Os Incríveis 2 (2018)

Os Incríveis 2 (2018)

Por Nagib Salha

Até a chegada da família mais incrível no cinema, Hollywood dava seus primeiros passos em uma nova era dos super-heróis com X-men (2000), Homem-Aranha (2002), Hulk (2003) e Hellboy (2004). Os Incríveis (2004) surge sem um passado e, consequentemente, sem a popularidade dos grandes personagens dos quadrinhos. Mesmo com essa desvantagem, Brad Bird, ainda nos levou a imaginar como seria a política mundial em torno da presença dos heróis no planeta, que estavam proibindo os heróis de serem… heróis.

Estamos em uma época bem diferente daquela e os filmes de super-heróis estão simplesmente irreconhecíveis comparados a 2004. Tudo aconteceu rápido como o Flecha, e o gênero tornou-se uma verdadeira máquina de dinheiro. Por isso, imaginar um mundo sem a família Pêra é praticamente impossível. Mais uma vez, Brad Bird soube adaptar-se aos novos tempos.

O filme começa exatamente como terminou o primeiro, a família Pêra deve enfrentar O Escavador (John Ratzenberger). Esse combate acaba aumentando a desconfiança da população com os heróis devido a destruição causada em toda a cidade. Com os danos causados pela ação dos heróis, o governo decide que eles não valem o custo de limpar (consertar) tudo depois. Além disso, nenhum deles é novidade e muito menos são ovacionados pelos fracos e oprimidos.

Porém, há esperança para os heróis. Um rico empresário chamado Winston (Bob Odenkirk) e sua irmã NERD Evelyn (Catherine Keener) desejam reintegrar os super-heróis a sociedade de forma bem positiva. Diante de algumas estatísticas, Helena Pêra (Holly Hunter) a Mulher Elástica é escolhida entre todos como a grande representante para agir sozinha, sem cometer falhas ou desastres, e assim conquistar a confiança da população novamente. Consequentemente, Roberto Pêra (Craig T. Nelson) o Sr. Incrível, deve cuidar de seus filhos e das atividades do lar. Em meio as ações da Mulher Elástica, surge um novo vilão: O Hipnotizador. Com o mundo inteiro agora em perigo, o retorno dos heróis torna-se iminente.

Em grande parte, assistimos a Mulher Elástica tentando salvar o mundo e o Sr. Incrível tentando salvar sua família. As duas tramas caminham quase que por conta própria e chegam mais forte ao destino final quando Brad Bird os une novamente. Flecha (Huck Milner), Violeta (Sarah Vowell) e principalmente Zezé (Eli Fucile) estão tão incríveis quanto seus pais. Assistir Roberto enfrentando talvez o maior desafio de sua vida foi simplesmente sensacional. Seja tentando ajudar o Flecha com o dever de matemática ou encorajando sua filha Violeta a falar com sua paixão Toninho (Michael Bird), Roberto transmite emoção de forma heroica no que deveria ser apenas uma rotina familiar normal.

Durante o filme, eu percebi dois easter eggs (referências). Uma delas se refere a sala de aula onde alguns dos fundadores da Pixar estudaram: A113. Quando Violeta vai ao cinema, o filme em cartaz é Dementia A113. O nome do filme também é uma referência a Dementia 13 de Francis Ford Coppola. O outro foi no programa de TV que distrai Zezé: A Quinta Dimensão. No início, o programa dos anos 60 (mesma época do filme Dementia 13) falava na possível hipnose através das TVs (o vilão do filme é O Hipnotizador, e Zezé viaja entre dimensões).

Com a divertida rotina familiar e uma aventura eletrizante (sem exageros) do combate ao crime, Os Incríveis 2 conseguiu ser melhor que vários filmes live-action da Marvel e DC nos cinemas. Brad Bird entregou um filme quase completo e surpreendente. Apesar de algumas falhas diante das inúmeras possibilidades (principalmente relacionadas ao Zezé), tudo foi conduzido além do limite, correndo riscos.

