O Predador (2018)

O Predador (2018)

Por Nagib Salha

Mais de 30 anos se passaram desde o grande sucesso de bilheteria, O Predador (1987), estrelado pelo ícone de filmes de ação Arnold Schwarzenegger. O longa não agradou a crítica, mas conquistou o público tornando-se um clássico. O Predador misturava dois gêneros que faziam sucesso na época, guerra e ficção científica.

O método do diretor John McTiernan era bastante usado naquele tempo, onde a criatura deveria aparecer o mínimo possível fazendo com que o público nem imaginasse quem era aquele assassino brutal. Deu certo! Até a metade do filme não fazíamos ideia de quem estava aniquilando aquele esquadrão altamente treinado e comandado por Schwarzenegger. O filme estourou ganhando uma legião de fãs, servindo de base para outros lançamentos. Agora, o diretor Shane Black resolveu esquecer um pouco o passado (nem tanto) e deixar sua marca na mais nova aventura do monstro.

Shane Black atualizou a franquia como deveria ser feito. Seus métodos são bem concretos, nos fazendo perceber com facilidade traços de Beijos e Tiros (2005) e Homem de Ferro 3 (2013) dentro de seu novo longa, principalmente em relação a sensibilidade e humor. Sempre o considerei um ótimo roteirista e um diretor limitado, mas quando lhe é entregue um filme fácil, ele se sai muito bem. Acredite, tudo o que você precisa em um filme de ação, vai encontrar em O Predador.

Quinn McKenna (Boyd Holbrook) é um sniper das forças armadas americana que entrou em confronto com o alienígena em uma missão que dizimou toda sua equipe. Para ter uma prova de tudo que aconteceu, ele enviou alguns equipamentos da criatura para sua caixa postal. Mas, por falta de pagamento, tudo é entregue em sua residência e acaba caindo nas graças de seu filho, Rory (Jacob Tremblay). “A curiosidade matou o gato”. O garoto resolve abrir a caixa destinada a seu pai ausente e acaba enviando uma mensagem de localização para os monstros do espaço. Enquanto isso, a Dra. Casey Bracket (Olivia Munn) é chamada para examinar um dos monstros aprisionados por um laboratório secreto do Governo. A curiosidade de Rory, desperta a criatura e uma matança acontece no local. Mas, a doutora escapa, e persegue o Predador.

A situação acaba envolvendo Quinn nesta perseguição, pois ele acaba descobrindo que a criatura está a caminho de sua casa e, mais precisamente, em busca de seu filho. Temos um Predador maior, mais brutal e bem mais bonito que o anterior (isso mesmo). Para salvar seu filho, Quinn McKenna acaba se unindo a uma equipe muito interessante de combatentes: Nebraska (Trevante Rhodes), Lynch (Alfie Allen, da série Game of Thrones), Baxley (Thomas Jane, sensacional), Coyle (Keegan-Michael Key) e Nettles (Augusto Aguilera); além da cientista Casey Bracket.

Vamos aos destaques. Como já havia dito anteriormente, esse foi um filme fácil para Shane Black. A interação entre a equipe foi o ponto alto, com humor sem exageros e ótima piadas. Vimos esse comportamento em Maquina Mortífera entre Riggs e Murtaugh, a dupla central eternizada por Mel Gibson e Danny Glover. A sensibilidade (laços) mais uma vez se destaca em meio as explosões, tiros e perseguições. O vilão do filme, interpretado muito bem por Sterling K. Brown, é outro ponto alto da produção; e Olivia Munn finalmente apareceu, recebendo atenção devida ao seu talento, diversas vezes desperdiçada em outras produções (como X-Men: Apocalipse, por exemplo). Você vai perceber também que a equipe de Som (de modo geral) trabalhou bem melhor que a equipe de efeitos visuais.

Temos aqui um bom filme de ação, comédia e ficção científica (com efeitos visuais razoáveis) graças a sensibilidade de Shane Black, que merece a maior fatia dos créditos positivos. O Predador é brutal e divertido ao mesmo tempo. Imperdível!

O Predador (2018) – Título original: The Predator. Dirigido por Shane Black. No elenco: Boyd Holbrook, Jacob Tremblay, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Alfie Allen, Trevante Rhodes, Keegan-Michael Key, Augusto Aguilera e Yvonne Strahovski. EUA/Canadá. Duração de 107 minutos.

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Alfa (2018)

Alfa (2018)

Por Nagib Salha

O diretor Albert Hughes conseguiu realizar um trabalho incrível do que seria o primeiro registro de amizade entre o homem e o cão (no caso, um lobo). Martin Gschlacht foi o responsável por uma das mais belas paisagens (fotografia) vistas no cinema, em meio a uma trama empolgante e emocionante.

