Fahrenheit 451 (2018)

Fahrenheit 451 (2018)

Por Nagib Salha

Em 2007, Ray Bradbury, autor do romance de ficção científica Fahrenheit 451, declarou que a história em sua obra mais famosa se tratava apenas de um alerta à destruição iminente do interesse em livros. O culpado era a televisão. A obra foi publicada em 1956.

Em determinado momento, quando o Capitão Beatty (interpretado no filme por Michael Shannon) explica o início da queima dos livros, nos leva a entender que a polarização política e social foi fator primordial para a destruição. Agora, o Corpo de Bombeiros não apaga mais os incêndios – Fahrenheit 451 se refere a temperatura da queima do papel – os livros são proibidos e, quando encontrados, queimados.

Se no romance de Ray Bradbury, a televisão é responsável pela destruição do interesse em ler o um livro, no longa de Ramin Bahrani (direção e roteiro) o caminho foi outro. A obra já esteve nas mãos da Warner e grandes nomes tentaram leva-la para o cinema, entre eles: Mel Gibson e Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade, 1994). Entre os astros cotados para os papéis principais nessa época, estavam Tom Cruise, Tom Hanks e Brad Pitt. Mas, somente agora, através da HBO, Farhenheit 451 ganhou destaque nas telas em uma produção para a TV. Ramin Bahrani, junto a HBO, fizeram várias mudanças na adaptação. Guy Montag (Michael B. Jordan) não é casado. A esposa do bombeiro (presente no livro) simplesmente sumiu.

Muito dedicado ao capitão e mentor Beatty (Michael Shannon), Montag sempre segue suas ordens à risca. Ao lado dos outros bombeiros, não hesita em queimar livros e equipamentos eletrônicos (computadores, tablets, etc) diante das câmeras de um programa de TV em transmissão ao vivo.

Montag é uma celebridade. Seu trabalho é queimar livros cumprindo leis de um governo que busca, dessa forma, alcançar a felicidade e harmonia social, trazendo paz para a população. Esta população está em casa, interagindo com as transmissões ao vivo. Entretanto, tudo muda quando Montag encontra Clarisse (Sofia Boutella, atriz que sou fã). As lembranças apagadas pelas drogas usadas da mesma forma que um colírio, começam a retornar para a mente do bombeiro; entre elas, sua infância e a morte de seu pai. Montag sabe que há algo errado e resolve procurar Clarisse, uma rebelde, para investigar a verdade por trás da queima dos livros.

O Capitão Beatty percebe mudanças em Montag e tenta mais uma vez orientá-lo. Os diálogos do capitão são absurdos: “Quer saber o que há nestes livros? Insanidade!”. Em outro momento ele dispara contra Franz Kafka, “um pornográfico, pervertido”. Mas, quando está sozinho, utilizando pequenos papéis e uma caneta (produtos também proibidos), escreve mensagens de grandes escritores, alimentando-se disso com profundidade. Após escrever e ler, os papéis são queimados por ele.

O que gostei no filme foi apenas a atuação de Michael Shannon e a forma como Ramin Bahrani conseguiu subtrair de uma obra publicada em 1956, um futuro atualizado sem perder o tom realmente perturbador. Entretanto, tudo parece apressado e, aquele que não leu o livro, vai ficar mais perdido do que cego em tiroteio. Nada faz sentido. Resumindo: queimaram o livro de Ray Bradbury.

Fahrenheit 451 (2018) – Escrito e dirigido por Ramin Bahrani. No elenco: Michael Shannon, Michael B. Jordan, Sofia Boutella, Lilly Singh, Warren Belle, Raoul Bhaneja e Joanne Boland. EUA. Duração de 100 minutos. Disponível na HBO.

Deadpool 2 (2018)

Deadpool 2 (2018)

Por Nagib Salha

Quando Tim Miller resolveu deixar a direção de Deadpool 2 por “buscar algo novo”, muitos fãs ficaram receosos. Miller foi o maior responsável pelo sucesso do filme, bastante ofensivo, porém muito irreverente. Então, David Leitch foi anunciado e os fãs dos filmes de ação ficaram exaltados. Afinal, Leitch leva em seu currículo grandes sucessos, entre eles: Atômica (2017).

Mas, afinal, que mudanças ocorreram com a entrada de Leitch? O filme não é melhor que o primeiro. Apenas, é mais engraçado e bem mais brutal. As cenas de ação são incríveis quando não envolve CGI (e digo isso com total segurança), violentíssimas e muito bem coreografadas. Características que afastam Deadpool 2 daquela família com filhos menores que 16 anos.

O longa é comicamente frenético nos oferece certo alívio para o anterior sucesso da Marvel, o tenso Vingadores: Guerra Infinita (2018). As apostas para Deadpool 2 são menores, evidentemente. Não há nada grandioso nesta nova aventura de Wade Wilson (Ryan Reynolds), também conhecido como Deadpool, exceto apenas pela quantidade exagerada de piadas sarcásticas e objetivas (quando se trata da concorrência). Sua habilidade de cura sobre-humana também ganhou mais destaque nesta sequência, principalmente na cena quando perde todos os membros da cintura para baixo.

