The Crown (2017) – 2ª Temporada

The Crown (2017) – 2ª Temporada

Família, lealdade, amor e honestidade. Esses foram os valores mais evidentes na segunda temporada da série The Crown de Peter Morgan. Episódios históricos e fascinantes foram muito bem distribuídos e retratados como um livro de história e, ao mesmo tempo, um romance bem escrito. A belíssima série da Netflix é um encanto visual, uma paisagem inesquecível.

Uma grande atuação, quando vista por um espectador comum e até mesmo pelo crítico mais ferrenho, tem valor inestimável. Agora, imagine uma constelação de astros e estrelas nos entregando o melhor. Isto é mais valioso do que todas as obras de artes e joias encontradas nos grandes palácios do Reino Unido. Claire Foy brilha mais uma vez como a Rainha Elizabeth II. A performance da atriz foi brilhante do início ao fim. Sua transformação no decorrer da série, de uma jovem rainha até a postura amadurecida com todas as características de uma mulher e a crise da meia-idade, porém sempre imponente, foi incrível.

Em seu melhor episódio, Claire Foy nos entrega uma atuação interessante onde a Rainha Elizabeth sente-se intimidada com os acontecimentos envolvendo a Primeira Dama dos Estados Unidos, Jacqueline Kennedy (Jodi Balfour). Vimos algumas cenas realmente tensas entre as duas mulheres mais poderosas do mundo. Certamente, Jackie Kennedy tem vantagem em relação a beleza e, junto ao Presidente Kennedy (Michael C. Hall) se destaram realmente. Mas, Jackie nos mostrou um lado desconhecido quando tentou destruir a imagem e tradição da monarquia inglesa. Na própria história sabemos que Kennedy não era um santo e as circunstâncias que estavam escondidas do público afetaram sua vida. Mais uma vez destaco a atuação de todos neste episódio. Porém, Claire estava em um andar bem mais alto. Foi fabuloso assistir a forma como a Rainha superou tudo isso.

Temos agora uma Elizabeth cautelosa e um Philip competitivo, porém um pouco frustrado (se Matt Smith foi bom na primeira temporada, está excelente na segunda). Claramente, The Crown não se aproxima de uma queda. Exatamente o contrário. Superou os altos e baixos da primeira nos apresentando fatos históricos com os acontecimentos pessoais (e bem particulares) de cada um membro da monarquia. Matt Smith ganhou um dos melhores episódios desta temporada. Realmente marcante, vimos o Duque de Edimburgo exigir a matrícula de seu filho numa escola somente para meninos, inclusive com ameaça ao matrimônio, colocando lado a lado a educação do Príncipe Charles (Julian Baring) e a sua, com cenas incríveis em flashback sobre sua infância. As imagens com cenários deslumbrantes do enterro de sua irmã foi um dos momentos mais épicos desta temporada.

Um outro episódio marcante muito bem dirigido por Benjamin Caron, envolveu a Princesa Margaret e seu marido Tony Armstrong-Jones. A excelente atriz Vanessa Kirby nos presenteou com um show de atuação. Foi incrível assistir o contraste entre a mulher que ama o luxo, mas foge das tradições monarcas, e a Rainha que tem a coroa acima de tudo e de todos. Enquanto ela dança em seu quarto, Elizabeth segue em passos firmes para seus aposentos. Seu relacionamento com o fotógrafo Tony foi tão bem escrito e dirigido, que merecia um longa.

Os relacionamentos complexos entre Elizabeth, Philip, Margaret, a Rainha Mãe entre outros membros da Família Real ficaram mais ricos. Na primeira temporada, as visitas de Elizabeth por Winston Churchill nos deram uma linha de discussão, unindo histórias díspares oferecidas em vários momentos com relacionamento mutável. Desta vez, nada parecido foi visto, talvez porque os dois primeiros ministros com quem Elizabeth conversa são bem inferiores, tanto na história quando na presença. “Covardes” como ela mesmo disse com palavras menos agressivas.

