Megatubarão (2018)

Megatubarão (2018)

Por Nagib Salha

Todos nós sabemos que o grande astro de filmes de ação Jason Statham tem uma legião de fãs realmente fiéis; e que seus filmes, independente da qualidade, vão atrair um grande público. É a resposta que os grandes estúdios de cinema esperam. Com Megatubarão, do diretor Jon Turteltaub (responsável pelo ótimo A Lenda do Tesouro Perdido, de 2004) não seria diferente. O filme vai bem nas bilheterias e os fãs estão adorando.

Quando Steven Spielberg nos trouxe o magnífico Tubarão em 1975, a indústria do cinema viu ali uma oportunidade de encher os bolsos. Diversas produções semelhantes e com menor qualidade surgiram, além das sequências caça-níqueis. Recentemente tivemos um bom e um péssimo exemplo: Águas Rasas (2016), com a atriz Blake Lively; e Medo Profundo (2017), com Mandy Moore e Claire Holt, respectivamente. Entretanto, nenhum deles tinha como ameaça um gigante assassino.

Agora estamos diante de uma máquina de matar, um assassino pré-histórico com mais de 20 metros. Um predador gigante que era considerado extinto. Mas, através de um acidente inexplicável (eles não conseguiram realmente), o animal atravessou uma fenda no fundo do oceano, próximo a China, e seu objetivo é tirar o atraso com novos petiscos em um vasto cardápio. O grande problema é que o Megalodonte conquistou um perigoso desafeto, Jonas Taylor (Jason Statham), um aposentado especialista em resgates no alto-mar. Quando ele descobre que sua ex-esposa está presa no fundo do oceano devido a uma expedição que deu errado, resolve voltar à ativa para resgata-la.

Enquanto não tentam transformar toda história em um filme dramático, funciona. Mas, quando tentam levar a sério, tudo desanda. Quem não é fã de Statham com certeza torceu bastante pelo monstro assassino. Não tente encontrar algo realmente interessante no roteiro (Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber), pois o melhor do filme são os ataques surpreendentes do tubarão pré-histórico, quando escapa para o mar aberto e passa a morder tudo que surge em sua frente. Nesta hora, temos a certeza de que somente Jonas Taylor poderá pará-lo.

Temos algumas boas participações no filme, destacando a pequena Shuya Sophia Cai, que interpreta Meiying, filha de Suyin (cientista interpretada pela atriz Bingbing Li). Os momentos de desespero do personagem DJ (Page Kennedy) também renderam algumas boas risadas. A atriz Ruby Rose, que ganhou destaque nas redes sociais após ser escolhida para interpretar Batwoman na nova série da CW, teve uma passagem um pouco tímida no papel de Jaxx.

The Meg (Megatubarão) é um filme divertido até certo ponto, pecando exatamente quando tentaram torna-lo dramático. A ameaça de um tubarão branco em mar aberto pode ser levada a sério e isso realmente assusta. Mas, um animal pré-histórico renascido das trevas não pode ser tratado dessa forma. Spielberg nos trouxe o terrível Tiranossauro Rex em Jurassic Park (1993) e a única frase que nos causou impacto foi “A Vida Encontra um Meio”. O resto foi gritos, mortes e bons sustos. Mesmo quando os dinossauros não estavam presentes, o diretor conseguia nos deixar em pânico. Quem não lembra do desespero do Doutor Grant com o garoto Tim nas costas pendurados em uma corda tentando não morrer com um jipe despencando em suas cabeças?

Os escritores gastaram energia à toa com diálogos absurdos tentando explicar todos os detalhes científicos sem sucesso; e ainda tentaram nos empurrar emoção com o sofrimento do elenco sempre que algum querido parente ou amigo era morto pelos ataques do Megalodonte. Nesse momento, o público certamente ficou entediado (aconteceu sim), afinal, o objetivo do filme é mostrar aquelas pessoas sendo devoradas por inteiro pelo gigante assassino. Apesar disso, Jon Turteltaub dirigiu muito bem as sequências de ação e fez o público vibrar em todas essas cenas. Quando Jason Statham está nadando no meio do oceano, a poucos metros do Megalodonte, ficamos desesperados, pois tudo foi filmado com real intensidade.

A palavra-chave é diversão, e por este único motivo, Megatubarão definitivamente agradou. A competição entre Jason Statham e o Megalodonte foi bem aproveitada em todas as oportunidades e te faz esperar pacientemente até os momentos finais.

Megatubarão (2018) – Título original: The Meg. Dirigido por Jon Turteltaub. No elenco: Jason Statham, Bingbing Li, Rainn Wilson, Cliff Curtis, Shuya Sophia Cai, Ruby Rose, Page Kennedy, Robert Taylor, Ólafur Darri Ólafsson, Jessica McNamee e Masi Oka. China/EUA. Duração de 113 minutos.