A aventura se passa há 20.000 anos. Alfa nos leva a uma caçada que termina de forma quase trágica. Após isso, entramos em uma aventura única de um jovem caçador e um lobo, ambos feridos, aprendendo a conviverem para se alimentar e encontrar o caminho de volta para casa. Uma trama para toda família, sobre sobrevivência e amizade, com uma técnica moderna (semelhante aos trabalhos do diretor Zack Snyder), envolvente e ótimos efeitos visuais.

Keda (Kodi Smit-McPhee), é o jovem caçador filho do chefe da tribo (Tau, interpretado por Johannes Haukur Johannesson) e provável sucessor do pai. Após sofrer o ataque de uma espécie de Bisonte, Keda cai de um penhasco. Inconsciente e longe demais para ser resgatado, ele é considerado morto pelos caçadores. Mesmo contra a vontade do líder, todos devem seguir viagem de volta, deixando para trás o jovem ferido.

A partir deste momento, entendemos o real significado da frase dita pela mãe de Keda: “ele conduz com o coração e não com a lança”. O jovem não é frágil, como aparenta nos flashbacks apresentados no início, e prova isso durante sua incrível jornada. Após uma batalha contra os lobos, Keda acaba ferindo um deles. Com um tempo, ao invés de mata-lo após os outros se afastarem, ele resolve cuidar do animal, para que sobreviva.

Alguns bons momentos criados no roteiro de Daniele Sebastian Wiedenhaupt tentaram aproximar o relacionamento para uma possível realidade. Como quando Keda amarra o focinho de Alfa para que possa ajuda-lo com a ferida e não ser mordido pelo animal. Para impor liderança, o jovem caçador caça uma lebre e na insistência do lobo em comer o animal, Keda ordena com expressão de raiva e autoridade para que Alfa espere sua vez para se alimentar. Primeiro o dono, depois o cão (?). Outra situação próxima do natural, mostra o lobo instintivamente levando os animais para serem abatidos por Keda. Uma caça cooperativa como ocorre com cães treinados. A diferença é que, na situação apresentada, mais parece que o cão está ensinado o seu dono a caçar.

Estamos diante de um filme clássico de aventura, que não correu muitos riscos. Com visual deslumbrante apresentado em uma trama bem agradável sobre sobrevivência, amizade e lealdade. Diversão para toda a família.

Alfa (2018) – Título original: Alpha. Dirigido por Albert Hughes. No elenco: Kodi Smit-McPhee, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Morgan Freeman (narrador), Natassia Malthe, Leonor Varela, Mercedes de la Zerda, Jens Hultén, Priya Rajaratnam e Spencer Bogaert. EUA. Duração de 96 minutos.

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Sierra Burgess é uma Loser (2018)

Sierra Burgess é uma Loser (2018)

Por Nagib Salha.

A Netflix entrega mais uma comédia high school sólida com bons momentos e boas atuações. Uma mistura bem clara entre A Garota de Rosa Shocking (1986) e sua principal inspiração, o clássico Cyrano de Bergerac. O filme é estrelado por Shannon Purser da série Stranger Things.

Vamos lembrar um pouco de Cyrano de Bergerac, um romântico, que lutava contra o preconceito, covardia e o machismo. Ele se apaixonou por Roxane, uma linda garota, inteligente, mas com defeitos comuns encontrados em inúmeros adolescentes. Um jovem amigo de Bergerac, chamado Cristiano, também se apaixona por Roxane, mas ele não tem o dom da palavra para conquistar uma garota. Cyrano, diante da sua insegurança com as mulheres (e por ser bastante feio) resolve ajudar seu amigo a conquistar Roxane, a mulher que ama, através das palavras.

As semelhanças com o clássico francês no roteiro de Lindsey Beer são propositais. Isso não é um ato falho, muito pelo contrário, foi o que deixou o filme mais interessante. Uma versão moderna da comédia estrelada por Steve Martin e Daryl Hanna, Roxanne em 1987, para o público adolescente que já vinha embalado com A Barraca do Beijo, Set It Up e Para Todos os Garotos que Já Amei.

Sierra é aquela garota legal, mas fora dos padrões de beleza convencionais (para muitos). Seus pais são bem-sucedidos, o que atrapalha um pouco em relação a sua escolha vocacional. O pensamento de ser sempre uma sombra dos pais a incomoda. Seu grande e inseparável amigo Dan (RJ Cyler) é talvez seu único conforto na vida social.