A falta de equilíbrio foi extinta, contrastando fortemente com a Elizabeth da primeira temporada. No que se diz respeito a segunda temporada de um modo geral, foi um grande passo para Elizabeth, que escolheu usar as melhores ferramentas à sua disposição e seguir seus instintos, os conselheiros foram ignorados. Em um episódio que Sir Philip exigia respeito dos homens de bigode (que foram obrigados a raspá-los) por ser obrigado a dispensar seu melhor amigo Mike Parker (Daniel Ings), a Rainha o vestiu de Bobo da Corte e de forma subliminar mostrou seu poder diante do Duque para salvar o casamento. Mesmo assim, ela continuou a explorar a mesma dúvida entre a mulher e a Coroa; e na forma como essas experiências surgiram, muitas vezes a mulher foi desconsiderada para que não afetasse a realeza. Elizabeth lutava contra suas inseguranças e ciúmes deixando-a distante da família e levando-a ao desconforto, quando rapidamente cortou a corda da forca, engolindo tudo a seco para manter um relacionamento sólido aos olhos do mundo.

Todo esse drama nos aproxima ainda mais da série, pois, juntamente com toda intriga política e pessoal, há o figurino, as locações, as obras de arte, a arquitetura incrível e atuações vibrantes. Nos deram vários troféus, entre eles uma linda dança entre a Rainha e Nkrumah (Danny Sapani). Os detalhes pessoais ampliaram o mistério em volta da família mais “popular” do mundo. Trouxe humanidade aos personagens e tem como prova maior o Príncipe Philip, que aos nossos olhos nunca foi mais do que uma figura imponente por atrás da Rainha Elizabeth II. The Crown, se tornou uma nova grande obra que teve um (merecido) tratamento beirando o extraordinário.

The Crown (2017) | Segunda Temporada. Criada por Peter Morgan. No elenco: Claire Foy, Matt Smith, Victoria Hamilton, Vanessa Kirby, Daniel Ings, Julian Baring, Jodi Balfour, Danny Sapani, Greg Wise, atthew Goode, Alex Jennings, Michael C. Hall e Richard Clifford. Reino Unido. Duração por episódio: 57 minutos. Disponível na Netflix.

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Dark (2017) | 1ª Temporada

Dark (2017) | 1ª Temporada

Dark provou que não é necessário um grande orçamento para produzir uma série de mistério e ficção científica com extrema qualidade. Todos os recursos disponíveis foram muito bem utilizados (diálogos, visual, trilha e trama). A fotografia, os cenários e figurinos foram impressionantes. Com uma cinematografia de encher os olhos, a direção de arte nos entregou um clima realmente sombrio, muito mais do que Stranger Things, por exemplo.

Com um roteiro brilhante, que responde suas dúvidas no tempo certo, em momento nenhum o espectador irá sentir-se sobrecarregado de informações complexas ou supostamente impossíveis, pois tudo está interligado e será esclarecido. A trama acontece em uma pequena cidade na Alemanha, Winden, que se destaca por abrigar uma Usina Nuclear (que está sendo desativada). Somos apresentados a um leque de personagens incríveis com personalidades bem peculiares, entre eles estão Jonas Kahnwald (Louis Hofmann), que sofre por não aceitar um suicídio na família e sua mãe Hannah (Maja Schöne) que torna-se amante de Ulrich Nielsen (Oliver Masucci), uma antiga paixão dos tempos de escola. Ulrich (melhor atuação) além de perder seu irmão quando ainda era adolescente, sofre mais um revés e inicia uma busca incessante e devastadora durante toda a série. A investigadora Charlotte Doppler (Karoline Eichhorn) acaba completamente perdida com casos inexplicáveis e ainda sofre com os problemas latentes do marido Peter (Stephan Kampwirth). Posso lhe dizer que são tantos personagens interessantes que tonariam este parágrafo enorme. No decorrer da trama, tudo se torna mais intenso, sombrio e misterioso fazendo de você um investigador, partindo para um confronto direto entre o passado, presente e o futuro.

Há uma trama separada? Não. Tudo está entrelaçado e ocorre de forma fácil, nunca forçado. Cada episódio me levou ao limite e é exatamente assim que se faz um bom suspense. Dark é uma produção alemã de encher os olhos com uma história que poderia até parecer simples, mas acredite em mim, não é. É facilmente uma das melhores que já vi em uma série de TV com eventos muito surpreendentes que exigem concentração em cada cena. Os criadores Baran bo Odar e Jantje Friese fizeram um bom trabalho.

Temos um vilão na série, Noah (Mark Waschke). Mas, para este ótimo personagem deixo apenas o mistério. Sobre à atuação, realmente não lembro de qualquer baixo desempenho, todas as performances foram boas, mas o grande destaque ficou para Oliver Masucci. Seu personagem tem todas as características necessárias para uma ótima trama, inclusive isolada. Mas, é exatamente o contrário e aí esconde-se o grande trunfo. Louis Hofmann também empolga, grande parte do mistério está em sua existência e ele consegue passar todo esse conflito com delicadeza concatenando sentimentos de angústia, sofrimento, coragem e medo.