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Extinção (2018)

Extinção (2018)

Por Nagib Salha

Antes de falar sobre o novo Sci-Fi, Extinção (disponível na Netflix), vamos pensar naquilo que pode atrair nossa atenção para um filme ou série de TV. Falando por mim, o trailer é sempre o que mais chama atenção. Depois procuramos uma sinopse bem escrita para elevar um pouco a curiosidade. Também procuro verificar produtores, diretores, roteiristas e elenco (esse nem tanto, pois gosto de arriscar em novidades).

Diante disso, Extinção aponta para um filme surpreendente. Como assim? O trailer é interessante e a sinopse curiosa. Temos o diretor australiano Ben Young – que foi muito bem em sua estreia com Hounds of Love (2016) – e Eric Heisserer como roteirista (lembram do ótimo A Chegada, em 2016?). Daí partimos para o elenco: Michael Peña (Homem-Formiga e a Vespa), Lizzy Caplan (Cloverfield: Monstro, 2008), Mike Colter (da série Luke Cage) e Israel Broussard (do sucesso A Morte Te Dá Parabéns, 2017). Além disso, é um filme de ficção científica com invasão alienígena.

Michael Peña é Peter, pai e marido em um futuro desconhecido. Ele tem visões de invasões alienígenas e isso atrapalha seu sono, sua convivência familiar e suas obrigações profissionais. Sua esposa Alice (Lizzy Caplan) e suas duas filhas, Lucy (Lilly Aspell) e Hanna (Amelia Crouch) acabam sofrendo bastante com seus problemas. As visões (ou pesadelos) são recheados de violência, com pessoas inocentes sendo mortas por alienígenas; e edifícios destruídos. Um verdadeiro apocalipse.

Em pouco tempo, uma chuva de alienígenas começa a cair sobre a Terra. O objetivo fica claro: Extinção. Nenhum ser humano deve sobreviver. As visões de Peter tornam-se reais e o mundo inteiro está sob ataque. Para piorar ainda mais, soldados alienígenas são enviados para a aniquilação.

Infelizmente, a trama torna-se previsível rapidamente. Leva o ótimo elenco à uma atuação maçante. A premissa quando interessante, dentro de um roteiro bem amarrado, se mal executada, transforma o elenco – que seria o combustível – em pequenas peças de um motor. Temos uma história com princípio, meio e fim; sem deixar dúvidas no caminho, com um desfecho interessante. Entretanto, na maioria das vezes, a viagem por uma longa estrada vem a ser mais interessante do que o destino final.

De qualquer forma, é um filme com certa atitude, pouco divertido e com bons efeitos especiais. Deixou a desejar na criatividade. Extinção é apenas mais um filme de invasão com um último ato que nos faz reconsiderar a longa estrada percorrida, demonstrando uma possível eficiência (qualidade).

Extinção (2018) – Título original: Extinction. Dirigido por Ben Young. No elenco: Michael Peña, Lizzy Caplan, Mike Colter, Israel Broussard, Lilly Aspell e Amelia Crouch. EUA. Duração de 95 minutos. Disponível na Netflix.

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Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018)

Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018)

Por Nagib Salha

Você não vai precisar de muito tempo para decidir que Missão: Impossível – Efeito Fallout é o filme do ano, no gênero. A franquia, que existe desde 1996 (na época com Brian De Palma no comando), tem aqui um de seus melhores momentos com uma grande influência de J.J. Abrams no crescente sucesso.

A trama foi muito bem estabelecida em um roteiro frenético e explosivo. A nova missão lhe é entregue antes mesmo da abertura, basta apenas Ethan Hunt recuperar três esferas de Plutônio roubadas. Um grupo de terroristas, que pretende criar bombas atômicas com esses elementos, está mais interessado que Hunt. Em meio a uma negociação que parecia tranquila, salvar a vida de um de seus parceiros acaba tomando à frente da missão, transformando o simples em algo bastante complicado. Agora, os terroristas têm os ingredientes necessários para provocar uma catástrofe desproporcional.

Depois de cinco sequências, Christopher McQuarrie é a primeira figurinha repetida na direção. Em 2015, ele conseguiu elevar o nível da franquia, assim como fez J.J. Abrams em 2006 com o terceiro. A maioria das missões, durante esses 22 anos, nos apresenta inovações, entretanto, sem deixar de lado tudo aquilo que amamos nos filmes: as sequências implacáveis e explosivas de Ethan Hunt (Tom Cruise), os efeitos de voz e máscara para enganar os vilões (também os fãs) e aquele momento em que uma contagem regressiva pode decidir a sobrevivência de toda a equipe.

Nos primeiros momentos, os agentes Hunt e Walker (Henry Cavill) realizam um emocionante salto de paraquedas a 25 mil pés do solo de Paris. Logo em seguida, temos uma sequência de luta envolvendo os dois agentes e o assassino Lark Decoy (Liang Yang), onde vemos Cavill recarregando os socos com movimentos fantásticos, em uma coreografia brutal, belíssima; e a opção de não usar uma trilha sonora durante as cenas, nos fez absorver muito melhor cada efeito. Se na sua cabeça aquilo tudo já era o bastante, assistimos em seguida uma operação de resgate fulminante, com sequências de tirar o folego.