Deadpool inicia o filme narrando seus momentos de combate ao crime. Uma terrível tragédia acontece deixando o herói completamente perdido emocionalmente. Vanessa (Morena Baccarin), sua amada esposa, lhe dá uma oportunidade para se tornar algo melhor. Agora, Wade deverá ser o guardião do órfão adolescente Russell (Julian Dennison) que está sendo brutalmente caçado por Cable (Josh Brolin), um tipo de ciborgue do futuro. Russel tem habilidades mutantes e quer vingança contra o terrível Headmaster (Eddie Marsan), um torturador pedófilo que dirige o orfanato.

Cable quer matar o pequeno Russell para salvar sua família no futuro. Ao mesmo tempo, Deadpool, que busca ser alguém melhor, deve proteger o garoto mesmo que isso atrapalhe sua vingança. Para impedir os planos de Cable, Wade procura formar uma equipe de heróis com a ajuda de Weasel (T.J. Miller). X-Force é o nome da equipe. Há dois grandes destaques neste momento: Peter (Rob Delaney) e Dominó (Zazie Beetz). Dominó, simplesmente fantástica, merece um filme solo, e tenho a tranquilidade de dizer que estará em outros filmes da Marvel. A volta de Karan Soni, como o taxista Dopinder, ganhou merecido destaque. Nesta nova aventura ele quer sangue, combate e ação.

A comédia é exagerada, mas, longe de ser desagradável. Deadpool constantemente faz referências a outros filmes, sempre de forma irônica ou depreciativa. Em alguns casos, faz isso contra o próprio filme, como acontece na explicação de Cable sobre não poder usar a viagem no tempo duas vezes. Em alguns momentos dramáticos, as referências continuam e Frozen: Uma Aventura Congelante (sucesso da Disney em 2013) é uma das que mais se destacam. O humor é parecido com o primeiro, com as piadas sobre cultura pop que na maioria das vezes são bem compreensíveis para quem tem conhecimento básico sobre o assunto. Junto ao elenco anterior já conhecido, temos ótimas novidades, grandes surpresas, e até um relacionamento inédito entre as mutantes Negasonic (Brianna Hildebrand) e Yukio (Shioli Kutsuna).

Quando falamos sobre o gênero Ação, o diretor David Leitch é referência. Aqui, ele literalmente desafia as leis da física, com cenas fantásticas em ritmo acelerado e contínuo. A diferença entre Leitch e Miller é exatamente essa: ação brutalmente realista com o humor na dose certa. Já a trama foi o grande pecado. O roteiro é fraco e acabou escondido, disfarçado, camuflado diante de todos os outros elementos da produção.

Mesmo assim, Deadpool 2 é divertido e implacável. Profundidade, diálogos marcantes ou qualquer outra coisa relacionada a elementos dramáticos, não faz parte desse universo. Prepare-se para uma das mais hilárias cenas pós-créditos da história dos filmes de heróis. Continue sentado até o fim.

Deadpool 2 (2018) – Dirigido por David Leitch. No elenco: Ryan Reynolds, Josh Brolin, Morena Baccarin, Zazie Beetz, Brianna Hildebrand, T.J. Miller, Julian Dennison, Karan Soni, Eddie Marsan, Stefan Kapicic e Shioli Kutsuna. EUA. Duração de 119 minutos.

A Noite do Jogo (2018)

A Noite do Jogo (2018)

Por Nagib Salha

A Noite do Jogo, com direção impecável de John Francis Daley e Jonathan Goldstein, é uma comédia bem original com ingredientes críticos, insanos e poucas vezes comuns. É difícil encontrar uma boa comédia atualmente, mas o filme escrito por Mark Perez me surpreendeu. O humor constante e a tensão no tempo certo tornaram-se uma mistura fantástica, explosiva do começo ao fim.

A trama se passa exatamente na Noite do Jogo. Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams), que se conheceram em um pub exatamente por terem muito em comum, principalmente a competitividade, terão que mudar o endereço tradicional da Noite do Jogo. Agora, para a casa alugada do irmão de Max, Brooks (Kyle Chandler), que chegou em sua cidade à negócios. Os amigos Ryan (Billy Magnussen), Kevin (Lamorne Morris), Michelle (Kylie Bunbury) e Sarah (Sharon Horgan) – a nova parceira de Ryan – foram convidados por Brooks para um novo jogo, com mistérios no melhor estilo Detetive (Clue).

Brooks é o irmão mais velho de Max, simpático, confiante e muito rico. Agora, ele será o grande anfitrião. Brooks contrata uma empresa (de jogos) que disponibiliza alguns tipos de dossiês para cada participante. Um deles será sequestrado, e através de dicas e enigmas eles terão que encontrar a vítima. O prêmio? Um raro Corvette Stingray 76. Para Max, vencer esse jogo é uma questão de honra, pois a gravidez de Annie depende disso. Durante o jogo, algo dá errado e então temos início a uma hilária aventura. Melhor parar por aqui…

O ator Billy Magnussen – está no elenco do próximo live-action da Disney, Aladdin – foi uma boa surpresa. Seu personagem é um completo idiota, mas com um carisma sensacional. Sempre levando parceiras diferentes para A Noite do Jogo, Ryan parece ter acertado dessa vez ao convidar sua colega irlandesa Sarah, interpretada por Sharon Horgan. Os bons momentos desta dupla arrancaram algumas boas risadas realmente.