A única semelhança com Stranger Things é realmente a criança desaparecida em uma pequena cidade. Dark mistura viagem no tempo e mistério, mas de forma única. Assusta, choca (principalmente em uma cena entre Ulrich e o pequeno Helge) e também diverte. Devido a trama muito intensa e todas as reviravoltas e surpresas, provavelmente você terá que assistir duas vezes para entender tudo. Porém, isso não será uma tarefa difícil. Cada episódio é melhor que o anterior e caminha em passos firmes ou dança no melhor ritmo. A tarefa mais complicada e angustiante é ter que esperar a próxima temporada. Assista DARK!

“Nós acreditamos que o tempo decorre de forma linear, que ele avança uniformemente para sempre. Até o infinito. Mas a diferença entre presente, passado e futuro não passa de uma ilusão. O ontem, o hoje e o amanhã não se sucedem, mas estão conectados em um círculo infinito. Tudo está conectado”.

Dark (2017). Criada por Baran bo Odar e Jantje Friese. Dirigida por Baran bo Odar. No elenco: Oliver Masucci, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel, Louis Hofmann, Maja Schöne, Stephan Kampwirth, Daan Lennard Liebrenz, Andreas Pietschmann, Deborah Kaufmann, Peter Schneider e Mark Waschke. Alemanha. Duração por episódio: 60 minutos. 10 episódios todos disponíveis na Netflix.

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The Sinner (2017) – 1ª Temporada

The Sinner (2017) – 1ª Temporada

A série é baseada no livro de Petra Hammesfahr, que conta a história de uma mulher que, em um dia de sol com seu filho e marido, tem um surto e mata um desconhecido, que estava com sua namorada ouvindo uma música (Big Black Delta – Huggin & Kissin) enquanto a beijava. Com golpes de faca de forma repetitiva e brutal, o jovem Frankie (Eric Todd) é assassinado na frente de várias famílias que também estavam na beira daquele lago. Porque Cora (Jessica Biel) atacou aquele desconhecido daquela forma? Porque aquela música a incomodou tanto levando a cometer o crime? A ideia de que alguém pode matar outra pessoa sem nenhum motivo é a trama central de The Sinner.

Não posso deixar de enfatizar que Jessica Biel no papel da jovem mãe problemática com um passado sombrio foi quase sem falhas. É visível que a atriz realmente se envolveu com a produção e foi consumida pela personagem. Foi capaz de transmitir sentimentos e emoções de forma complexa e realista. Aliás, todo o elenco merece destaque. Bill Pullman, que interpreta o investigador Harry Ambrose, está sensacional. Ao mesmo tempo em que tenta descobrir o que levou Cora a cometer o crime – não posso falar o motivo real do interesse de Harry nisso, pois, na minha opinião é o que leva The Sinner a uma segunda temporada – ele tenta salvar o casamento e fugir de seus estranhos desejos sexuais masoquistas. Ótima atuação, por sinal, da atriz Meredith Holzman no papel de Sharon, a parceira sexual do investigador.

O relacionamento entre as irmãs Cora e Phoebe (Nadia Alexander) tem um tom bem temperamental e sinistro. Realmente choca. Quando adultas, as irmãs protagonizam uma cena com a imagem de Cristo que realmente me deixou um pouco incomodado. Mas, esse era o objetivo. Tudo isso faz parte das memórias de Cora que vão te ajudar (ou pelo menos tentar) a montar um quebra-cabeças de 100 mil peças. Você acaba entrando pouco a pouco na trama e percebendo que nem todos os seus tiros acertam o alvo.

“Todos sabem que ela fez isso. Mas, ninguém sabe o motivo”. A série conseguiu manter isso até o sétimo episódio. No último, definitivamente vieram todas as respostas. As pistas que nos jogaram ao longo do caminho pelo comportamento inexplicável de Cora (se ela foi sexualmente molestada pelo pai ou a educação religiosa rigorosa e cruel de sua mãe) podem ou não ser um castelo de areia destruído por uma onda na beira do mar. Algumas declarações de Cora também podem se tornar mentiras ou, mesmo quando ela tenta lembrar o que realmente aconteceu, suas memórias acabam sendo pouco confiáveis com uma mistura de sonhos e acontecimentos reais.