Sierra Burgess tinha uma inimiga na escola, Verônica (Kristine Froseth). A bela e popular garota não perdia uma oportunidade para tentar humilhar Sierra, porém, ela sempre tirava de letra (a cena no banheiro foi ótima). Quando um atleta da escola chamado Jamey (Noah Centineo) tenta dar em cima de Verônica, ela (sem nenhum interesse no rapaz) passa o número do telefone de Sierra. A partir daí a história se torna interessante. Jamey inicia uma conversa por mensagens com Sierra – que se passa por Verônica – e acaba se apaixonando pela garota e vice-versa.

Gostei muito da trilha sonora usando som de sintetizadores, que deu uma sensação bem nostálgica dos anos 80. Existe o mesmo em relação ao figurino usado pelo elenco. Para aumentar ainda mais tudo isso, colocaram Alan Ruck (Curtindo a Vida Adoidado) e Lea Thompson (De Volta para o Futuro) como os pais de Sierra. Sensacional.

A maior surpresa no longa foi a trama para Verônica, a garota popular tem uma vida bem próxima da realidade e a atriz Kristine Froseth caminhou muito bem nessa estrada cheia de espinhos. O roteiro ainda lhe entregou bons momentos, aumentando o carisma pela personagem. Para cada um deles, aliás, foi entregue uma redenção na trama, por isso achei sólido e inteligente. Uma opinião pessoal: a semelhança entre Kristine e a atriz Margot Robbie é impressionante.

Sierra Burgess é uma Loser é um filme engraçado com uma mensagem interessante, onde uma adolescente entra em confronto com suas próprias inseguranças. Pode está longe de ser perfeito, mas é uma comédia agradável para assistir em um dia chuvoso acompanhado por pipoca e guaraná.

Sierra Burgess é uma Loser (2018) – Título original: Sierra Burgess Is a Loser. Dirigido por: Ian Samuels. No elenco: Shannon Purser, Kristine Froseth, Noah Centineo, RJ Cyler, Lea Thompson e Alan Ruck. EUA. Duração de 105 minutos. Disponível na Netflix.

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Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (2018)

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (2018)

Por Nagib Salha.

Os famosos Jovens Titãs retornaram para provar que merecem um filme sobre eles. Nesta animação muito divertida da Warner e DC, os jovens heróis buscam o reconhecimento através de uma grande aventura para provar que não são apenas meros ajudantes.

Podemos dizer que Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é um Deadpool infantil. Porém, os adultos que gostam de sátiras com grandes heróis, também vão adorar a animação. Para quem não esqueceu o humor irônico do Cavaleiro das Trevas em Lego Batman: O Filme (2017), que fez uma sátira com seus próprios filmes e alguns dos seus grandes vilões (além da piada com o Homem de Ferro), prepare-se! Neste filme, as piadas (alfinetadas) são muito melhores.

Nos segundos iniciais, após vinheta dramática da DC Filmes (só que no formato da animação), temos logo em seguida uma quase vinheta da Marvel Studios, porém, com cenas dos Jovens Titãs em quadrinhos, entregando de forma clara ao fã de super-heróis o que esperar a partir dali.

Começamos a aventura com um balão gigante atacando a cidade. Tudo começa a dar errado quando o monstro inflável confunde os jovens heróis com a Liga da Justiça e após a primeira tentativa de provar o contrário, eles são confundidos agora com os Guardiões da Galáxia. Depois da batalha (supostamente vencida por eles), chega o momento da pré-estreia de mais um filme do Batman (Jimmy Kimmel). Robin (Scott Menville) não está no filme e fica mais decepcionado ainda ao saber que Alfred e o Batmóvel terão filmes solos e ele não.

Ravena (Tara Strong), Estelar (Hynden Walch), Ciborgue (Khary Payton) e Mutano (Greg Cipes) se unem para ajudar seu líder a conseguir um filme em Hollywood. Para isso, eles invadem os estúdios da Warner Bros (com direito a participação de Stan Lee). A diretora de cinema Jade Wilson (Kristen Bell) deixa claro que para conseguir um papel no cinema como grande herói, Robin deve ter um arqui-inimigo. É neste momento que entra o terrível vilão Slade (Will Arnett), confundido a todo momento com o Deadpool. Ele é o vilão perfeito para os Jovens Titãs, com sua habilidade de usar a manipulação da mente em efeitos de ilusão bastante conhecidos por nós, o público, porém desconhecidos pelos Titãs.