Sabe o que torna Os Incríveis 2 tão bom? Quando o filme tenta nos mostrar que os heróis nos deixam preguiçosos, talvez não tenha a intenção de nos levar a enfrentar nossos problemas sem depender de superpoderes. Pode ter sido em relação ao que buscamos, consumimos ou produzimos. Sem dúvida, o filme tem muito a oferecer – e atinge com um verdadeiro soco no nariz aqueles que dizem que o gênero está por um fio.

Os Incríveis 2 (2018) – Título original: Incredibles 2. Escrito e dirigido por Brad Bird. No elenco (voz): Craig T. Nelson, Holly Hunter, Sarah Vowell, Huck Milner, Catherine Keener, Eli Fucile, Bob Odenkirk, Samuel L. Jackson, Isabella Rossellini e Jonathan Banks. EUA. Duração de 118 minutos.

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Suits | Homens de Terno (2011-2018)

Suits | Homens de Terno (2011-2018)

Por Nagib Salha

A série Homens de Terno (SUITS), exibida pela NETFLIX, se passa em Nova Iorque e mostra as ações de advogados associados implacáveis da Pearson Specter (Litt). O elenco é simplesmente brilhante e a trama envolve temas atuais com diálogos inteligentes, oportunos e brilhantemente divertidos. Todos os personagens são apresentados de forma muito sólida em seu primeiro episódio de uma hora, abrindo facilmente o caminho para linhas opostas a um drama criminal. Pois, essa é a ideia central. Ao se envolverem em grandes casos – quase sempre com empresários de grandes corporações – paralelamente e com mais destaque, assistimos os conflitos pessoais entre os associados, da mesma forma como acontece em uma grande família.

Elenco principal

Homens de Terno é um verdadeiro show. O escritório de advocacia, gerenciado por Jessica Pearson (Gina Torres), tem ao fundo imagens do centro de Nova Iorque – com tomadas aéreas fantásticas e enquadramentos belíssimos – e três grandes advogados: Harvey Specter (Gabriel Macht), Louis Litt (Rick Hoffman) e Mike Ross (Patrick J. Adams). O mais interessante é que a série não direciona suas lentes apenas para os três protagonistas masculinos. A brilhante secretária de Harvey, Donna (Sara Rafferty), e a advogada Rachel (Meghan Markel, agora Duquesa de Sussex) também valorizam cada episódio de Suits.

Mike Ross (ótima interpretação de Patrick J. Adams) é um jovem extremamente brilhante. Possui memória fotográfica e isso o fez conseguir excelentes notas, passando em qualquer exame. Essas qualidades o levou a ser aceito pela Universidade de Harvard, masa felicidade durou pouco. Pois, ao vender uma prova para uma jovem estudante, Mike acabou se dando muito mal. A garota era filha do diretor, que acabou por descobrir tudo e expulsou o jovem promissor. Apesar de tudo, Harvey Specter e Donna apostaram em Mike Ross. Como ele se tornou advogado da maior empresa de advocacia de Nova Iorque? Isso você vai descobrir sozinho.

Louis Litt (Rick Hoffman, sensacional) é um maluco brilhante com características únicas e bastante peculiares. O grande alívio cômico da série pode ser considerado a sobremesa de cada um dos episódios. Sua participação é sempre uma grande atração, com oscilações entre humor, drama e emoção. Você vai torcer por Louis na maioria dos episódios, mesmo quando estiver decepcionado por algumas de suas atitudes egoístas.

Louis Litt (Rick Hoffman)

Ninguém é mais icônico que Harvey Specter, o diamante bruto de Jessica Pearson. Um homem com dupla personalidade, mas longe de ser “duas caras”. Ao mesmo tempo em que se mostra insensível, egoísta, violento, prepotente e egocêntrico; nos apresenta características opostas reais da sua verdadeira personalidade, como a lealdade, sinceridade, amizade, autoestima, segurança, poder de persuasão e caráter indiscutível (as vezes não). Como isso é possível? Este é o Harvey. Acima de tudo e ao lado de todos. Você vai entender.