Realmente somos colocados em uma atmosfera tensa e claustrofóbica que transforma a série em um thriller fechado e emocionante. Mergulhamos nos cantos mais obscuros da mente humana, como por exemplo, o pecado de Cora para o prazer da irmã, uma menina cheia de impulsos sexuais, que arrasta desejos sujos se impondo como centro das atenções levando o espectador a situações realmente desconfortáveis.

The Sinner é um thriller misterioso que me fez entrar na trama de forma comprometida até o último episódio. Dividida em oito partes, a trama conseguiu ficar um passo à frente a todo momento e terminou de forma surpreendente.

The Sinner (2017) | Primeira Temporada. Dirigido por Antonio Campos, Tucker Gates, Brad Anderson, Cherien Dabis e Jody Lee Lipes. Criador: Derek Simonds. No elenco: Jessica Biel, Bill Pullman, Christopher Abbott, Jacob Pitts, Meredith Holzman, Nadia Alexander e Eric Todd. EUA. Duração por episódio: 60 minutos. Disponível na NETFLIX.

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Stranger Things 2 (2017)

Stranger Things 2 (2017)

A segunda temporada de Stranger Things não superou a primeira, mas foi ótima. Uma das poucas vezes onde ser previsível torna-se um elogio, afinal os criadores sabem como contar uma boa história, reconhecendo que para isso é indispensável a presença de personagens fortes. Perceba que, em uma série com essa qualidade indiscutível, quando você conhece bem os personagens, pode prever como vão agir. Quando algumas situações ficam interessantes por você se sentir como parte dela, sua mente torna reais os personagens. Stranger Things tem esse poder e está destinado a se tornar um grande clássico. O único (pequeno) problema foi que alguns episódios caminharam de forma arrastada, mas não tirou o brilho da nova temporada.

A Netflix aperfeiçoou a arte de produzir séries. A segunda temporada começa muito bem e responde muitas perguntas sem respostas da primeira temporada. O roteiro é ótimo na maioria dos episódios. As criaturas (monstros) são maiores, mais assustadoras e mais poderosas. Como na temporada passada, os novos episódios continuam na mesma linha, porém com um novo estilo, mais amadurecido. Aumentar o orçamento ajudou e o resultado foi evidente. Os efeitos visuais melhoraram e permitiram uma complexidade e riqueza que não foi possível no passado. A atmosfera dos anos 80 continua sensacional. Além das ótimas referências a filmes (como Ghostbusters de 1984), temos uma trilha sonora riquíssima. Utilizaram quase tudo que existiu de melhor na época (Bon Jovi, Sting e Metallica), além do que foi produzido por Kyle Dixon e Michael Stein.

Nesta temporada, entramos na mente de Eleven (Millie Bobby Brown) constantemente para saber o que aconteceu com ela após o final da primeira temporada. Em determinado momento, descobrimos sobre a mãe de Eleven e o nome real da personagem: Jane. Também somos apresentados a sua irmã, conhecida como Roman (Linnea Berthelsen). O pequeno Will (Noah Schnapp) é vigiado o tempo inteiro por sua mãe Joyce (Winona Ryder) e seu irmão Jonathan (Charlie Heaton). Mas, Will ainda sofre com suas visões do Mundo Invertido. Mike (Finn Wolfhard), seu melhor amigo, carrega a dor de não encontrar Eleven, mesmo sentindo sua presença cada vez mais forte. Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) conhecem a garota californiana Max (Sadie Sink) e começam uma disputa por sua atenção. São chamados por ela de perseguidores. Max foi uma surpresa, junto com seu irmão Billy (Dacre Montgomery, o Ranger Vermelho) que chegaram a Hawkins chamando a atenção de todos.

Alguns personagens ganharam mais destaque na sequência. É o caso de Nancy (Natalia Dyer), Steve (Joe Keery) e Jonathan. Mas, os insuperáveis David Harbour e Winona Ryder espalharam seu brilho por quase todos os episódios como Jim Hopper e Joyce Byers, respectivamente. Nos presentearam ainda com a atuação hilária e importantíssima de Sean Astin como o Super Bob Newby, namorado de Joyce. Outra grande surpresa foi a presença de Brett Gelman como o jornalista Murray Bauman (pena que em somente 4 episódios) e Paul Reiser como Dr. Owens.

