldman brilhe com umas das mais incríveis atuações de sua carreira (particularmente, tem minha preferência para o Oscar). Um dos poucos atores com representações regularmente precisas o suficiente para ser aplaudido com entusiasmo. Em O Destino de uma Nação, Gary Oldman encontrou um personagem maior que toda sua carreira profissional. Como um balão respirando ar quente, seu Churchill inflava aos gritos, imponente, dramático e inspirador. Certamente, apesar de todo o talento envolvido na produção, o filme não funcionaria sem ele e o diretor Joe Wright.

O filme é limitado ao mês de maio e tudo está confinado entre a residência de Winston Churchill, as salas do parlamento e as salas subterrâneas do conselho de guerra. Bruno Delbonnel (cinematografia; diretor de fotografia) utilizou um ambiente de cores gradientes e com poucos feixes de luz entrando por algumas poucas janelas, capturando melhor o contorno do rosto, as expressões e, inclusive, a fumaça do charuto. A câmera passeia entre os corredores e pequenos espaços, isso destaca os personagens com riqueza junto a cada ambiente de forma sufocante. Dario Marianelli (compositor) também realizou um grande trabalho acompanhando todas as ações de forma sublime.

O Destino de uma Nação mostra claramente o poder das palavras e como vem a despertar o melhor de você mesmo nos momentos mais difíceis. Hitler conseguiu tirar proveito desse poder para a tirania, mas Winston Churchill inspirou a Grã-Bretanha (e o mundo), levando toda uma nação a acreditar em si e na nobreza de sua causa. Graças a sua coragem e patriotismo, o destino foi a vitória.

O Destino de uma Nação (2017) – Título original: Darkest Hour. Dirigido por Joe Wright. No elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelsohn, Lily James, Ronald Pickup, Stephen Dillane, Nicholas Jones e Samuel West. EUA/Reino Unido. Duração de 125 minutos.

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