O Homem das Cavernas (2018)

Por Nagib Salha

Nick Park já havia nos mostrado suas incríveis criações anteriormente juntamente com a Aardman Animations. Entre os maiores sucessos estão Wallace & Gromit e o delicioso Shaun, o Carneiro – O Filme de 2015. Entretanto, o mais memorável de todos, principalmente no Brasil, é A Fuga das Galinhas (2000). Suas criações em stop-motion se tornam atraentes por serem bastante consistentes e divertidas. O novo longa O Homem das Cavernas não é diferente disso.

Um grande meteoro cai no planeta criando uma imensa cratera destruindo florestas e animais. Em meio a essa tragédia, uma tribo sobrevive de forma tranquila e feliz como Caçadores de Coelhos. Porém, toda essa felicidade é interrompida com a chegada de uma outra civilização da era do bronze. Intrusos comandados por Lorde Nooth (Tom Hiddleston) que pretende transformar o local em uma mina para extrair bronze e alimentar sua riqueza.

É a primeira vez que Nick Park trabalha como diretor em um longa. No centro do filme temos Dug (Eddie Redmayne/Marco Luque), cuja bondade e honestidade acaba por colocá-lo quase sempre em situações bastante ridículas. Tanto ele, quanto seus amigos vivem na cratera causada pelo impacto do meteoro. Ali cresceu uma vasta floresta com o solo enriquecido pelo bronze. Dug está entre os mais inteligentes de sua tribo, que é liderada pelo Chefe Bobnar (Timothy Spall) e tem como fiel companheiro um porco chamado Hognob.

A tribo de Dug é exilada para um local sombrio e ameaçador, com a presença de patos selvagens gigantes, condições climáticas horríveis e escassez de coelhos. Seu novo lar tem uma paisagem cruel, mas funciona bem como campo de treino. Como assim? É que para a tribo recuperar seu antigo lar, será necessário derrotar a equipe campeã de futebol do Lorde Nooth. Gostinho brasileiro com futebol inglês.

As tribos guerreiras devem resolver suas diferenças em campo. Neste momento, O Homem das Cavernas torna-se uma comédia divertida. A equipe de humildes caçadores precisa superar de qualquer jeito uma seleção de craques que é, em todos os sentidos, bem superior. O que pode dar vantagem aos nossos destemidos heróis é o trabalho em equipe. O melhor jogador, aliás, jogadora é Goona (Maisie Williams) e realmente faz a diferença dentro e fora dos gramados.

Foi fácil perceber que a trama demonstra um certo tipo de nostalgia em relação aos valores primordiais do esporte. Hoje tudo é movido a dinheiro, poder e fama. Existe uma crítica clara sobre isso, onde as estrelas podem ser derrotadas por equipes entrosadas, sem um destaque galáctico, por exemplo. A mensagem dos autores é de que as coisas eram melhores nos velhos tempos. Só depois de assistir ao filme pude notar que o uniforme da equipe de Dug remete a seleção da Inglaterra na Copa de 1966.

O Homem das Cavernas é um filme para toda a família, apesar de lançar algumas críticas aos novos tempos – a maioria delas de forma sucinta sendo relevante apenas para um adulto. Nick Park ficou mais preocupado em referências a trabalhos anteriores do que em inovar e atrair um novo público. Agradável e divertido, mas nem um pouco empolgante.

O Homem das Cavernas (2018) – Título original: Early Man. Dirigido por Nick Park. No elenco: Eddie Redmayne, Tom Hiddleston, Maisie Williams, Timothy Spall, Richard Ayoade, Mark Williams e Miriam Margolyes. EUA/Reino Unido/França. Duração de 89 minutos.