Tom Cruise é um grande astro e apresentou isso melhor do que nunca no sexto filme da franquia. Um ator que está longe de esgotar seus limites. O novo Ethan que surgiu em 2006, está mais humano do que nunca – e se para alguns isso vem a ser uma fraqueza, para outros pode ali está a sua maior força. Dentre as tantas cenas já conhecidas, sempre houve momentos surpreendentes, onde esse lado mais realista de Hunt foi responsável pelo desencadeamento.

Henry Cavill fez algo incrível, também. Talvez seu melhor papel até agora, provando que pode assumir qualquer personagem, seu futuro não está preso ao DCU. Vida longa para Tom Cruise, Ving Rhames, Simon Pegg e Christopher McQuarrie! Missão: Impossível – Efeito Fallout se tornou um dos melhores filmes de ação da história do cinema porque todos os envolvidos na produção fizeram um excelente trabalho.

Com uma mistura perfeita de ação explosiva, locações atraentes e cinematografia emocionante combinada com suspense (não poderia ter sido melhor), só posso dizer que estou louco para receber a próxima Missão: Impossível o mais rápido possível.

Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018) – Título original: Mission: Impossible – Fallout. Dirigido  por Christopher McQuarrie. No elenco: Tom Cruise, Henry Cavill, Ving Rhames, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Vanessa Kirby, Alec Baldwin e Angela Bassett. EUA. Duração de 147 minutos.

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Vingança (2018)

Vingança (2018)

Por Nagib Salha

O longa da diretora francesa Coralie Fargeat é um implacável jogo de gato e rato onde a luta pela sobrevivência se destaca na força de sua protagonista, com momentos de terror impressionantes em uma competente e explosiva história de vingança.

Jen (Matilda Anna Ingrid Lutz) é uma modelo belíssima e amante do milionário Richard (Kevin Janssens). Os dois resolvem passar um tempo no deserto, enquanto Richard irá reunir os amigos Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchède) para um dia de caça. O pior acontece quando Richard deixa Jen em sua mansão com Stan e Dimitri por apenas alguns instantes. Tempo suficiente para o inseguro Stan estupra-la.

Após a violência sexual, tudo o que Jen deseja é voltar para sua casa. Sem nenhum interesse em vingança, ela não se importa com o estuprador, Richard e qualquer outra pessoa. Em estado de choque, o único desejo agora é estar bem longe dali. Mas, a situação piora ainda mais quando Richard tenta matá-la para encobrir o crime.

Coralie Fargeat fez algo realmente incrível com sequências interessantes que levam o espectador a tomar decisões e discutir consigo mesmo sobre os acontecimentos. Deixar as lentes se distanciarem da cena do estupro até chegar ao parceiro de Stan, Dimitri, e vê-lo aumentando o volume da TV para abafar seus gritos de desespero e dor, transforma o personagem em um cúmplice tão cruel quanto o estuprador. Tudo isso realizado de uma forma para nos deixar inquietos e revoltados.

Quando Richard reaparece, encontra Jen destruída emocionalmente e traumatizada na cama. Ela praticamente implora para ir embora dali. Percebendo que algo muito ruim aconteceu, ele pensa no quanto sua vida pode desmoronar devido a crueldade de seus amigos. Tentando comprar a amante com uma proposta financeira, Jen recusa e imediatamente ameaça contar a esposa de Richard, caso ele não a deixe voltar para casa. Sem aceitar a ameaça imposta pela amante, Richard se torna um homem covardemente cruel.

As cenas de violência são bem filmadas e os efeitos visuais, mesmo com exageros, acabam tornando-se um show sangrento e necessário. Mas, isso não fica preso a tela durante todo o tempo, o que acaba transformando a trama em um thriller dramático, tenso e nem um pouco irritante. Matilda Lutz se entregou a personagem, demonstrando ir além do limite de uma mulher em busca da sobrevivência, usando o trauma como válvula de escape para superar o medo. Uma jornada interessante que faz o espectador enxerga-la como uma mulher quase invencível.

Bem dirigido e com um talentoso elenco, Vingança é implacável. Coralie Fargeat entregou algo mais do que um simples filme de terror. A diretora deve seguir esse caminho a partir de agora, espero eu, com um desejo de ver muito mais sucessos dessa talentosa novidade francesa.

Vingança (2017) – Título original: Revenge. Escrito e dirigido por Coralie Fargeat. No elenco: Matilda Anna Ingrid Lutz, Kevin Janssens, Vincent Colombe e Guillaume Bouchède. França. 108 minutos. Disponível nas salas do Cinépolis.

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Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (2018)

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (2018)

Por Nagib Salha

No melhor estilo dos sucessos Risco Total (1993) e Duro de Matar (1988), Arranha-Céu: Coragem Sem Limite mistura tensão e diversão somadas ao carisma inegável do astro Dwayne Johnson, seguindo à risca todos os elementos satisfatórios para um filme de ação sem limites.