O objetivo de Slade (ou Exterminador) é dominar o mundo. Como ele vai fazer isso, faz parte da grande reviravolta do filme. Os Jovens Titãs fazem piadas durante quase toda a aventura e as canções foram encaixadas de forma certeira. Cada uma melhor que a outra e tão viciante quanto Tudo é Incrível tema da animação Uma Aventura Lego (2014). Foi muito interessante também, assistir aos heróis tentando mudar a história voltando no tempo para tirar de cena os atuais ícones da Liga da Justiça (com referências a De Volta Para o Futuro).

Há também uma ótima (e hilária) homenagem ao clássico O Rei Leão (1994) com os heróis nas situações mais absurdas, como o Flash comendo capim e a tropa de Lanternas Verdes saltando como gazelas.

Um ponto alto que merece ser destacado foi o cuidado da produção em respeitar o público menor de idade com mensagens sobre amizade e honestidade. A recompensa virá se você fizer do jeito certo. Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é simplesmente divertido. Completamente fiel a série de TV, com as ótimas piadas sobre esse incrível universo de heróis, entretanto, riquíssimo em novidades.

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (2018) – Título original: Teen Titans Go! To the Movies. Dirigido por Aaron Horvath e Peter Rida Michail. No elenco de dublagem: Scott Menville, Tara Strong, Khary Payton, Greg Cipes, Hynden Walch, Will Arnett, Kristen Bell, Michael Bolton, Nicolas Cage, Halsey e Stan Lee. EUA. Duração de 84 minutos.

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Te Peguei! (2018)

Te Peguei! (2018)

Por Nagib Salha

Não estamos brincando! O filme do diretor Jeff Tomsic é inspirado em uma história real de pega-pega. A frase “não paramos de brincar porque envelhecemos, nos tornamos velhos porque paramos de brincar”, dita várias vezes durante o filme, é a chave desta comédia estrelada por Jeremy Renner, Jon Hamm e Ed Helms. Diversão interessante, mas com humor (as vezes) forçado e um pouco de nostalgia.

Após 30 anos, desde que os amigos Hoagie (Ed Helms), Bob Callahan (Jon Hamm), Fumaça (Hannibal Buress), Randy (Jake Johnson) e Jerry (Jeremy Renner) iniciaram o pega-pega (com regras específicas), um dos integrantes está com casamento marcado. O mais estranho disso é que os amigos de infância não foram convidados. De qualquer forma, a brincadeira não pode parar; e Hoagie tem um plano infalível para finalmente pegar o intocável Jerry (o noivo).

O início do filme já nos mostra claramente o tom da comédia. Mesmo que forçada por parte das atrizes Isla Fisher e Leslie Bibb, temos bons momentos quando a trama envolve a amizade incrível entre os personagens. As cenas que envolvem as fugas de Jerry têm o mesmo estilo de Sherlock Holmes (2009, filme com Robert Downey Jr), prevendo as investidas de seus amigos, traçando assim uma forma de escapar dos ataques e continuar invicto no pega-pega. Renner está ótimo em todas as cenas (se quer escapar, brinque como adulto).

A mensagem vista no início do longa se perde durante o resto do filme. Sim, você não consegue acreditar que aquilo realmente aconteceu (e vem acontecendo). Mas, foi em 2013 que um grande jornal publicou essa brincadeira entre adultos em sua capa. As ações hilárias do grupo na brincadeira agendada são mostradas nos créditos finais.

O diretor Jeff Tomsic fez um ótimo trabalho com os personagens, em todos os detalhes, principalmente quando se trata do carisma. Te faz gostar de todos eles. Apesar da brincadeira, as vezes com truques bem sujos, existe o sentimento real da amizade. Jeff também acerta nas sequências que são baseadas na brincadeira real, com uma diversão inofensiva entre o grupo de amigos que cresceu, mas nunca se separou e nunca envelheceu.

O elenco de Te Peguei é ótimo, gosto de praticamente todos eles. Mas, os papeis femininos não agradaram. Não sou muito fã do humor exagerado, com cortes rápidos. A química entre os homens é inegavelmente o ponto alto do longa. A trama foi bem desenvolvida, se analisarmos o desafio para transformar um simples pega-pega em algo bem interessante e muito divertido.

Te Peguei! (2018) – Título original: Tag. Dirigido por Jeff Tomsic. No elenco: Ed Helms, Jon Hamm, Jeremy Renner, Jake Johnson, Hannibal Buress, Isla Fisher, Annabelle Wallis e Leslie Bibb. EUA. Duração de 100 minutos.

