Homem-Formiga e a Vespa (2018)

Por Nagib Salha

Homem-Formiga e a Vespa já começa bem pelo título. A sequência é uma grande aventura, divertida, e com algumas surpresas. A participação da Vespa (Evangeline Lilly) foi o grande diferencial, graciosamente simpática e extremamente eficaz. Vê-la em ação foi tão delicioso, quanto qualquer outro Vingador. O filme não tem coadjuvantes, conseguindo de certa forma dar o devido destaque a todos os personagens.

Peyton Reed dirigiu o primeiro e está de volta na sequência. O trabalho realizado por ele em 2015 pode até ter exposto inexperiência em filmes de grandes orçamentos, mas agora esteve bem melhor, em ritmo acelerado dentro de uma trama leve e bem humorada. As cenas de ação estão melhores, bem coreografadas, com ótimos efeitos visuais – apresentados já no início da história, quando Vespa enfrenta os capangas de Sonny (Walton Goggins) na cozinha de um restaurante entre as mudanças de tamanho. As cenas de flashback também ficaram impressionantes.

O filme inicia com Scott Lang (Paul Rudd), que usou seus poderes em Capitão América: Guerra Civil (2016), e acabou o levando a prisão por infringir o Acordo de Sokovia. Em prisão domiciliar, Scott aproveita para passar graciosos e divertidos momentos com sua filha Cassie (Abby Ryder Fortson, simplesmente brilhante), além de ajudar seus parceiros Luis (Michael Peña), Kurt (David Dastmalchian) e Dave (Tip ‘T.I.’ Harris) na empresa em que tem participação.

O FBI continua na busca de Hank Pym (Michael Douglas) e sua filha Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), considerados fugitivos do governo. Restando poucos dias para ficar livre, Scott tem um sonho quase real com a esposa de Hank, Janet (Michelle Pfeiffer), que foi a primeira Vespa, perdida há anos de forma microscópica em um tipo de reino quântico (que o Homem-Formiga visitou no primeiro filme). Ao contar seu sonho para Hank, Hope resolve “sequestra-lo” diante da possibilidade de resgatar Janet. Para que ninguém perceba a ausência de Scott na prisão domiciliar, Hank e Hope deixam um estranho substituto em sua casa realizando sua rotina diária usando a tornozeleira eletrônica.

Entre os acontecimentos, surge a misteriosa Ava, a Fantasma (Hannah John-Kamen). Uma perigosa inimiga da dupla que está disposta a roubar toda tecnologia de Hank e usá-la para sua cura. Ela está em uma condição estranha e dolorosa causada por um acidente de energia quântica. Mas, quem também está na disputa por isso é Sonny, que enxerga a tecnologia como uma oportunidade de deixa-lo bilionário.

Ambos os personagens foram bem inseridos na trama, um tipo de recheio do bolo, onde a cobertura eram os heróis centrais. Não posso deixar de comentar sobre a pequena atriz Abby Ryder Fortson, que na minha opinião foi quem deixou mais saudades quando o filme acaba. Tenho certeza que a Marvel irá aproveitá-la em outras oportunidades. A filha de Scott deu uma aula de pureza, inteligência, humor e encanto. Michael Peña (Luis, amigo de Scott) recebeu mais espaço na sequência e soube aproveitar cada minuto tornando seu personagem uma peça importante para as próximas aventuras do Homem-Formiga.

A belíssima San Francisco foi a principal locação nas melhores cenas de ação. Tive o prazer de conhecer a cidade em 2016 e posso dizer que fiquei bastante emocionado ao rever tantos locais que tive a oportunidade de visitar. A melhor sequência ocorre exatamente em um dos pontos turísticos mais interessantes da cidade: Lombard Street, a ladeira mais famosa de San Francisco. Com direção sensacional de Peyton Reed em uma perseguição de carros simplesmente épica – e referência divertida aos carrinhos da Hot Wheels. Em parte, com o Homem-Formiga usando um caminhão como patinete e finalizando imitando o mergulho de uma baleia jubarte.

Eva Lilly estava ótima. Era o papel que merecia e acabou se encaixando muito bem. Os momentos entre Hope e Scott foram divididos entre romance, tensão e as ótimas piadas – destaque para aquelas que envolviam a suposta amizade entre Scott e Steve Rogers, o Cap. Depois de passar o primeiro filme apenas como uma possível super-heroína, ver a vespa voando alto e lutando contra os vilões usando uma Hello Kitty, não tem preço.

Apesar de tudo acontecer antes de Guerra Infinita (2018), Homem-Formiga e a Vespa deixam de presente uma interessante (e impactante) cena pós-crédito. Este novo filme da Marvel é positivamente sincero, por este motivo resolvi não inserir aqui comentários negativos. Se o Homem-Formiga era apenas um coadjuvante nas aventuras da Marvel, isso agora mudou. Fiquei realmente feliz com o resultado.

Homem-Formiga e a Vespa (2018) – Título original: Ant-Man and the Wasp. Dirigido por Peyton Reed. No elenco: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne, Abby Ryder Fortson, Michael Peña, Hannah John-Kamen, Walton Goggins, David Dastmalchian, Tip ‘T.I.’ Harris e Judy Greer. EUA. Duração de 118 minutos.

* Com duas cenas pós-créditos.

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