Logo no primeiro episódio somos apresentados a todos os personagens da segunda temporada. Aproximadamente um ano depois, uma garota com poderes psíquicos com o número 008 marcado no braço, faz parte de uma quadrilha criminosa em Pittsburgh. Em Hawkins, Will, Mike, Dustin e Lucas conhecem uma nova garota, Max, que percebe o interesse de Dustin e Lucas, enquanto seu irmão mais velho, Billy, torna-se “o cara” na escola, contrariando Steve. Mike e Nancy ainda sofrem com a perda de Eleven e Barb, respectivamente. Will sofre com as visões de uma enorme criatura com tentáculos. Hopper é procurado pelo jornalista Murray Bauman que tenta provar suas teorias. Em seguida, Joyce e Hopper levam Will para ser visto no laboratório pelo novo cientista, o Dr. Owens. Mais tarde, Hopper vai para uma casa na floresta, onde mora com Eleven, que ainda está viva. Assim, resumimos os fatos mais importantes do primeiro episódio.

Não posso deixar de comentar o quinto episódio: Dig Dug, conhecido arcade que neste episódio é usado para aproximar Lucas de Max. Mas, dessa vez as crianças não foram a atração principal. Enquanto Hopper decidiu encarar os túneis desenhados por Will, Sean Astin (como Bob) se destacou de forma magnífica tentando desvendar o misterioso mapa (lembrou Os Goonies, 1985). Nesse momento, a participação de Sean se torna indispensável e ganha a total confiança do espectador. O diretor Andrew Stanton acerta nesse ponto. As crianças são inteligentes, mas não podem estar no controle de tudo. Ficaria forçado demais e limitar isso foi importante. Outro momento memorável é a interação entre Nancy, Jonathan e Murray com a Teoria de Conspiração. Brett Gelman simplesmente sensacional nos entregando um dos momentos mais hilários, leves e inteligentes da série. O final do episódio tem uma pequena referência a Colheita Maldita (1984, Stephen King) com Will deitado no chão em uma cena realmente assustadora.

Finn Wolfhard, que definitivamente se transformou no principal astro infantil da série, mostrou maturidade na atuação. Ainda tão jovem conseguiu impressionar realmente. Noah Schnapp teve uma participação maior e sublime. Gaten Matarazzo e Joe Keery fizeram uma ótima e inesperada dupla (que deve ser mantida futuramente). Resumindo, Stranger Things 2 ofereceu momentos maravilhosos e provou mais uma vez ser uma série com espírito e emoção, permitindo que seus personagens cresçam enquanto a história se expande. Perguntas não respondidas e alguns episódios arrastados não prejudicaram a série que foi bem produzida criando uma experiência divertida e cativante.

Stranger Things 2 (2017). Produção original Netflix. Dirigido por Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy, Andrew Stanton e Rebecca Thomas. No elenco: Winona Ryder, David Harbour, Paul Reiser, Sean Astin, Brett Gelman, Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard, Noah Schnapp, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Joe Keery, Sadie Sink e Dacre Montgomery. EUA. Duração por episódio: 55 minutos.

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Game of Thrones – 7ª Temporada (Crítica)

Game of Thrones – 7ª Temporada (Crítica)

O Lobo é Dragão

A sétima temporada de Game of Thrones, antes mesmo de nos brindar com seu primeiro episódio, já tinha nas costas o peso de um grande combate: “A Batalha dos Bastardos”. Rickon Stark foi morto por Ramsey Bolton, em uma cena tensa e cruel, que levou Jon Snow ao confronto direto com o exército inimigo. Sem dúvida, inesquecível. Os roteiristas de Game of Thrones tinham agora uma difícil tarefa, com três episódios a menos, levar aos fãs episódios tão emocionantes quanto “A Batalha dos Bastardos”.

No episódio ‘Dragonstone’, Arya Stark nos leva ao local onde ocorreu o massacre mais covarde da série, onde Robb e Catelyn Stark foram assassinados. Como a mestre dos disfarces, Arya se passa por Walder Frey, e acaba de uma vez por todas com os servos e aliados daquele reino sujo, covarde e cruel. Nesse momento, Arya nos passa confiança. Acreditamos que ela tem habilidade para eliminar cada um presente em sua lista (não esqueça, Cersei é um dos nomes).