Com sequências de tirar o fôlego movidas a adrenalina, o diretor e roteirista Rawson Marshall Thurber não economizou em nada; criando obstáculos constantes e personagens incríveis para superá-los; gerando emoções, aumentando a realidade em cada cena e acreditando sempre na capacidade indiscutível de Dwayne Johnson para nos envolver, desafiando as leis da física e os limites da coragem.

Tudo começa no passado, onde o (ex) agente Will (Dwayne Johnson) sofre um acidente terrível em uma tentativa de resgate. A médica cirurgiã Dra. Sarah (Neve Campbell), é responsável pelo atendimento ao agente no hospital. Agora, Will e Sarah estão casados (10 anos depois) e tem dois filhos adoráveis, Henry (Noah Cottrell) e Georgia Sawyer (McKenna Roberts). A família está hospedada no maior prédio do mundo, The Pearl (maior que o Burj Khalifa), para que Will Sawyer venha a conseguir o cargo de chefe de segurança da torre em Hong Kong.

Ao fundo, temos um mafioso que precisa limpar seu nome, Kores Botha (Roland Møller). O perigoso assassino está nas mãos do bilionário e dono da torre, Zhao Long Ji (Chin Han). Para conseguir roubar um banco de dados que poderá deixa-lo em maus lençóis, Kores Botha vai passar por cima de tudo, inclusive incendiar parte do prédio na tentativa de chegar ao cofre localizado na cobertura de Zhao Long Ji. Em meio as ações do mafioso, a família Sawyer torna-se refém. Will agora arriscará sua vida para resgatar esposa e filhos das mãos dos bandidos na torre em chamas.

Usando fitas adesivas (popular Silver Tape) e uma prótese da perna como arma secreta, Rawson Marshall Thurber encontrou formas interessantes para as cenas de ação do personagem central.  Acreditar que os terroristas incendiaram propositalmente um prédio de 240 andares apenas para conseguir um pendrive localizado na cobertura do bilionário, pode ser algo impossível, mas nada se compara as loucuras de Will Sawyer para salvar sua família. Robert Elswit (Diretor de Fotografia) também realizou um ótimo trabalho, capturando os imensos arranha-céus com cenários perfeitos, além das imagens da torre em chamas na belíssima Hong Kong.

O filme de Rawson Marshall Thurber segue uma premissa bem tradicional em filmes de ação que se tornam grandiosos quando bem orquestrados em mãos certeiras de um bom maestro. Johnson é na verdade um upgrade generoso dos grandes astros Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone. Tão bom quanto, The Rock nas mãos de um bom diretor consegue transformar a mais frágil das tramas em algo um pouco mais sólido.

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite é um filme original com muitos momentos emocionantes e cenas impressionantes. Existiram alguns momentos onde algo poderia ser melhorado, mas levei em consideração o objetivo central do longa e nisto não houve falhas. Se o roteiro tivesse caído nas mãos de Bruce Willis, certamente o astro teria adaptado para mais uma sequência do seu fantástico Duro de Matar.

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (2018) – Título original: Skyscraper. Escrito e dirigido por Rawson Marshall Thurber. No elenco: Dwayne Johnson, Neve Campbell     , Chin Han, Roland Møller, Noah Taylor, Byron Mann, Pablo Schreiber, McKenna Roberts, Noah Cottrell e Hannah Quinlivan. EUA. Duração de 102 minutos.

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Próxima Parada: Apocalipse (2018)

Próxima Parada: Apocalipse (2018)

Por Nagib Salha

O filme do diretor David M. Rosenthal, lançamento na Netflix, tem um início repleto de mistérios, com uma trama bastante sólida e curiosa, quase irresistível. Mas, parece que um terremoto em grande escala atinge o roteiro e tudo muda drasticamente.

Will (Theo James) e Sam (Kat Graham), o casal central da trama, estão planejando o casamento. Antes disso, Will deve pedir permissão ao pai da noiva, o ex-fuzileiro Tom (Forest Whitaker), num jantar na casa dos sogros em Chicago. Porém, nada sai como planejado. No outro dia, Will é acordado por um telefonema de Sam, mas durante a ligação falhas na rede de energia e telefonia acontecem e vários rumores sobre algo ruim acontecendo na costa oeste dos EUA começam a surgir. Desesperado, Will retorna a casa dos sogros e já os encontra preparados para ir em busca de Sam que está na cidade de Seattle. Então, a dupla Will e Tom, resolvem pegar a estrada em um Cadillac para salvá-la.

Os momentos iniciais são bem interessantes, banhados de um suspense realmente promissor. Quanto a dupla tenta atravessar uma barreira feita na estrada pelo exercito americano, um dos soldados se mostra apreensivo ao liberar passagem, a pedido de Tom, mostrando certo arrependimento em sua decisão. Aquilo me deixou realmente preocupado. Não saber o que estava acontecendo na realidade foi um passo importante para o desenvolvimento da trama.