Jesse Plemons está ótimo como o policial Gary. Desajeitado, socialmente rejeitado, com um semblante depressivo e quase assustador. Sempre lamentando o abandono de sua ex-esposa e deixando claro sua insatisfação com a rejeição dos vizinhos (Max e Annie) e parceiros de jogo. Ele deseja voltar e observa a rotina de todos para saber se está sendo ignorado, fazendo com que os amigos de Max e Annie cheguem a entrar pela janela para não serem vistos por ele. A participação de Gary é um dos melhores momentos do longa.

As escolhas criativas, como a trilha sonora excepcional de Cliff Martinez e a cinematografia de Barry Peterson, que introduziu alguns cenários parecidos aos encontrados em jogos de tabuleiro, além de perseguições no melhor estilo GTA, surpreendentemente bem executadas junto a trilha sonora totalmente gamer, me levaram à momentos de imersão total no filme.

Talvez o roteiro de Mark Perez não agradasse se tivesse caído em mãos erradas. Os diretores John Francis Daley e Jonathan Goldstein foram realmente os grandes responsáveis por levar esta comédia à um nível mais alto, sem perder a linha em nenhum momento. As sequências de ação foram insanas e os diálogos em meio a isso conseguiram acertar o alvo. O filme é cheio de reviravoltas surpreendentes e eu, particularmente, adoro isso. Destaque para a química entre Jason Bateman e Rachel McAdams, no mesmo nível de Tom Hanks e Meg Ryan em Sintonia de Amor (1993) ou Bradley Cooper e Jennifer Lawrence em O Lado Bom da Vida (2012). Tivemos também algumas participações especiais com Michael C. Hall (Dexter) e Danny Huston (Mulher-Maravilha).

Resumindo, A Noite do Jogo tem uma boa trama, críticas as vezes subliminares, ótimas atuações, ação, humor, mistério e reviravoltas incríveis, oferecendo diversão e momentos inesquecíveis. A comédia de Hollywood da maneira certa; sem vulgaridades e personagens descartáveis. Sim! Tem uma cena pós-créditos referente a um bom momento entre o casal Michelle e Kevin sobre o ator Denzel Washington. Vale esperar…

A Noite do Jogo (2018) – Título original: Game Night. Dirigido por John Francis Daley e Jonathan Goldstein. No elenco: Jason Bateman, Rachel McAdams, Kyle Chandler, Jesse Plemons, Billy Magnussen, Sharon Horgan, Lamorne Morris, Kylie Bunbury, Michael C. Hall, Danny Huston e Camille Chen. EUA. Duração de 100 minutos.

Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Por Nagib Salha

São 10 anos de sucesso no cinema, com 19 filmes (somado a Vingadores: Guerra Infinita). Em 2008, quando estreou o melhor de todos eles, Homem de Ferro, confesso que não esperava todo esse universo tão coeso criado pelos Estúdios Marvel. Todos os filmes tiveram papel importante nesta incrível saga cinematográfica. Até mesmo os mais fracos.

Guerra Infinita é sim um momento épico, que foi criado para celebrar uma década de grandes aventuras. Uma respeitosa homenagem aos fãs do gênero e principalmente da Marvel. Os Vingadores agora têm uma trilogia, sem dúvida a mais interessante. Todo o filme gira em torno do melhor vilão de todos os 19 filmes dentro do Universo Cinematográfico Marvel (MCU – Marvel Cinematic Universe), Thanos (Josh Brolin). O estúdio entregou aos irmãos Russo (Anthony e Joe) a responsabilidade de finalizarem o primeiro ciclo. Em suas mãos, dezenas de protagonistas e coadjuvantes. Missão tirada de letra por Anthony e Joe.

O que vi no cinema foi um grande evento. Cada ator e atriz recebeu seu merecido tempo e importância para uma trama realmente impactante. Tornando Thanos o centro de tudo, os roteiristas Stephen McFeely e Christopher Markus, entregaram algo impressionante, transformando um tirano em uma criatura que conquistou o público com motivação bem definida (explicada), digno de pena e medo. Venho destacar a performance da captura de movimento, simplesmente incrível.

Em busca das Joias do Infinito, Thanos acaba batendo de frente com alguns dos nossos heróis. O roteiro joga o tempo todo com a morte, sempre iminente. Isso causa aflição ao espectador. Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) mais uma vez é quem recebe maior atenção em tela, porém, está bem distante de ser o grande destaque. Todos os heróis estavam ótimos. Bruce Banner (Mark Ruffalo) ainda perdido devido ao isolamento visto em Thor: Ragnarok (2017) e Os Guardiões das Galáxias entraram tão facilmente na trama que nem parecia que viviam no espaço. Por falar em Guardiões, Gamora (Zoe Saldana), a filha de Thanos, é quem desperta o carisma do personagem de Josh Brolin.

Guerra Infinita está em todo lugar a todo momento; foi neste vai e vem sem fim que os irmãos Russo se perderam um pouco. Mas, nada que atrapalhe a compreensão. Com o trio Homem de Ferro, Homem Aranha (Tom Holland) e Dr. Estranho, somados a participação de Banner e Wong (Benedict Wong), nós tomamos conhecimento das perigosas aspirações do temível Titã. A partir daí todos os Vingadores uniram-se mais uma vez para impedir os planos do vilão. Cada um em seu quadrado, porém, unidos pela mesma causa. Em Wakanda temos uma das melhores sequências de ação já realizadas no cinema. Com direito a um momento mágico entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Okoye (Danai Gurira).