O exército de mortos-vivos está cada vez mais forte, criaturas poderosas estão marchando em direção a muralha, com gigantes. A partir desse momento, o maior desafio em Game of Thrones será unir os reinos para derrotar o Rei da Noite. Os roteiristas conseguem transparecer isso muito bem durante toda a 7ª temporada. Tudo fica pequeno e sem valor diante do terror que se aproxima. The Winter is Coming…

Ainda não é o momento de analisar a série de um modo geral, pois, ainda teremos em 2019 o desfecho da obra de George R. R. Martin. Não posso deixar de elogiar David Benioff e D.B. Weiss por nos trazer os personagens e seus conflitos de forma atraente e fiel. Especialmente as mulheres, que nesta temporada foram devidamente respeitadas. Sansa, Arya, Cersei e Daenerys protagonizaram momentos inesquecíveis e grandiosos. Os homens acabaram por se tornar coadjuvantes. Veja abaixo, um breve resumo.

Após a vingança do Casamento Vermelho em que Arya Stark foi o destaque, tivemos a Rainha Daenerys de volta para casa na Pedra do Dragão em Westeros. Euron Greyjoy, talvez o vilão mais cruel da temporada que não convenceu ninguém, tem sua sobrinha Yara como prisioneira além do tesouro prometido para Cersei Lannister. Tivemos também o esperado reencontro de Arya com Nymeria deixando claro que as duas mudaram (e o Fantasma?). Em seguida, Cersei teve a honra da vingança, envenenando a filha de Ellaria Sand obrigando-a a vê-la morrer lentamente, da mesma forma como as Serpentes da Areia haviam matado Myrcela, filha de Cersei. Desde o início da série esperávamos pelo encontro entre Danenerys e Jon Snow. Como também uma aliança dos reinos contra a Rainha Cersei. E isso foi resolvido no final do penúltimo episódio com Jon ferido e oferecendo sua lealdade a Targaryen. Antes, soubemos que Lady Olenna, a Rainha dos Espinhos, envenenou Joffrey. Neste momento grandioso a personagem interpretada por Diana Rigg se despediu dos fãs.

Neste breve resumo não poderíamos esquecer de Jaime Lannister na incrível batalha em que Daenerys, Drogon e os Dothrakis destruíram seu exército e o reencontro dos irmãos Stark (acho que nós estávamos mais empolgados do que eles). Sem dúvida, grandes momentos da sétima temporada. Mas, o que se aproximou quase precisamente da obra de George R. R. Martin,  Crônica de Gelo e Fogo, foi a luta dos sete contra o exército de mortos-vivos. Onde o grupo, cercado pelo exército de caminhantes brancos, em uma pequena ilha em um lago congelado, foram salvos pelos dragões de Daenerys. Foi a primeira vez, e de forma espetacular, que vimos justiça ao nome da saga. Nesse momento também houve o equilíbrio dos exércitos. Os White Walkers agora têm um dragão.

Ficou claro o objetivo dos roteiristas em fechar o ciclo, todos os arcos, na penúltima temporada. Organizar a casa. Tudo isso para nos preparar à grande batalha que ocorrerá na última temporada. Todos os habitantes de Westeros deveriam saber sobre a existência dos White Walkers. Os episódios, agora reduzidos, acabaram atrapalhando o roteiro nos trazendo de forma inexplicável alguns desfechos apresentados de forma sucinta. Por exemplo, o exército de imaculados de Daenerys Targaryen que saltaram de Rochedo Casterly para Porto Real como mágica. Porém, nos acontecimentos mais esperados, a série se mostrou imponente agradando os fãs na dose certa, mostrando que Game of Thrones é sensacional e surpreendente. O encontro dos irmãos Cersei e Tyrion foi a prova disso.

As qualidades de Ned Stark afloraram em Jon, Sansa e Arya. Divididas nas três formas: honra, política e coragem. O diálogo esperado entre Theon e O Rei do Norte também foi especial. Vários momentos neste último episódio tornaram-se decisivos e importantes para finalizar a saga. A trama envolvendo Lorde Baelish, Sansa, Arya e Bran junto aos aliados, por exemplo, nos manipulou de uma forma inédita na série. O grande manipulador Midinho, dessa vez foi a vítima. Um show à parte. Mas, foi o diálogo entre Bran e Sam que nos revelou o grande segredo: Jon Snow, na verdade, se chama Aegon Targaryen, filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, legítimo herdeiro do Trono. O Lobo é Dragão.

Terminamos enfim com um cenário grandioso na Muralha. Somado a uma trilha sonora impressionante, o Dragão de Gelo nos traz a certeza de que nada será fácil a partir de agora e fortes emoções estão reservadas.

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