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Para Todos os Garotos que Já Amei (2018)

Para Todos os Garotos que Já Amei (2018)

Por Nagib Salha

Temos uma comédia romântica adolescente original da Netflix, com trama simples, porém com características que a diferenciam de outras produções, onde os sentimentos estão bem próximos da realidade, sempre apresentados com bom humor e delicadeza. O relacionamento entre Peter (Noah Centineo) e Lara Jean (Lana Condor) é o combustível em Para Todos os Garotos que Já Amei, filme baseado no livro de Jenny Han.

Lara Jean tem apenas 16 anos e não tem um namorado. Na verdade, ela vive em um mundo de fantasia pelo lado amoroso, tudo isso amplificado pelos romances que costuma ler com certa frequência. Lara guarda em uma caixa, cinco cartas de amor para suas antigas paixões – mais precisamente, cinco garotos. Sua pequena irmã caçula Kitty (Anna Cathcart, brilhante) resolveu enviá-las para cada um deles. Isso acaba deixando a vida de Lara Jean de pernas para o ar. Nas cartas que chamam mais atenção, estão as que tem Josh Sanderson (Israel Broussard, A Morte te dá Parabéns), ex-namorado de sua irmã Margot (Janel Parrish, a Mona da série Pretty Little Liars) e Peter Kavinsky, ex-namorado de sua ex-melhor amiga Gen (Emilija Baranac). Diante da confusão causada, Lara e Peter fazem um acordo: devem fingir o namoro para benefícios próprios (lembrando levemente o sucesso dos anos 80 Namorada de Aluguel).

Para Todos os Garotos que Já Amei tem na sua essência certo tipo de realidade adolescente. A atriz Lana Condor consegue expressar muito bem as emoções de uma garota com 16 anos de idade. Ela é sem dúvidas o grande destaque da produção.

A trama entrega de forma doce a vida em família, principalmente quanto as perdas, e os sentimentos são levados em consideração em alguns bons momentos. Um deles é a preocupação da irmã mais velha quando sai de casa e transfere a responsabilidade para a próxima na sucessão. Com um pai viúvo e dedicado, a pequena Kitty não pode ser deixada de lado nos momentos em que a figura paterna estiver ausente. Esse relacionamento familiar sensacional também foi um dos pontos mais altos do longa.

Desenvolver uma personagem simples de forma plena foi um ato positivo. Os relacionamentos de Lara Jean com a família e os amigos, foram bem utilizados com tempo certo entre as interações. Essa atitude transformou os personagens em importantes peças do tabuleiro, de forma precisa, e nunca definidos somente pela personagem principal.

Não posso deixar de mencionar o ator veterano John Corbett (Casamento Grego, 2002), que nos entregou um personagem emocionante.  Outro destaque foi a ótima escolha da personagem central ter origem asiática. Um grande feito para as adolescentes que não se viram representadas como protagonistas em um filme do gênero.

A Netflix acertou este ano na maioria das suas escolhas. Para Todos os Garotos que Já Amei é um dos mais promissores do gênero. Na maioria das vezes, pode parecer tudo óbvio demais, porém, isso não diminui o entretenimento. Filme leve, interessante e divertido.

Para Todos os Garotos que Já Amei (2018) – Título original: To All the Boys I’ve Loved Before. Dirigido por Susan Johnson. No elenco: Lana Condor, Anna Cathcart, John Corbett, Janel Parrish, Noah Centineo, Israel Broussard, Trezzo Mahoro, Madeleine Arthur e Emilija Baranac. EUA. Duração de 99 minutos. Disponível na NETFLIX.

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Megatubarão (2018)

Megatubarão (2018)

Por Nagib Salha

Todos nós sabemos que o grande astro de filmes de ação Jason Statham tem uma legião de fãs realmente fiéis; e que seus filmes, independente da qualidade, vão atrair um grande público. É a resposta que os grandes estúdios de cinema esperam. Com Megatubarão, do diretor Jon Turteltaub (responsável pelo ótimo A Lenda do Tesouro Perdido, de 2004) não seria diferente. O filme vai bem nas bilheterias e os fãs estão adorando.

Quando Steven Spielberg nos trouxe o magnífico Tubarão em 1975, a indústria do cinema viu ali uma oportunidade de encher os bolsos. Diversas produções semelhantes e com menor qualidade surgiram, além das sequências caça-níqueis. Recentemente tivemos um bom e um péssimo exemplo: Águas Rasas (2016), com a atriz Blake Lively; e Medo Profundo (2017), com Mandy Moore e Claire Holt, respectivamente. Entretanto, nenhum deles tinha como ameaça um gigante assassino.