Aaron Korsh e Sean Jablonski nos entregam a cada episódio tramas inteligentes, brilhantes, rápidas, sem nenhum clichê, atrevidas e emocionantes que ajuda a definir as características complexas de cada um dos personagens em um ritmo magnífico. Com cinematografia riquíssima de escolhas certeiras, a nossa atenção se volta para cada detalhe como complemento de cada passo da história, pois a criatividade dos roteiristas (realmente notável) acaba tornando-se dependente do cenário e da atuação.

Os textos não são difíceis e muito menos cansativos. O sarcasmo está presente na maioria dos diálogos e quase sempre com referências a filmes e séries da cultura pop ou grandes clássicos de Hollywood. A singularidade e complexidade de cada um dos personagens é o ponto mais alto da série, o que deixa o espectador distante do apego a um deles, apenas. Você pode adorar a perspicácia de Donna e, ao mesmo tempo, o humanismo de Mike, a autoestima de Harvey e as maluquices de Louis. Como também, apenas se deliciar com os ternos caríssimos, os cortes de cabelos de milhares de dólares e os vestidos deslumbrantes no corpo perfeito de Jessica Pearson. Para cada bolsa seu determinado peso. Tudo bem distribuído e prazeroso.

Homens de Terno é uma série imperdível. Um brilhante e sofisticado show de criatividade. Viciante, repleto de drama, justiça, romance e comédia que tornam cada novo episódio tão interessante quanto o anterior. Recomendo.

Homens de Terno (2011-2018) – Título original: Suits. Criado por Aaron Korsh. No elenco: Gabriel Macht, Patrick J. Adams, Rick Hoffman, Meghan Markle (Duquesa de Sussex), Gina Torres e Sarah Rafferty. EUA. Duração de 44 minutos por episódio. A série está disponível na Netflix com 108 episódios até agora.

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Um Lugar Silencioso (2018)

Um Lugar Silencioso (2018)

Por Nagib Salha

Para sobreviver, você deverá se adaptar. Um Lugar Silencioso, dirigido por John Krasinski (também protagonista), é um dos filmes de terror mais tensos que já tive o prazer em assistir. Participamos da trama, longe de ser um mero espectador. Todos os elementos necessários estão ali e isso nos torna parte de tudo, de forma bem ativa, em uma viagem assustadora e emocionante.

Nos primeiros minutos somos apresentados a família Abbott e iremos sofrer com eles até o último instante. Evelyn e Lee (Emily Blunt e John Krasinski, que são casados também na vida real) são os pais de Regan, Marcus e Beau (Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward respectivamente). Regan, a filha mais velha do casal, é surda (também na vida real) e nos leva a imaginar as dificuldades iminentes dado à deficiência. Regan precisa sobreviver em um lugar silencioso, sem saber (em determinados momentos) se está causando algum tipo de ruído.

Estamos em um planeta devastado. A família caminha com cuidado pelos corredores de um mercado abandonado, praticamente na ponta dos pés. Estão todos em busca de suprimentos. O pequeno Marcus precisa de medicamento, que acaba sendo encontrado pela sua mãe. Entre as prateleiras, Beau desenha no chão um foguete e diz que essa é a única forma de todos sobreviverem, sendo levados da Terra para um outro lugar. A comunicação é toda em linguagem de sinais, com muito cuidado, para não emitir qualquer tipo de som.

Assim, o roteiro (excelente) escrito por Krasinski, Scott Beck e Bryan Woods, já nos mostra sem enrolação que o som se tornou algo muito perigoso. Mesmo assim, para deixar bem claro isso, tudo fica mais intenso na próxima cena quando o pequeno Beau, contrariando os pais, resolve brincar com uma miniatura de um ônibus espacial no caminho para casa.