Em meio ao evento, os grandes heróis deixam o lado humano e tornam-se apenas guerreiros. A carga dramática partiu para coadjuvantes, como Visão (Paul Bettany) e a Feiticeira Escarlate. Para que você tenha um certo entendimento sobre o que escrevo, serve como exemplo o próprio Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) que está ali apenas para derrotar Thanos e a Ordem Negra (sensacional), sem peso nenhum para mudar uma única vírgula em toda a trama. Bem diferente do que foi em Capitão América: Guerra Civil (2016).

A trilha sonora, nas mãos de Alan Silvestri, foi a melhor em 10 anos do MCU. Não vi falhas desta vez no CGI, muito pelo contrário. Tudo que foi realizado estava simplesmente fantástico, principalmente em relação a Thanos. Sublime em todas as expressões faciais e movimentos. O visual dos heróis melhorou bastante naqueles que receberam alguma modificação, mas nada se comparou a nova armadura do Homem de Ferro e suas “surpresinhas” tecnológicas. Me empolguei bastante com o Thor (Chris Hemsworth) e Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch), em tudo! O humor está ótimo. Peter Dinklage teve uma participação importante, hein! Ah! Homem Formiga (Paul Rudd) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) são lembrados. São tantos personagens que se torna uma difícil tarefa escrever sobre todos eles.

Como eu disse, anteriormente, a trama joga com a morte durante quase todo o filme. Tudo bem que isso era esperado e há razões para isso. Porém, deixar a necessidade de um novo capítulo foi um erro para Vingadores: Guerra Infinita. Todas as tragédias passaram a sensação de serem apenas temporárias e acabaram servindo apenas como motivação para uma sequência. Chegou a incomodar um pouco a quantidade de oportunidades perdidas.

O brilho desta grande celebração dos 10 anos de sucesso da Marvel nos cinemas não foi apagado por algumas falhas que acabaram sendo levadas pelo vento forte do planejamento, em um universo coeso, guiado por Kevin Feige. O primeiro ciclo foi fechado nos deixando ainda mais empolgados pelo futuro promissor desta riquíssima franquia. Muito bom! (Tem uma ótima cena pós-créditos, fique até o final).

Vingadores: Guerra Infinita (2018) – Título original: Avengers: Infinity War. Dirigido por Anthony Russo e Joe Russo. No elenco: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Chadwick Boseman, Tom Hiddleston, e Elizabeth Olsen. EUA. Duração de 149 minutos.

Rampage: Destruição Total (2018)

Rampage: Destruição Total (2018)

Por Nagib Salha

Dwayne “The Rock” Johnson é o maior astro de ação deste século. A partir de 2001, com o filme O Retorno da Múmia, o ator não parou de protagonizar grandes sucessos em Hollywood. Escorpião Rei (2002) e Bem-vindo à Selva (2003) colocaram Dwayne na lista dos atores mais carismáticos e bem pagos do cinema. Rampage: Destruição Total é apenas um em uma imensa lista do que está por vir.

Logo após o sucesso de Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017), Dwayne retorna em um longa baseado no game Rampage World Tour de 1997 (o original foi criado na década de 1980). Entretanto, aqui temos as três criaturas gigantes com uma história de fundo, que nos conta a origem de tudo isso. Relevância apenas para o relacionamento entre Davis (Dwayne Johnson) e seu amigo, o gorila albino chamado George (Jason Liles).

A história tem assinatura de Ryan Engle (Sem Escalas, 2014) e foi entregue sob medida ao diretor Brad Peyton (Terremoto: A Falha de San Andreas, 2015). O filme começa bem, com um toque de terror no espaço, onde quase toda a tripulação de uma estação espacial é morta devido a uma experiência importante. Digo isso, pois a voz no comando deixa bem claro essa importância quando diz: “Doutora, sem minhas amostras você não pode voltar a terra”. Dra. Kerry (Marley Shelton), sozinha, deverá encarar de frente “o que deu errado” para conseguir as tão valiosas amostras e salvar sua vida.

Os personagens secundários e o grande protagonista são apresentados logo em seguida. Davis leva para um passeio no setor dos gorilas a jovem Amy (Breanne Hill, que já havia trabalhado com Brad Peyton no terror Dominação, de 2016), Connor (Jack Quaid) e seu parceiro Nelson (P.J. Byrne). Com exceção de Nelson, os outros personagens são irrelevantes. As cenas de humor entre Davis e George são boas, sobressaem.

Em determinado momento, três meteoros caem na terra após uma explosão no espaço (sem spoilers). Após isso, Claire Wyden (Malin Akerman), diretora do laboratório responsável pela experiência no espaço, envia Burke (Joe Manganiello) e Zammit (Matt Gerald) para resgatar as amostras em terra. George é contaminado por uma dessas amostras; e The Rock deve se juntar a Dra. Kate Caldwell (Naomie Harris) para descobrir uma forma de salvar seu grande amigo. Prepare-se para momentos de destruição total, pois outros dois terríveis monstros estão dispostos a passar por cima de tudo até o centro de Chicago.