Entretanto, quando Will e Tom, tentam levar na viagem a mecânica Ricki (Grace Dove), temos uma primeira falha. Para isso, Tom oferece 2000 dólares e argumentos bem difíceis de engolir naquela situação. Inacreditável uma mulher se convencer tão facilmente a entrar em um veículo com dois homens estranhos em uma viagem de aproximadamente 5 dias. Este foi um dos inúmeros momentos do roteiro que nos fizeram engolir de qualquer jeito.

Para amenizar falhas, Próxima Parada: Apocalipse nos entregou uma ótima fotografia e bons efeitos visuais no percurso dos protagonistas de Chicago até Seattle com algumas paradas em busca de combustível, água e outros alimentos. O elenco não parece à vontade, com exceção a Forest Whitaker, sempre brilhante e empenhando-se ao máximo independente do que tem em mãos. O ator Theo James, da franquia A Série Divergente, tem seus momentos, entretanto sem muito a oferecer. Grace Dove tem talento, mas um pequeno sopro apagou sua chama na trama.

Os momentos finais estavam forçados e perdidos. A interação entre os personagens, os diálogos, tudo virou um desastre. A impressão é de que o roteirista convenceu os produtores apenas mostrando os 30 minutos iniciais da trama e não tinha em mãos um roteiro pronto. Brooks McLaren (que está envolvido no próximo Rambo) não soube seguir com a trama e muito menos chegar a uma conclusão aceitável, provavelmente desistiu do filme.

Um “quase filme” foi entregue para a Netflix, que deveria ter um pouco mais de cautela em suas escolhas. Se você precisa de uma solução, respostas, ficará realmente decepcionado. Se quer apenas assistir um suspense de ficção científica com algumas cenas de ação interessantes, vai gostar. Porém, assista sem grandes expectativas.

Próxima Parada: Apocalipse (2018) – Título original: How It Ends. Dirigido por David M. Rosenthal. No elenco: Theo James, Forest Whitaker, Grace Dove, Kat Graham, Nicole Ari Parker e Kerry Bishé. Canadá/EUA. Duração de 113 minutos. Disponível na Netflix.

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Homem-Formiga e a Vespa (2018)

Homem-Formiga e a Vespa (2018)

Por Nagib Salha

Homem-Formiga e a Vespa já começa bem pelo título. A sequência é uma grande aventura, divertida, e com algumas surpresas. A participação da Vespa (Evangeline Lilly) foi o grande diferencial, graciosamente simpática e extremamente eficaz. Vê-la em ação foi tão delicioso, quanto qualquer outro Vingador. O filme não tem coadjuvantes, conseguindo de certa forma dar o devido destaque a todos os personagens.

Peyton Reed dirigiu o primeiro e está de volta na sequência. O trabalho realizado por ele em 2015 pode até ter exposto inexperiência em filmes de grandes orçamentos, mas agora esteve bem melhor, em ritmo acelerado dentro de uma trama leve e bem humorada. As cenas de ação estão melhores, bem coreografadas, com ótimos efeitos visuais – apresentados já no início da história, quando Vespa enfrenta os capangas de Sonny (Walton Goggins) na cozinha de um restaurante entre as mudanças de tamanho. As cenas de flashback também ficaram impressionantes.

O filme inicia com Scott Lang (Paul Rudd), que usou seus poderes em Capitão América: Guerra Civil (2016), e acabou o levando a prisão por infringir o Acordo de Sokovia. Em prisão domiciliar, Scott aproveita para passar graciosos e divertidos momentos com sua filha Cassie (Abby Ryder Fortson, simplesmente brilhante), além de ajudar seus parceiros Luis (Michael Peña), Kurt (David Dastmalchian) e Dave (Tip ‘T.I.’ Harris) na empresa em que tem participação.

O FBI continua na busca de Hank Pym (Michael Douglas) e sua filha Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), considerados fugitivos do governo. Restando poucos dias para ficar livre, Scott tem um sonho quase real com a esposa de Hank, Janet (Michelle Pfeiffer), que foi a primeira Vespa, perdida há anos de forma microscópica em um tipo de reino quântico (que o Homem-Formiga visitou no primeiro filme). Ao contar seu sonho para Hank, Hope resolve “sequestra-lo” diante da possibilidade de resgatar Janet. Para que ninguém perceba a ausência de Scott na prisão domiciliar, Hank e Hope deixam um estranho substituto em sua casa realizando sua rotina diária usando a tornozeleira eletrônica.

Entre os acontecimentos, surge a misteriosa Ava, a Fantasma (Hannah John-Kamen). Uma perigosa inimiga da dupla que está disposta a roubar toda tecnologia de Hank e usá-la para sua cura. Ela está em uma condição estranha e dolorosa causada por um acidente de energia quântica. Mas, quem também está na disputa por isso é Sonny, que enxerga a tecnologia como uma oportunidade de deixa-lo bilionário.

