Jogador Nº 1 (2018)

Por Nagib Salha

O novo blockbuster de Steven Spielberg uniu perfeitamente mundo real e animação em uma aventura incrível. Jogador Nº 1 é simplesmente emocionante. O equilíbrio entre a realidade e a computação gráfica foi espantoso, principalmente em relação ao peso emocional. Uma explosão de imagens em uma aventura fantástica.

A história se passa em 2045, na cidade de Columbus (Ohio). Em todo o planeta, as pessoas desperdiçam o máximo de seu tempo livre em OASIS, um mundo virtual onde você assume qualquer personalidade com características bem interessantes. Dentro deste universo online você pode ser o Robocop, Hello Kitty ou até mesmo o Batman. Mas, tudo tem um custo dentro do game e é necessário vencer desafios para conquistar moedas. Armas, veículos e personagens são como DLCs (conteúdos extras) e podem ser conquistados ou encontrados de diversas formas. Porém, o item mais importante de todos ainda não foi encontrado: o Easter Egg.

O gênio Halliday (Mark Rylance), faleceu deixando para os usuários um último desafio: conseguir encontrar e resolver uma série de enigmas/pistas entre várias missões dentro do universo online. Aquele que conseguir encontrar o Easter Egg, herdará toda sua fortuna e terá em suas mãos o controle total de OASIS. A segunda maior empresa nesse universo, chamada IOI e dirigida por Nolan Sorrento contrata então pessoas ligadas a cultura pop, geeks, para decifrar as pistas deixadas por Anorak (Halliday em OASIS). Wade Watts (Tye Sheridan), o Parzival em OASIS, busca as pistas ao lado de Aech, Art3mis, Daito e Sho. No primeiro desafio, os jogadores precisam vencer uma corrida com um circuito bem ameaçador. Entre os desafios temos um T-Rex e o King Kong, porém o truque para vencer a corrida é ainda mais surpreendente.

Os personagens são ótimos. Pude ver em Parzival (Tye Sheridan) e Aech (Lena Waithe) uma ligação real da mesma forma como acontece nos jogos online. Art3mis (Olivia Cooke) tem um propósito mais interessante e isso lhe leva a buscar ser sempre melhor no jogo. Daito (Win Morisaki) e Sho (Philip Zhao) são alguns dos adversários dos protagonistas até certo tempo. Todos têm seus momentos em tela, mas o melhor mesmo é quando os jogadores se revelam no mundo real. Surpreendentes, engraçados e funcionam perfeitamente bem juntos.

O grande vilão do longa é Sorrento (Ben Mendelsohn), que acaba exibindo seu ego inflado quando surge em OASIS como um homem grande e forte em um terno impecável. Não posso deixar de lado o seu grande parceiro online i-R0k (T.J. Miller). Essa dupla é realmente brilhante com participações hilárias e pertinentes durante toda história. Mark Rylance rouba todas as cenas em que aparece. Criador de OASIS, ele é uma figura triste, alguém que jamais poderia lidar com a realidade com tanta tranquilidade e desenvoltura como faz no mundo virtual que criou.

A paixão de Parzival por Art3mis se torna mais interessante quando vimos os atores em cena, e ao retornar para o mundo das “pilhas” e da desigualdade, tudo fica ainda melhor. As referências, principalmente aos anos 80, são ótima atrações que engrandece a trama de forma colossal. Dos anos 30 aos tempos atuais com Overwatch, passando pelo tradicional Atari, Spielberg e a equipe de roteiristas Zak Penn e Ernest Cline nos presentearam com ótimas surpresas em meio a uma diversão sem limite. Outros personagens também desempenham papéis importantes na trama. Simon Pegg tem uma participação bem especial nisso tudo, por exemplo.

Em um filme repleto de nostalgia, talvez o caminho mais fácil seja para o os primeiros usuários de computadores pessoais (PC) ou até mesmo os fãs de RPG e jogadores online nos tradicionais MMORPG (como Warcraft, por exemplo). Mas, se você é apenas um fã dos grandes sucessos do cinema, também vai se emocionar com o filme.

Referências realmente ricas a John Hughes, Curtindo a Vida Adoidado e Buckaroo Banzai. O carro de Parzival é um DeLorean do clássico De Volta para o Futuro. Em meio a trama temos uma homenagem e ao clássico de terror O Iluminado (Stanley Kubrick, 1980), que é provavelmente uma das partes mais engraçadas de todo o filme. A trilha sonora vem mergulhada em canções dos anos 80, com Van Halen, A-ha e Duran Duran. Os maiores clássicos da Sessão da Tarde estão muito bem representados neste que vem a ser o renascimento de Steven Spielberg ao gênero que o projetou e lhe rendeu uma verdadeira legião de fãs.

A partir de 1974 com o sucesso Tubarão, Spielberg nos presenteou com vários filmes de aventura inesquecíveis: Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), Caçadores da Arca Perdida (1981), E.T. – O Extraterrestre (1982) e Jurassic Park (1993). Ele retorna, provando que ainda possui o mesmo toque mágico, conectando-se a todas as gerações. Jogador Nº 1 é um filme para ver e rever.

Jogador Nº 1 (2018) – Título original: Ready Player One. Dirigido por Steven Spielberg. No elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Mark Rylance, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, T.J. Miller, Simon Pegg, Philip Zhao, Win Morisaki e Hannah John-Kamen. EUA. Duração de 140 minutos.