Um roteiro para filmes deste gênero não pode ser diferente de tudo o que foi apresentado. Humor, personagens carismáticos, sequências de ação realmente impactantes e catastróficas. Brad Peyton fez um trabalho incrível e não economizou no CGI. O tema principal “Destruição Total” foi o ápice do longa e completamente fiel ao game. Ainda tivemos a surpresa de um crossover do personagem Negan da série The Walking Dead (AMC). Parece que Jeffrey Dean Morgan (que interpreta Harvey Russell, agente da DHS) não conseguiu separar-se do cruel (e ótimo) vilão, inimigo de Rick Grimes. Temos um easter egg em sua apresentação no filme, com referência a Liga da Justiça. O ator, junto a The Rock, faz parte do Universo Cinematográfico da DC.

De um modo geral, é tudo que temos para o filme de Brad Peyton, que segue a mesma lista de uma receita de sucesso, inteligente por saber que isso é o suficiente. Criaturas gigantes, diversão e destruição. Você pode achar isso um modelo batido e pode até estar certo, pois um macaco gigante não é novidade. Neste século com The Rock, Rampage: Destruição Total pode parecer mais do mesmo para alguns. Entretanto, garante a diversão em uma noite de cinema com pipoca.

Rampage: Destruição Total (2018) – Título original: Rampage. Dirigido por Brad Peyton. No elenco: Dwayne Johnson, Breanne Hill, Demetrius Grosse, Jack Quaid, Jake Lacy, James Sterling, Jason Liles, Jeffrey Dean Morgan, Joe Manganiello, Joey Thurmond, Malin Akerman, Marley Shelton, Matt Gerald, Naomie Harris, P.J. Byrne e Will Yun Lee. EUA. Duração de 107 minutos.

You Were Never Really Here (2017)

You Were Never Really Here (2017)

Por Nagib Salha

Joaquin Phoenix é, sem dúvida, um ator surpreendente. Em You Were Never Really Here (ainda sem tradução para o público brasileiro), Phoenix recebeu o merecido prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes ano passado. Sua performance foi brilhante, mais uma vez. Lynne Ramsay, premiada em Cannes pelo roteiro, também dirigiu o longa; ela nos entregou uma história viva, delicada e, ao mesmo tempo, brutal.

Os filmes de Lynne Ramsay têm uma narrativa sempre muito bem equilibrada, conseguindo unir beleza e caos (dentro de uma possível realidade dos acontecimentos). O personagem Joe (Joaquin Phoenix) penetra em sua mente e permanece lá, mesmo após o filme. Outro ponto positivo foi a trilha sonora comandada por Jonny Greenwood, que consegue capturar perfeitamente a essência de tudo isso.

Não tenho receio em comparar You Were Never Really Here com Taxi Driver (1976). Joe também é um homem mentalmente instável, mas a causa são traumas de infância que os perseguem em forma de pesadelos constantes. Lembranças de uma infância violenta mostradas através de cicatrizes em todo o corpo, onde as mais profundas são aquelas que não estão expostas. Percebemos isso nos primeiros minutos. Mesmo naquele corpo velho e com o martelo sangrando em suas mãos, ouvimos sua mente gritando como uma criança triste e aterrorizada.

Joe mora com sua mãe (idosa) no Queens. O relacionamento entre eles é tocante e mostra uma outra face do personagem – o humor com Psicose (1960) como referência foi fantástico – onde o carinho entre eles vem a esconder um pouco as cicatrizes do passado. Joe é um assassino por encomenda. Seu principal articulador, John McCleary (John Doman), lhe passa um novo trabalho. Agora, ele precisa resgatar Nina Votto (Ekaterina Samsonov), filha do Senador Albert Votto (Alex Manette), tem apenas 13 anos e está desaparecida. O mais provável é que esteja aprisionada em um sofisticado bordel de Manhattan realizando os desejos de pedófilos milionários. Aceitando a missão, quando o Senador fala “McCleary me disse que você pode ser brutal”, Joe responde com frieza “Posso ser”. E será!

Lynne Ramsay é muito talentosa e você vai passar a admirá-la após assistir You Were Never Really Here. Entregar uma obra de ficção tão realista não é uma tarefa fácil. A cinematografia tem beleza na simplicidade, onde a arte emoldurada por Tom Townend (diretor de fotografia) e Joe Bini (editor) nos trouxeram uma paisagem verdadeiramente Noir. A maior pontuação ficou para Jonny Greenwood (músico da banda Radiohead). A cena no bordel com o clássico Angel Baby (Rosie and The Originals) teve um efeito realmente assustador e incrível.

You Were Never Really Here é um longa para quem gosta de um bom suspense policial. Com um personagem inesquecível; brutal e frágil. Uma obra de arte atemporal que nos conquista tanto pela genialidade do roteiro e direção de Lynne Ramsay quanto pela performance incrível de Joaquin Phoenix.

You Were Never Really Here (2017) – Escrito e dirigido por Lynne Ramsay. No elenco: Joaquin Phoenix, Judith Roberts, Ekaterina Samsonov, Alessandro Nivola, John Doman e Alex Manette. Reino Unido/EUA/França. Duração de 89 minutos. Disponível em cópias digitais na Amazon.

Borg vs McEnroe (2017)

Borg vs McEnroe (2017)

Por Nagib Salha

Uma verdadeira batalha entre opostos. Assim foi a espetacular final em Wimbledon no ano de 1980. Borg vs McEnroe mostra um pouco da preparação dos tenistas Björn Borg (Sverrir Gudnason) e John McEnroe (Shia LaBeouf) para esta batalha dentro das quadras.