Ambos os personagens foram bem inseridos na trama, um tipo de recheio do bolo, onde a cobertura eram os heróis centrais. Não posso deixar de comentar sobre a pequena atriz Abby Ryder Fortson, que na minha opinião foi quem deixou mais saudades quando o filme acaba. Tenho certeza que a Marvel irá aproveitá-la em outras oportunidades. A filha de Scott deu uma aula de pureza, inteligência, humor e encanto. Michael Peña (Luis, amigo de Scott) recebeu mais espaço na sequência e soube aproveitar cada minuto tornando seu personagem uma peça importante para as próximas aventuras do Homem-Formiga.

A belíssima San Francisco foi a principal locação nas melhores cenas de ação. Tive o prazer de conhecer a cidade em 2016 e posso dizer que fiquei bastante emocionado ao rever tantos locais que tive a oportunidade de visitar. A melhor sequência ocorre exatamente em um dos pontos turísticos mais interessantes da cidade: Lombard Street, a ladeira mais famosa de San Francisco. Com direção sensacional de Peyton Reed em uma perseguição de carros simplesmente épica – e referência divertida aos carrinhos da Hot Wheels. Em parte, com o Homem-Formiga usando um caminhão como patinete e finalizando imitando o mergulho de uma baleia jubarte.

Eva Lilly estava ótima. Era o papel que merecia e acabou se encaixando muito bem. Os momentos entre Hope e Scott foram divididos entre romance, tensão e as ótimas piadas – destaque para aquelas que envolviam a suposta amizade entre Scott e Steve Rogers, o Cap. Depois de passar o primeiro filme apenas como uma possível super-heroína, ver a vespa voando alto e lutando contra os vilões usando uma Hello Kitty, não tem preço.

Apesar de tudo acontecer antes de Guerra Infinita (2018), Homem-Formiga e a Vespa deixam de presente uma interessante (e impactante) cena pós-crédito. Este novo filme da Marvel é positivamente sincero, por este motivo resolvi não inserir aqui comentários negativos. Se o Homem-Formiga era apenas um coadjuvante nas aventuras da Marvel, isso agora mudou. Fiquei realmente feliz com o resultado.

Homem-Formiga e a Vespa (2018) – Título original: Ant-Man and the Wasp. Dirigido por Peyton Reed. No elenco: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne, Abby Ryder Fortson, Michael Peña, Hannah John-Kamen, Walton Goggins, David Dastmalchian, Tip ‘T.I.’ Harris e Judy Greer. EUA. Duração de 118 minutos.

* Com duas cenas pós-créditos.

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Tau (2018)

Tau (2018)

Por Nagib Salha

A ficção científica (SciFi) é um gênero que sempre atrai minha atenção. Tau, o filme mais recente deste gênero na Netflix, chegou sem muito alarde, mas com a presença do vencedor do Oscar Gary Oldman no elenco. A presença do astro de O Destino de uma Nação (2017) conduz o filme ao limite mais alto, porém ainda distante de suas reais pretensões.

Gary Oldman interpreta Tau, uma inteligência artificial no filme escrito pela iniciante Noga Landau e dirigido pelo uruguaio Federico D’Alessandro, conhecido artista de animação (storyboard), principalmente por seus trabalhos nos filmes da Marvel. D’Alessandro foi bem em sua estreia como diretor, mesmo porque um artista de storyboard tem uma função quase semelhante a de um diretor de animação, por exemplo, quando cria as imagens para cada cena da história, incluindo posturas, cenários e reações. Provavelmente essas qualidades tenham transformado as reações e o visual de Tau (o programa) em algo tão interessante.

Maika Monroe é uma atriz muito talentosa – participou de um dos filmes de terror mais fantásticos que já assisti, Corrente do Mal (It Follows, 2014) – e aqui ela interpreta Julia, uma jovem sedutora e ladra raptada pelo cientista Alex (Ed Skrein). Julia é uma cobaia, forçada a participar de uma experiência relacionada a Inteligência Artificial. Enquanto Alex trabalha contra o tempo para concluir seu programa, Tau (um protótipo de I.A. menos avançado) realiza os testes com Julia. Em determinado momento, Tau se torna um guardião da cobaia.

A casa, protegida por Tau e comandada por Alex, funciona como uma prisão e laboratório ao mesmo tempo. Um androide assassino chamado Ares é acionado em possíveis fugas e seu ataque é sempre brutal. O ambiente, sempre limpo (pequenos drones fazem o papel de faxineiros), é claustrofóbico e entediante. Dentro da casa, Julia forma um vínculo emocional com Tau, inserindo novos conhecimentos e tentadoras possibilidades, o que pode abalar a relação entre criatura e criador.

