Deadpool 2 (2018)

Por Nagib Salha

Quando Tim Miller resolveu deixar a direção de Deadpool 2 por “buscar algo novo”, muitos fãs ficaram receosos. Miller foi o maior responsável pelo sucesso do filme, bastante ofensivo, porém muito irreverente. Então, David Leitch foi anunciado e os fãs dos filmes de ação ficaram exaltados. Afinal, Leitch leva em seu currículo grandes sucessos, entre eles: Atômica (2017).

Mas, afinal, que mudanças ocorreram com a entrada de Leitch? O filme não é melhor que o primeiro. Apenas, é mais engraçado e bem mais brutal. As cenas de ação são incríveis quando não envolve CGI (e digo isso com total segurança), violentíssimas e muito bem coreografadas. Características que afastam Deadpool 2 daquela família com filhos menores que 16 anos.

O longa é comicamente frenético nos oferece certo alívio para o anterior sucesso da Marvel, o tenso Vingadores: Guerra Infinita (2018). As apostas para Deadpool 2 são menores, evidentemente. Não há nada grandioso nesta nova aventura de Wade Wilson (Ryan Reynolds), também conhecido como Deadpool, exceto apenas pela quantidade exagerada de piadas sarcásticas e objetivas (quando se trata da concorrência). Sua habilidade de cura sobre-humana também ganhou mais destaque nesta sequência, principalmente na cena quando perde todos os membros da cintura para baixo.

Deadpool inicia o filme narrando seus momentos de combate ao crime. Uma terrível tragédia acontece deixando o herói completamente perdido emocionalmente. Vanessa (Morena Baccarin), sua amada esposa, lhe dá uma oportunidade para se tornar algo melhor. Agora, Wade deverá ser o guardião do órfão adolescente Russell (Julian Dennison) que está sendo brutalmente caçado por Cable (Josh Brolin), um tipo de ciborgue do futuro. Russel tem habilidades mutantes e quer vingança contra o terrível Headmaster (Eddie Marsan), um torturador pedófilo que dirige o orfanato.

Cable quer matar o pequeno Russell para salvar sua família no futuro. Ao mesmo tempo, Deadpool, que busca ser alguém melhor, deve proteger o garoto mesmo que isso atrapalhe sua vingança. Para impedir os planos de Cable, Wade procura formar uma equipe de heróis com a ajuda de Weasel (T.J. Miller). X-Force é o nome da equipe. Há dois grandes destaques neste momento: Peter (Rob Delaney) e Dominó (Zazie Beetz). Dominó, simplesmente fantástica, merece um filme solo, e tenho a tranquilidade de dizer que estará em outros filmes da Marvel. A volta de Karan Soni, como o taxista Dopinder, ganhou merecido destaque. Nesta nova aventura ele quer sangue, combate e ação.

A comédia é exagerada, mas, longe de ser desagradável. Deadpool constantemente faz referências a outros filmes, sempre de forma irônica ou depreciativa. Em alguns casos, faz isso contra o próprio filme, como acontece na explicação de Cable sobre não poder usar a viagem no tempo duas vezes. Em alguns momentos dramáticos, as referências continuam e Frozen: Uma Aventura Congelante (sucesso da Disney em 2013) é uma das que mais se destacam. O humor é parecido com o primeiro, com as piadas sobre cultura pop que na maioria das vezes são bem compreensíveis para quem tem conhecimento básico sobre o assunto. Junto ao elenco anterior já conhecido, temos ótimas novidades, grandes surpresas, e até um relacionamento inédito entre as mutantes Negasonic (Brianna Hildebrand) e Yukio (Shioli Kutsuna).

Quando falamos sobre o gênero Ação, o diretor David Leitch é referência. Aqui, ele literalmente desafia as leis da física, com cenas fantásticas em ritmo acelerado e contínuo. A diferença entre Leitch e Miller é exatamente essa: ação brutalmente realista com o humor na dose certa. Já a trama foi o grande pecado. O roteiro é fraco e acabou escondido, disfarçado, camuflado diante de todos os outros elementos da produção.

Mesmo assim, Deadpool 2 é divertido e implacável. Profundidade, diálogos marcantes ou qualquer outra coisa relacionada a elementos dramáticos, não faz parte desse universo. Prepare-se para uma das mais hilárias cenas pós-créditos da história dos filmes de heróis. Continue sentado até o fim.

Deadpool 2 (2018) – Dirigido por David Leitch. No elenco: Ryan Reynolds, Josh Brolin, Morena Baccarin, Zazie Beetz, Brianna Hildebrand, T.J. Miller, Julian Dennison, Karan Soni, Eddie Marsan, Stefan Kapicic e Shioli Kutsuna. EUA. Duração de 119 minutos.

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