Enquanto o sueco, extremamente técnico e calculista, sofre a pressão de defender o título do torneio pela quinta vez consecutiva (um feito inédito); o norte-americano terá que superar seu temperamento explosivo e mostrar que é capaz de chegar ao topo do mundo no esporte. Borg era o calmo e muito eficiente, enquanto McEnroe era talentoso, mas descontrolado. Uma combinação entre a pena e a espada, a bela e a fera.

O filme é sensacional para o esporte. Além de nos mostrar um verdadeiro show dentro das quadras – onde rivais competem duramente até a última gota de suor – também nos faz refletir sobre até que ponto chegaríamos em busca da excelência. Borg e McEnroe, jogaram durante quase quatro horas, um momento mágico em Wimbledon. McEnroe persegue seu primeiro troféu tentando impedir que Borg conquiste seu quinto campeonato consecutivo.

Shia LaBeouf e Sverrir Gudnason estão fantásticos, em todos os detalhes. Assistindo alguns vídeos reais (online) dessa incrível partida, pude ver que eles imitaram seus personagens simplesmente de forma idêntica. Os dois atores conseguiram surpreender principalmente quanto não existiam diálogos. Todo o elenco está muito semelhante aos reais (tenistas, parentes e técnicos). O diretor Janus Metz retratou os atletas muito bem, mostrou por exemplo que tinham muita coisa em comum quanto a solidão e metas. McEnroe e Borg queriam vencer sempre, acima de tudo e de todos.

O roteiro de Ronnie Sandahl acertou na narrativa. Borg nem sempre foi frio e educado. Parecia tão louco quanto McEnroe, mas bem orientado pelo treinador Lennart Bergelin (Stellan Skarsgard), que o ensinou a controlar seu temperamento. Na trama, vimos que McEnroe era fã de seu rival, tinha um pôster do ídolo na parede e usava uma faixa semelhante na cabeça para se parecer com ele. Entretanto, a forma como tudo isso foi mostrado me incomodou bastante. Cortes rápidos em flashbacks (alguns desnecessários) para mostrar o passado dos tenistas foi, de certa forma, uma falha terrível.

As manias de Borg foram bem retratadas. Algo parecido com TOC ou simples superstição. Para “afinar as raquetes”, ele caminha sobre elas e depois batia uma na outra para tentar ouvir imperfeições. Já McEnroe mudava completamente antes das partidas. Chegou a ignorar um de seus melhores amigos, agora adversário nas quadras, para desconcentrá-lo. Enquanto Borg despeja seu tormento ao treinador com mensagens do tipo “Ninguém irá lembrar que venci quatro vezes seguidas Wimbledon, mas não irão esquecer que perdi tentando a quinta vitória”, McEnroe escutava algo pior de pessoas que deveriam apoiá-lo: “Você vai vencer Wimbledon um dia. Chegará ao topo. Mas, ninguém vai lembrar disso, porque ninguém gosta de você”.

Uma vez que o jogo termina, os dois compartilham de um momento sublime através da resposta do público de forma realmente tocante por ser inesperada. São vencedores. O que vimos foi um espetáculo digno de intermináveis aplausos. Dois maestros que superaram seus limites e conquistaram respeito e admiração.

Borg vs McEnroe tem no elenco seu grande trunfo. Sverrir Gudnason e Shia LaBeouf se entregaram aos personagens com profundidade e intensidade. Entretanto, a parte técnica (principalmente as partidas de tênis) também fascina devido a riqueza em detalhes, fidelidade e profundidade emocional.

Borg vs McEnroe (2017) – Título original: Borg McEnroe. Dirigido por Janus Metz. No elenco: Sverrir Gudnason, Shia LaBeouf, Stellan Skarsgard, Tuva Novotny, Ian Blackman, Jane Perry, John McEnroe Senior, Vitas Gerulaitis, Leo Borg e Tom Datnow. Suécia/Dinamarca/EUA/Finlândia. Duração de 107 minutos.

Um Lugar Silencioso (2018)

Um Lugar Silencioso (2018)

Por Nagib Salha

Para sobreviver, você deverá se adaptar. Um Lugar Silencioso, dirigido por John Krasinski (também protagonista), é um dos filmes de terror mais tensos que já tive o prazer em assistir. Participamos da trama, longe de ser um mero espectador. Todos os elementos necessários estão ali e isso nos torna parte de tudo, de forma bem ativa, em uma viagem assustadora e emocionante.

Nos primeiros minutos somos apresentados a família Abbott e iremos sofrer com eles até o último instante. Evelyn e Lee (Emily Blunt e John Krasinski, que são casados também na vida real) são os pais de Regan, Marcus e Beau (Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward respectivamente). Regan, a filha mais velha do casal, é surda (também na vida real) e nos leva a imaginar as dificuldades iminentes dado à deficiência. Regan precisa sobreviver em um lugar silencioso, sem saber (em determinados momentos) se está causando algum tipo de ruído.

Estamos em um planeta devastado. A família caminha com cuidado pelos corredores de um mercado abandonado, praticamente na ponta dos pés. Estão todos em busca de suprimentos. O pequeno Marcus precisa de medicamento, que acaba sendo encontrado pela sua mãe. Entre as prateleiras, Beau desenha no chão um foguete e diz que essa é a única forma de todos sobreviverem, sendo levados da Terra para um outro lugar. A comunicação é toda em linguagem de sinais, com muito cuidado, para não emitir qualquer tipo de som.