Maika Monroe foi traída em determinados momentos pelo roteiro da iniciante Noga Landau. Julia é apenas uma mulher sozinha e miserável, que usa a sedução para roubar e sobreviver. Quando é sequestrada, transforma-se em uma mulher talentosa e inteligente, com habilidades até então desconhecidas. Poderia ser mais real. Ainda assim, Maika é bastante eficaz ao lado de Gary Oldman e bem distante de Ed Skrein (o vilão Ajax de Deadpool, 2006). Oldman retrata um programa ingênuo em relação a tudo o que acontece fora da casa de forma delicada, o que torna Tau compreensivo em seus melhores momentos, principalmente quando desafia as ordens de seu criador.

Tau tem suas qualidades e, longe de suas pretensões, o thriller fica próximo de um home-vídeo agradável que funciona (até certo ponto) e se torna audacioso, quando tenta inovar um tipo de trama clássica de Criatura x Criador.

Tau (2018). Dirigido por Federico D’Alessandro. No elenco: Maika Monroe, Gary Oldman, Ed Skrein, Paul Leonard Murray, Dragoljub Ljubicic e Irene Chiengue Chiendjo. EUA. Duração de 97 minutos. Disponível na Netflix.

 

 

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Os Incríveis 2 (2018)

Os Incríveis 2 (2018)

Por Nagib Salha

Até a chegada da família mais incrível no cinema, Hollywood dava seus primeiros passos em uma nova era dos super-heróis com X-men (2000), Homem-Aranha (2002), Hulk (2003) e Hellboy (2004). Os Incríveis (2004) surge sem um passado e, consequentemente, sem a popularidade dos grandes personagens dos quadrinhos. Mesmo com essa desvantagem, Brad Bird, ainda nos levou a imaginar como seria a política mundial em torno da presença dos heróis no planeta, que estavam proibindo os heróis de serem… heróis.

Estamos em uma época bem diferente daquela e os filmes de super-heróis estão simplesmente irreconhecíveis comparados a 2004. Tudo aconteceu rápido como o Flecha, e o gênero tornou-se uma verdadeira máquina de dinheiro. Por isso, imaginar um mundo sem a família Pêra é praticamente impossível. Mais uma vez, Brad Bird soube adaptar-se aos novos tempos.

O filme começa exatamente como terminou o primeiro, a família Pêra deve enfrentar O Escavador (John Ratzenberger). Esse combate acaba aumentando a desconfiança da população com os heróis devido a destruição causada em toda a cidade. Com os danos causados pela ação dos heróis, o governo decide que eles não valem o custo de limpar (consertar) tudo depois. Além disso, nenhum deles é novidade e muito menos são ovacionados pelos fracos e oprimidos.

Porém, há esperança para os heróis. Um rico empresário chamado Winston (Bob Odenkirk) e sua irmã NERD Evelyn (Catherine Keener) desejam reintegrar os super-heróis a sociedade de forma bem positiva. Diante de algumas estatísticas, Helena Pêra (Holly Hunter) a Mulher Elástica é escolhida entre todos como a grande representante para agir sozinha, sem cometer falhas ou desastres, e assim conquistar a confiança da população novamente. Consequentemente, Roberto Pêra (Craig T. Nelson) o Sr. Incrível, deve cuidar de seus filhos e das atividades do lar. Em meio as ações da Mulher Elástica, surge um novo vilão: O Hipnotizador. Com o mundo inteiro agora em perigo, o retorno dos heróis torna-se iminente.

Em grande parte, assistimos a Mulher Elástica tentando salvar o mundo e o Sr. Incrível tentando salvar sua família. As duas tramas caminham quase que por conta própria e chegam mais forte ao destino final quando Brad Bird os une novamente. Flecha (Huck Milner), Violeta (Sarah Vowell) e principalmente Zezé (Eli Fucile) estão tão incríveis quanto seus pais. Assistir Roberto enfrentando talvez o maior desafio de sua vida foi simplesmente sensacional. Seja tentando ajudar o Flecha com o dever de matemática ou encorajando sua filha Violeta a falar com sua paixão Toninho (Michael Bird), Roberto transmite emoção de forma heroica no que deveria ser apenas uma rotina familiar normal.

Durante o filme, eu percebi dois easter eggs (referências). Uma delas se refere a sala de aula onde alguns dos fundadores da Pixar estudaram: A113. Quando Violeta vai ao cinema, o filme em cartaz é Dementia A113. O nome do filme também é uma referência a Dementia 13 de Francis Ford Coppola. O outro foi no programa de TV que distrai Zezé: A Quinta Dimensão. No início, o programa dos anos 60 (mesma época do filme Dementia 13) falava na possível hipnose através das TVs (o vilão do filme é O Hipnotizador, e Zezé viaja entre dimensões).

Com a divertida rotina familiar e uma aventura eletrizante (sem exageros) do combate ao crime, Os Incríveis 2 conseguiu ser melhor que vários filmes live-action da Marvel e DC nos cinemas. Brad Bird entregou um filme quase completo e surpreendente. Apesar de algumas falhas diante das inúmeras possibilidades (principalmente relacionadas ao Zezé), tudo foi conduzido além do limite, correndo riscos.