Agora estamos diante de uma máquina de matar, um assassino pré-histórico com mais de 20 metros. Um predador gigante que era considerado extinto. Mas, através de um acidente inexplicável (eles não conseguiram realmente), o animal atravessou uma fenda no fundo do oceano, próximo a China, e seu objetivo é tirar o atraso com novos petiscos em um vasto cardápio. O grande problema é que o Megalodonte conquistou um perigoso desafeto, Jonas Taylor (Jason Statham), um aposentado especialista em resgates no alto-mar. Quando ele descobre que sua ex-esposa está presa no fundo do oceano devido a uma expedição que deu errado, resolve voltar à ativa para resgata-la.

Enquanto não tentam transformar toda história em um filme dramático, funciona. Mas, quando tentam levar a sério, tudo desanda. Quem não é fã de Statham com certeza torceu bastante pelo monstro assassino. Não tente encontrar algo realmente interessante no roteiro (Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber), pois o melhor do filme são os ataques surpreendentes do tubarão pré-histórico, quando escapa para o mar aberto e passa a morder tudo que surge em sua frente. Nesta hora, temos a certeza de que somente Jonas Taylor poderá pará-lo.

Temos algumas boas participações no filme, destacando a pequena Shuya Sophia Cai, que interpreta Meiying, filha de Suyin (cientista interpretada pela atriz Bingbing Li). Os momentos de desespero do personagem DJ (Page Kennedy) também renderam algumas boas risadas. A atriz Ruby Rose, que ganhou destaque nas redes sociais após ser escolhida para interpretar Batwoman na nova série da CW, teve uma passagem um pouco tímida no papel de Jaxx.

The Meg (Megatubarão) é um filme divertido até certo ponto, pecando exatamente quando tentaram torna-lo dramático. A ameaça de um tubarão branco em mar aberto pode ser levada a sério e isso realmente assusta. Mas, um animal pré-histórico renascido das trevas não pode ser tratado dessa forma. Spielberg nos trouxe o terrível Tiranossauro Rex em Jurassic Park (1993) e a única frase que nos causou impacto foi “A Vida Encontra um Meio”. O resto foi gritos, mortes e bons sustos. Mesmo quando os dinossauros não estavam presentes, o diretor conseguia nos deixar em pânico. Quem não lembra do desespero do Doutor Grant com o garoto Tim nas costas pendurados em uma corda tentando não morrer com um jipe despencando em suas cabeças?

Os escritores gastaram energia à toa com diálogos absurdos tentando explicar todos os detalhes científicos sem sucesso; e ainda tentaram nos empurrar emoção com o sofrimento do elenco sempre que algum querido parente ou amigo era morto pelos ataques do Megalodonte. Nesse momento, o público certamente ficou entediado (aconteceu sim), afinal, o objetivo do filme é mostrar aquelas pessoas sendo devoradas por inteiro pelo gigante assassino. Apesar disso, Jon Turteltaub dirigiu muito bem as sequências de ação e fez o público vibrar em todas essas cenas. Quando Jason Statham está nadando no meio do oceano, a poucos metros do Megalodonte, ficamos desesperados, pois tudo foi filmado com real intensidade.

A palavra-chave é diversão, e por este único motivo, Megatubarão definitivamente agradou. A competição entre Jason Statham e o Megalodonte foi bem aproveitada em todas as oportunidades e te faz esperar pacientemente até os momentos finais.

Megatubarão (2018) – Título original: The Meg. Dirigido por Jon Turteltaub. No elenco: Jason Statham, Bingbing Li, Rainn Wilson, Cliff Curtis, Shuya Sophia Cai, Ruby Rose, Page Kennedy, Robert Taylor, Ólafur Darri Ólafsson, Jessica McNamee e Masi Oka. China/EUA. Duração de 113 minutos.

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Extinção (2018)

Extinção (2018)

Por Nagib Salha

Antes de falar sobre o novo Sci-Fi, Extinção (disponível na Netflix), vamos pensar naquilo que pode atrair nossa atenção para um filme ou série de TV. Falando por mim, o trailer é sempre o que mais chama atenção. Depois procuramos uma sinopse bem escrita para elevar um pouco a curiosidade. Também procuro verificar produtores, diretores, roteiristas e elenco (esse nem tanto, pois gosto de arriscar em novidades).