Assim, o roteiro (excelente) escrito por Krasinski, Scott Beck e Bryan Woods, já nos mostra sem enrolação que o som se tornou algo muito perigoso. Mesmo assim, para deixar bem claro isso, tudo fica mais intenso na próxima cena quando o pequeno Beau, contrariando os pais, resolve brincar com uma miniatura de um ônibus espacial no caminho para casa.

Um ano depois, a família continua a sobreviver com sofrimento e em perigo constante. Evelyn está gravida e se prepara de todas as formas para a chegada do bebê. Imagine isso agora: um recém-nascido em um mundo sem barulho. Enquanto isso, Lee continua sua busca por contato, usando Código Morse e um fone de ouvidos navegando em frequências de rádio. As terríveis criaturas matam ao ouvir o menor ruído e Lee busca constantemente uma forma de vencer essa batalha, enquanto, ao mesmo tempo, tenta desenvolver um aparelho auditivo para sua filha, Regan.

Um Lugar Silencioso é interessante devido a forma como faz o espectador participar da trama nesse jogo silencioso. Quando vimos um quadro na parede, por exemplo, pensamos “tire isso daí, pois ele pode cair”. Um prego exposto em uma escada nos faz imaginar durante todo o tempo que se alguém pisar ali, não será apenas um acidente comum. Contar uma história de forma tão tensa e inteligente, aumentando a tensão a cada passo, sem usar diálogos sonoros, acabou me atraindo de forma inesperada e prazerosa. John Krasinski nos entregou uma ótima narrativa, bem equilibrada, dividindo momentos de terror com cenas emocionantes. Uma linguagem rica visualmente com uma natureza aterrorizante. As expressões de Emily Blunt e Millicent Simmonds impressionam.

Sou fã de ficção científica e talvez por isso senti falta de saber realmente como tudo isso teve início (uma sequência ou um prelúdio talvez). A participação de Michael Bay (sim, ele está presente) na produção, pode nos levar a este destino, acredito eu. Porém, que passe distante do que foi a tentativa de explicar tudo na saga Cloverfield. Um Lugar Silencioso irá destruir seus nervos, porém de uma maneira recompensadora, com um dos melhores finais de todos os tempos neste gênero.

Todas as expectativas foram correspondidas e excedidas de várias formas. Bastante original e interessante, e isso te mantém no limite. Você quer saber mais de uma história onde nem todas as perguntas são respondidas. A ambição de John Krasinski nos trouxe algo novo, sólido e divertido. Assista!

Um Lugar Silencioso (2018) – Título original: A Quiet Place. Escrito e dirigido por John Krasinski. No elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe, Cade Woodward e Leon Russom. EUA. Duração de 90 minutos.

Uma Dobra no Tempo (2018)

Uma Dobra no Tempo (2018)

Por Nagib Salha

Uma Dobra no Tempo é um filme para toda a família. Entre as várias mensagens importantes encontradas na obra, as principais são aquelas que discutem diferenças e confiança quando se trata em acreditar em si próprio e nos seus sonhos. Sem dúvida, os pais devem acompanhar os filhos nesta nova aventura da Disney.

O grande destaque do longa, indiscutivelmente, foi o pequeno ator Deric McCabe, que interpreta o personagem Charles Wallace. Ele conseguiu com sensibilidade e talento sair de uma criança pura e bondosa para um ser cruel e insensível em um dos momentos altos do filme. Levi Miller, que havia interpretado anteriormente o Peter Pan, no filme de Joe Wright, também impressiona no papel do simpático Calvin, um herói bem maior que o líder da Terra do Nunca.

Sem controvérsias, temos aqui uma história sobre bondade que é de certa forma engrandecida pela honestidade em seu otimismo, uma fantasia que nos faz acreditar. Uma Dobra no Tempo foi adaptada do livro de Madeleine L’Engle, e (percebe-se) a ótima diretora Ava DuVernay soube destacar bem o lado emocional com simplicidade nas principais características do livro quando se trata de amizade, honestidade e perdão.

No início do filme, temos o Alex Murry (Chris Pine) mostrando a sua filha Meg, uma experiência em seu laboratório. Logo após isso, quatro anos se passa e Meg (Storm Reid) está de luto pelo desaparecimento de seu pai. Em pouco tempo, ela, seu irmão Charles e o interessante Calvin estão em volta da missão de resgate através da dobra no tempo. A introdução deve ter sido resumida em relação ao livro, pois realmente tudo foi muito rápido.

Para ajudar os três nesta missão, temos 3 figuras mágicas: Sra. Qual (Oprah Winfrey), a Sra. Quem (Mindy Kaling) e a Sra. QueÉ (Reese Witherspoon), poderosas defensoras do bem. O humor de Witherspoon está ótimo e afiado com ironias e algumas idiotices. Sempre repreendendo a falta de confiança de Meg, as vezes chegando a ferir seu orgulho, porém com ótimas intenções. Isso tudo por saber que Meg tem potencial, mas isso fica preso em meio a dor do desaparecimento do pai, por uma mescla de sentimento de perda e abandono.  “Pelo menos tente”, diz a Sra. QueQueé quando Meg mostra incerteza em suas ações. O filme nos passa mensagens constantemente sobre como nossas fraquezas podem ser transformadas em força.

