Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Por Nagib Salha

São 10 anos de sucesso no cinema, com 19 filmes (somado a Vingadores: Guerra Infinita). Em 2008, quando estreou o melhor de todos eles, Homem de Ferro, confesso que não esperava todo esse universo tão coeso criado pelos Estúdios Marvel. Todos os filmes tiveram papel importante nesta incrível saga cinematográfica. Até mesmo os mais fracos.

Guerra Infinita é sim um momento épico, que foi criado para celebrar uma década de grandes aventuras. Uma respeitosa homenagem aos fãs do gênero e principalmente da Marvel. Os Vingadores agora têm uma trilogia, sem dúvida a mais interessante. Todo o filme gira em torno do melhor vilão de todos os 19 filmes dentro do Universo Cinematográfico Marvel (MCU – Marvel Cinematic Universe), Thanos (Josh Brolin). O estúdio entregou aos irmãos Russo (Anthony e Joe) a responsabilidade de finalizarem o primeiro ciclo. Em suas mãos, dezenas de protagonistas e coadjuvantes. Missão tirada de letra por Anthony e Joe.

O que vi no cinema foi um grande evento. Cada ator e atriz recebeu seu merecido tempo e importância para uma trama realmente impactante. Tornando Thanos o centro de tudo, os roteiristas Stephen McFeely e Christopher Markus, entregaram algo impressionante, transformando um tirano em uma criatura que conquistou o público com motivação bem definida (explicada), digno de pena e medo. Venho destacar a performance da captura de movimento, simplesmente incrível.

Em busca das Joias do Infinito, Thanos acaba batendo de frente com alguns dos nossos heróis. O roteiro joga o tempo todo com a morte, sempre iminente. Isso causa aflição ao espectador. Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) mais uma vez é quem recebe maior atenção em tela, porém, está bem distante de ser o grande destaque. Todos os heróis estavam ótimos. Bruce Banner (Mark Ruffalo) ainda perdido devido ao isolamento visto em Thor: Ragnarok (2017) e Os Guardiões das Galáxias entraram tão facilmente na trama que nem parecia que viviam no espaço. Por falar em Guardiões, Gamora (Zoe Saldana), a filha de Thanos, é quem desperta o carisma do personagem de Josh Brolin.

Guerra Infinita está em todo lugar a todo momento; foi neste vai e vem sem fim que os irmãos Russo se perderam um pouco. Mas, nada que atrapalhe a compreensão. Com o trio Homem de Ferro, Homem Aranha (Tom Holland) e Dr. Estranho, somados a participação de Banner e Wong (Benedict Wong), nós tomamos conhecimento das perigosas aspirações do temível Titã. A partir daí todos os Vingadores uniram-se mais uma vez para impedir os planos do vilão. Cada um em seu quadrado, porém, unidos pela mesma causa. Em Wakanda temos uma das melhores sequências de ação já realizadas no cinema. Com direito a um momento mágico entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Okoye (Danai Gurira).

Em meio ao evento, os grandes heróis deixam o lado humano e tornam-se apenas guerreiros. A carga dramática partiu para coadjuvantes, como Visão (Paul Bettany) e a Feiticeira Escarlate. Para que você tenha um certo entendimento sobre o que escrevo, serve como exemplo o próprio Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) que está ali apenas para derrotar Thanos e a Ordem Negra (sensacional), sem peso nenhum para mudar uma única vírgula em toda a trama. Bem diferente do que foi em Capitão América: Guerra Civil (2016).

A trilha sonora, nas mãos de Alan Silvestri, foi a melhor em 10 anos do MCU. Não vi falhas desta vez no CGI, muito pelo contrário. Tudo que foi realizado estava simplesmente fantástico, principalmente em relação a Thanos. Sublime em todas as expressões faciais e movimentos. O visual dos heróis melhorou bastante naqueles que receberam alguma modificação, mas nada se comparou a nova armadura do Homem de Ferro e suas “surpresinhas” tecnológicas. Me empolguei bastante com o Thor (Chris Hemsworth) e Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch), em tudo! O humor está ótimo. Peter Dinklage teve uma participação importante, hein! Ah! Homem Formiga (Paul Rudd) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) são lembrados. São tantos personagens que se torna uma difícil tarefa escrever sobre todos eles.

Como eu disse, anteriormente, a trama joga com a morte durante quase todo o filme. Tudo bem que isso era esperado e há razões para isso. Porém, deixar a necessidade de um novo capítulo foi um erro para Vingadores: Guerra Infinita. Todas as tragédias passaram a sensação de serem apenas temporárias e acabaram servindo apenas como motivação para uma sequência. Chegou a incomodar um pouco a quantidade de oportunidades perdidas.

O brilho desta grande celebração dos 10 anos de sucesso da Marvel nos cinemas não foi apagado por algumas falhas que acabaram sendo levadas pelo vento forte do planejamento, em um universo coeso, guiado por Kevin Feige. O primeiro ciclo foi fechado nos deixando ainda mais empolgados pelo futuro promissor desta riquíssima franquia. Muito bom! (Tem uma ótima cena pós-créditos, fique até o final).

Vingadores: Guerra Infinita (2018) – Título original: Avengers: Infinity War. Dirigido por Anthony Russo e Joe Russo. No elenco: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Chadwick Boseman, Tom Hiddleston, e Elizabeth Olsen. EUA. Duração de 149 minutos.

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