Sabe o que torna Os Incríveis 2 tão bom? Quando o filme tenta nos mostrar que os heróis nos deixam preguiçosos, talvez não tenha a intenção de nos levar a enfrentar nossos problemas sem depender de superpoderes. Pode ter sido em relação ao que buscamos, consumimos ou produzimos. Sem dúvida, o filme tem muito a oferecer – e atinge com um verdadeiro soco no nariz aqueles que dizem que o gênero está por um fio.

Os Incríveis 2 (2018) – Título original: Incredibles 2. Escrito e dirigido por Brad Bird. No elenco (voz): Craig T. Nelson, Holly Hunter, Sarah Vowell, Huck Milner, Catherine Keener, Eli Fucile, Bob Odenkirk, Samuel L. Jackson, Isabella Rossellini e Jonathan Banks. EUA. Duração de 118 minutos.

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Hereditário (2018)

Hereditário (2018)

Por Nagib Salha

Sempre que um filme de terror ou suspense envolve elementos da doutrina Espírita ou eventos paranormais, se torna ainda mais interessante. Pelo menos aos meus olhos. Hereditário é um filme perturbador, tenso e assustador. Ari Aster, diretor do filme e também responsável pelo roteiro, tem um passado de curtas e, surpreendentemente, conseguiu um grande feito em sua estreia com um longa-metragem.

Pode-se dizer que Hereditário é um filme sobrenatural, onde uma família está sendo ameaçada por entidades terríveis e assustadoras. Não apenas ameaçada, mas destruída com danos psicológicos irreversíveis. E quando descobrimos que as entidades não estão ali apenas para ganhar, que por trás de tudo isso há uma motivação – todos não passam de um simples canal entre o passado e o futuro – tudo muda. Você vai perceber que o filme, diferente de quase tudo visto antes, tem o necessário para assustar e, de forma perturbadora, te coloca como membro da família, onde os sentimentos afloram em você (o que faz tudo parecer ainda mais real).

Tudo começa com o enterro da mãe de Annie (Toni Collette), uma artista que constrói incríveis modelos reais em miniaturas; de um pequeno quarto e todos os objetos a uma casa inteira com riqueza em detalhes. Enquanto Annie prepara-se para enterrar sua mãe, em seu discurso, descobrimos que a falecida tinha sérios problemas de personalidade. Annie, casada com o Steve (Gabriel Byrne), tem dois filhos: Peter (Alex Wolff) e incrível Charlie (Milly Shapiro). Peter é um adolescente que não quer nada com a vida. Charlie é uma criança estranha, visivelmente rejeitada e angustiada. Tudo isso está escancarado em seu rosto e comportamento. As primeiras “manifestações” espirituais acontecem justamente com ela.

Charlie pode ser a ligação de tudo. Mas, em determinado momento, descobrimos que sua mãe Annie também pode ser um canal de ligação com o sobrenatural. A avó de Charlie tinha em uma caixa diversos livros sobre espíritos e, quando Annie é atraída pela curiosidade, a presença da falecida é sentida imediatamente. Com dúvidas sobre seus sentimentos, Annie resolve procurar um grupo de apoio. Em um desses encontros ela conhece Joan (Ann Dowd), uma misteriosa mulher que conversa com espíritos.

Antes disso, o maior impacto em Hereditário acontece quando Peter é forçado a levar Charlie para uma festa da turma da escola. Um acidente horrível muda todo o curso daquela família que ainda estava em choque com a recente perda. Os acontecimentos a partir daí, levam o espectador a um desafio de quebra-cabeças em um universo realmente assustador.

O desempenho de Toni Collette é sensacional. Annie é uma personagem difícil, que quase todo o tempo parece estar possuída por um sentimento de culpa e ódio. O medo seguido da violência que a domina, mesmo de forma oculta, é a expressão das entidades que estão por trás dela, como guias obsessores. Pawel Pogorzelski, também fez um trabalho incrível, principalmente com as locações. A mudança de tom, dentro da mesma casa, neutros, aos mais escuros e perturbadores, ganhavam mais forma com o som impactante da trilha de Colin Stetson (12 Anos de Escravidão, 2013).

Não há outro objetivo em Hereditário que não seja te deixar com medo. Quando um pássaro bate na janela da sala de aula onde estuda Charlie, deixando uma marca de sangue, ela tranquilamente arranca a cabeça da ave com uma tesoura e coloca no bolso. Coisas aparecem voando, detalhes de corpos em meio a escuridão, sopros, insetos, todos os elementos em modo hard. Apesar da insatisfação com o final, de um modo geral, Hereditário é sim um filme inesquecível.

Hereditário (2018) – Título original: Hereditary. Escrito e dirigido por Ari Aster. No elenco: Toni Collette, Milly Shapiro, Gabriel Byrne, Alex Wolff, Mallory Bechtel e Ann Dowd. EUA. Duração de 127 minutos.

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