Diante disso, Extinção aponta para um filme surpreendente. Como assim? O trailer é interessante e a sinopse curiosa. Temos o diretor australiano Ben Young – que foi muito bem em sua estreia com Hounds of Love (2016) – e Eric Heisserer como roteirista (lembram do ótimo A Chegada, em 2016?). Daí partimos para o elenco: Michael Peña (Homem-Formiga e a Vespa), Lizzy Caplan (Cloverfield: Monstro, 2008), Mike Colter (da série Luke Cage) e Israel Broussard (do sucesso A Morte Te Dá Parabéns, 2017). Além disso, é um filme de ficção científica com invasão alienígena.

Michael Peña é Peter, pai e marido em um futuro desconhecido. Ele tem visões de invasões alienígenas e isso atrapalha seu sono, sua convivência familiar e suas obrigações profissionais. Sua esposa Alice (Lizzy Caplan) e suas duas filhas, Lucy (Lilly Aspell) e Hanna (Amelia Crouch) acabam sofrendo bastante com seus problemas. As visões (ou pesadelos) são recheados de violência, com pessoas inocentes sendo mortas por alienígenas; e edifícios destruídos. Um verdadeiro apocalipse.

Em pouco tempo, uma chuva de alienígenas começa a cair sobre a Terra. O objetivo fica claro: Extinção. Nenhum ser humano deve sobreviver. As visões de Peter tornam-se reais e o mundo inteiro está sob ataque. Para piorar ainda mais, soldados alienígenas são enviados para a aniquilação.

Infelizmente, a trama torna-se previsível rapidamente. Leva o ótimo elenco à uma atuação maçante. A premissa quando interessante, dentro de um roteiro bem amarrado, se mal executada, transforma o elenco – que seria o combustível – em pequenas peças de um motor. Temos uma história com princípio, meio e fim; sem deixar dúvidas no caminho, com um desfecho interessante. Entretanto, na maioria das vezes, a viagem por uma longa estrada vem a ser mais interessante do que o destino final.

De qualquer forma, é um filme com certa atitude, pouco divertido e com bons efeitos especiais. Deixou a desejar na criatividade. Extinção é apenas mais um filme de invasão com um último ato que nos faz reconsiderar a longa estrada percorrida, demonstrando uma possível eficiência (qualidade).

Extinção (2018) – Título original: Extinction. Dirigido por Ben Young. No elenco: Michael Peña, Lizzy Caplan, Mike Colter, Israel Broussard, Lilly Aspell e Amelia Crouch. EUA. Duração de 95 minutos. Disponível na Netflix.

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Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018)

Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018)

Por Nagib Salha

Você não vai precisar de muito tempo para decidir que Missão: Impossível – Efeito Fallout é o filme do ano, no gênero. A franquia, que existe desde 1996 (na época com Brian De Palma no comando), tem aqui um de seus melhores momentos com uma grande influência de J.J. Abrams no crescente sucesso.

A trama foi muito bem estabelecida em um roteiro frenético e explosivo. A nova missão lhe é entregue antes mesmo da abertura, basta apenas Ethan Hunt recuperar três esferas de Plutônio roubadas. Um grupo de terroristas, que pretende criar bombas atômicas com esses elementos, está mais interessado que Hunt. Em meio a uma negociação que parecia tranquila, salvar a vida de um de seus parceiros acaba tomando à frente da missão, transformando o simples em algo bastante complicado. Agora, os terroristas têm os ingredientes necessários para provocar uma catástrofe desproporcional.

Depois de cinco sequências, Christopher McQuarrie é a primeira figurinha repetida na direção. Em 2015, ele conseguiu elevar o nível da franquia, assim como fez J.J. Abrams em 2006 com o terceiro. A maioria das missões, durante esses 22 anos, nos apresenta inovações, entretanto, sem deixar de lado tudo aquilo que amamos nos filmes: as sequências implacáveis e explosivas de Ethan Hunt (Tom Cruise), os efeitos de voz e máscara para enganar os vilões (também os fãs) e aquele momento em que uma contagem regressiva pode decidir a sobrevivência de toda a equipe.

Nos primeiros momentos, os agentes Hunt e Walker (Henry Cavill) realizam um emocionante salto de paraquedas a 25 mil pés do solo de Paris. Logo em seguida, temos uma sequência de luta envolvendo os dois agentes e o assassino Lark Decoy (Liang Yang), onde vemos Cavill recarregando os socos com movimentos fantásticos, em uma coreografia brutal, belíssima; e a opção de não usar uma trilha sonora durante as cenas, nos fez absorver muito melhor cada efeito. Se na sua cabeça aquilo tudo já era o bastante, assistimos em seguida uma operação de resgate fulminante, com sequências de tirar o folego.