Zach Galifianakis tem uma boa participação no longa. Seu personagem ajuda Meg a encontrar certo equilíbrio interno que pode ser um grande salto na busca pelo seu pai. Um fato interessante, sobre a personagem de Storm Reid é que ela parece se odiar, chega até a perguntar sobre a possibilidade de voltar através da Dobra no Tempo como alguém diferente, mesmo recebendo tantos elogios de Calvin. Ela se recusa a acreditar em elogios, sendo dolorosamente insegura. Uma situação bem comum entre vários jovens nesta idade.

Um outro ponto alto do filme está no figurino e direção de arte. Muitos trajes lindos e um visual de encher os olhos. Porém, às vezes, eles não se conectam com a realidade e a fantasia. O filme é muito ligado a crianças e adolescentes, que dramatiza a luta entre o bem e o mal de forma clara devido ao bom roteiro escrito por Jennifer Lee e Jeff Stockwell. Faltou só um pouco mais de sal e pimenta. Os personagens são ótimos, como já foi dito, mas os cortes rápidos acabaram me deixando um pouco perdido. Minha busca acabou um pouco frustrada.

De qualquer forma, Uma Dobra no Tempo é uma história quase redonda que relata a missão de uma jovem para salvar seu pai e encontrar a si mesma. A família fortalece as diferenças e encontra força e união entre eles. Esse vínculo entre os personagens aumenta na medida em que lutam contra o mal e isso acaba sendo bastante interessante e comovente. Não podemos ceder ao ódio. É também essencial dizer aos nossos familiares o quanto eles são importantes em nossa vida.

Uma Dobra no Tempo (2018) – Título original: A Wrinkle in Time. Dirigido por Ava DuVernay. No elenco: Storm Reid, Levi Miller, Deric McCabe, Reese Witherspoon, Chris Pine, Oprah Winfrey, Mindy Kaling, Gugu Mbatha-Raw e Zach Galifianakis. EUA. Duração de 109 minutos.

The Titan (2018)

The Titan (2018)

Por Nagib Salha

Particularmente, gosto do trabalho de Sam Worthington. Entretanto, mesmo após sua ótima participação no excelente e premiado longa Até o Último Homem (2016), parece que Hollywood criou uma imagem do ator relacionada a filmes de Ficção Científica. Neste lançamento da Netflix, The Titan, mais uma vez o transformaram em um alienígena.

Agora, Sam Worthington interpreta um militar recrutado para uma experiência genética bem radical financiada pelo governo americano. Durante isso, seu personagem Rick Janssen perde o cabelo, a pele cai, seu corpo muda e mais algumas outras mudanças acontecem lembrando um pouco o filme A Mosca (sucesso de 1986, protagonizado por Jeff Goldblum e Geena Davis). A diferença da metamorfose aqui está no DNA, que é de morcego.

Ficou fácil perceber, neste novo trabalho do ator, sua falta de interesse no personagem. Lennart Ruff, diretor do longa, não teve sorte em seu primeiro trabalho. Taylor Schilling é uma ótima atriz e mostrou isso em The Titan, sendo o único destaque da produção até a metade do filme.

Rick e sua esposa Abigail (Taylor Schilling), tem um filho chamado Lucas, interpretado pelo promissor ator Noah Jupe. Em 2048, devido à superpopulação (isso de novo…) e uma catástrofe nuclear que acaba com Los Angeles, várias famílias são transferidas para uma base da OTAN, entre elas a família de Rick. Ele (junto a outros recrutas) se transforma em cobaia de laboratório liderado pelo cientista Martin Collingwood (Tom Wilkinson).

A ideia é bem interessante, através de medicamentos seria possível modificar o corpo e organismo humano para se adaptar a um outro planeta (lua) chamado Titan. Uma lua no sistema solar com atmosfera de nitrogênio suficiente para acomodar os humanos modificados. Mudar o ambiente do novo planeta seria mais difícil do que evoluir uma espécie, segundo o cientista Martin. Porém, todos nós sabemos como isso pode terminar…

O filme tinha ingredientes para o sucesso, mas falhou. Principalmente no roteiro e na edição, com cenas desnecessárias, longas e arrastadas. A presença do ator não melhora em nada um roteiro chato e uma caixa lotada de oportunidades jogadas no lixo. Poderíamos ter visto algo mais além, como a própria colonização da lua. Seria fantástico! Assim como vimos um único homem conseguir plantar batatas em Marte utilizando fezes de outros tripulantes.

Só posso elogiar a premissa desta história de ficção científica. The Titan tentou mostrar uma forma de explorar a humanidade e até onde estamos dispostos a ir pela nossa sobrevivência. Porém, o resultado se distanciou desse objetivo grandioso de uma maneira previsível, nos dando uma tábua de frios sem ingredientes finos. Modificar geneticamente o ser humano para que possamos viver no planeta Terra nas condições mais hostis seria bem mais fácil. Não?

The Titan (2018) – Dirigido por Lennart Ruff. No elenco: Sam Worthington, Taylor Schilling, Tom Wilkinson, Agyness Deyn, Nathalie Emmanuel, Noah Jupe e Corey Johnson. Reino Unido/Espanha/EUA. Duração de 97 minutos. Disponível na NETFLIX.