Tom Cruise é um grande astro e apresentou isso melhor do que nunca no sexto filme da franquia. Um ator que está longe de esgotar seus limites. O novo Ethan que surgiu em 2006, está mais humano do que nunca – e se para alguns isso vem a ser uma fraqueza, para outros pode ali está a sua maior força. Dentre as tantas cenas já conhecidas, sempre houve momentos surpreendentes, onde esse lado mais realista de Hunt foi responsável pelo desencadeamento.

Henry Cavill fez algo incrível, também. Talvez seu melhor papel até agora, provando que pode assumir qualquer personagem, seu futuro não está preso ao DCU. Vida longa para Tom Cruise, Ving Rhames, Simon Pegg e Christopher McQuarrie! Missão: Impossível – Efeito Fallout se tornou um dos melhores filmes de ação da história do cinema porque todos os envolvidos na produção fizeram um excelente trabalho.

Com uma mistura perfeita de ação explosiva, locações atraentes e cinematografia emocionante combinada com suspense (não poderia ter sido melhor), só posso dizer que estou louco para receber a próxima Missão: Impossível o mais rápido possível.

Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018) – Título original: Mission: Impossible – Fallout. Dirigido  por Christopher McQuarrie. No elenco: Tom Cruise, Henry Cavill, Ving Rhames, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Vanessa Kirby, Alec Baldwin e Angela Bassett. EUA. Duração de 147 minutos.

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Vingança (2018)

Vingança (2018)

Por Nagib Salha

O longa da diretora francesa Coralie Fargeat é um implacável jogo de gato e rato onde a luta pela sobrevivência se destaca na força de sua protagonista, com momentos de terror impressionantes em uma competente e explosiva história de vingança.

Jen (Matilda Anna Ingrid Lutz) é uma modelo belíssima e amante do milionário Richard (Kevin Janssens). Os dois resolvem passar um tempo no deserto, enquanto Richard irá reunir os amigos Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchède) para um dia de caça. O pior acontece quando Richard deixa Jen em sua mansão com Stan e Dimitri por apenas alguns instantes. Tempo suficiente para o inseguro Stan estupra-la.

Após a violência sexual, tudo o que Jen deseja é voltar para sua casa. Sem nenhum interesse em vingança, ela não se importa com o estuprador, Richard e qualquer outra pessoa. Em estado de choque, o único desejo agora é estar bem longe dali. Mas, a situação piora ainda mais quando Richard tenta matá-la para encobrir o crime.

Coralie Fargeat fez algo realmente incrível com sequências interessantes que levam o espectador a tomar decisões e discutir consigo mesmo sobre os acontecimentos. Deixar as lentes se distanciarem da cena do estupro até chegar ao parceiro de Stan, Dimitri, e vê-lo aumentando o volume da TV para abafar seus gritos de desespero e dor, transforma o personagem em um cúmplice tão cruel quanto o estuprador. Tudo isso realizado de uma forma para nos deixar inquietos e revoltados.

Quando Richard reaparece, encontra Jen destruída emocionalmente e traumatizada na cama. Ela praticamente implora para ir embora dali. Percebendo que algo muito ruim aconteceu, ele pensa no quanto sua vida pode desmoronar devido a crueldade de seus amigos. Tentando comprar a amante com uma proposta financeira, Jen recusa e imediatamente ameaça contar a esposa de Richard, caso ele não a deixe voltar para casa. Sem aceitar a ameaça imposta pela amante, Richard se torna um homem covardemente cruel.

As cenas de violência são bem filmadas e os efeitos visuais, mesmo com exageros, acabam tornando-se um show sangrento e necessário. Mas, isso não fica preso a tela durante todo o tempo, o que acaba transformando a trama em um thriller dramático, tenso e nem um pouco irritante. Matilda Lutz se entregou a personagem, demonstrando ir além do limite de uma mulher em busca da sobrevivência, usando o trauma como válvula de escape para superar o medo. Uma jornada interessante que faz o espectador enxerga-la como uma mulher quase invencível.

Bem dirigido e com um talentoso elenco, Vingança é implacável. Coralie Fargeat entregou algo mais do que um simples filme de terror. A diretora deve seguir esse caminho a partir de agora, espero eu, com um desejo de ver muito mais sucessos dessa talentosa novidade francesa.

Vingança (2017) – Título original: Revenge. Escrito e dirigido por Coralie Fargeat. No elenco: Matilda Anna Ingrid Lutz, Kevin Janssens, Vincent Colombe e Guillaume Bouchède. França. 108 minutos. Disponível nas salas do Cinépolis.

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