Um ano depois, a família continua a sobreviver com sofrimento e em perigo constante. Evelyn está gravida e se prepara de todas as formas para a chegada do bebê. Imagine isso agora: um recém-nascido em um mundo sem barulho. Enquanto isso, Lee continua sua busca por contato, usando Código Morse e um fone de ouvidos navegando em frequências de rádio. As terríveis criaturas matam ao ouvir o menor ruído e Lee busca constantemente uma forma de vencer essa batalha, enquanto, ao mesmo tempo, tenta desenvolver um aparelho auditivo para sua filha, Regan.

Um Lugar Silencioso é interessante devido a forma como faz o espectador participar da trama nesse jogo silencioso. Quando vimos um quadro na parede, por exemplo, pensamos “tire isso daí, pois ele pode cair”. Um prego exposto em uma escada nos faz imaginar durante todo o tempo que se alguém pisar ali, não será apenas um acidente comum. Contar uma história de forma tão tensa e inteligente, aumentando a tensão a cada passo, sem usar diálogos sonoros, acabou me atraindo de forma inesperada e prazerosa. John Krasinski nos entregou uma ótima narrativa, bem equilibrada, dividindo momentos de terror com cenas emocionantes. Uma linguagem rica visualmente com uma natureza aterrorizante. As expressões de Emily Blunt e Millicent Simmonds impressionam.

Sou fã de ficção científica e talvez por isso senti falta de saber realmente como tudo isso teve início (uma sequência ou um prelúdio talvez). A participação de Michael Bay (sim, ele está presente) na produção, pode nos levar a este destino, acredito eu. Porém, que passe distante do que foi a tentativa de explicar tudo na saga Cloverfield. Um Lugar Silencioso irá destruir seus nervos, porém de uma maneira recompensadora, com um dos melhores finais de todos os tempos neste gênero.

Todas as expectativas foram correspondidas e excedidas de várias formas. Bastante original e interessante, e isso te mantém no limite. Você quer saber mais de uma história onde nem todas as perguntas são respondidas. A ambição de John Krasinski nos trouxe algo novo, sólido e divertido. Assista!

Um Lugar Silencioso (2018) – Título original: A Quiet Place. Escrito e dirigido por John Krasinski. No elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe, Cade Woodward e Leon Russom. EUA. Duração de 90 minutos.

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Jogador Nº 1 (2018)

Jogador Nº 1 (2018)

Por Nagib Salha

O novo blockbuster de Steven Spielberg uniu perfeitamente mundo real e animação em uma aventura incrível. Jogador Nº 1 é simplesmente emocionante. O equilíbrio entre a realidade e a computação gráfica foi espantoso, principalmente em relação ao peso emocional. Uma explosão de imagens em uma aventura fantástica.

A história se passa em 2045, na cidade de Columbus (Ohio). Em todo o planeta, as pessoas desperdiçam o máximo de seu tempo livre em OASIS, um mundo virtual onde você assume qualquer personalidade com características bem interessantes. Dentro deste universo online você pode ser o Robocop, Hello Kitty ou até mesmo o Batman. Mas, tudo tem um custo dentro do game e é necessário vencer desafios para conquistar moedas. Armas, veículos e personagens são como DLCs (conteúdos extras) e podem ser conquistados ou encontrados de diversas formas. Porém, o item mais importante de todos ainda não foi encontrado: o Easter Egg.

O gênio Halliday (Mark Rylance), faleceu deixando para os usuários um último desafio: conseguir encontrar e resolver uma série de enigmas/pistas entre várias missões dentro do universo online. Aquele que conseguir encontrar o Easter Egg, herdará toda sua fortuna e terá em suas mãos o controle total de OASIS. A segunda maior empresa nesse universo, chamada IOI e dirigida por Nolan Sorrento contrata então pessoas ligadas a cultura pop, geeks, para decifrar as pistas deixadas por Anorak (Halliday em OASIS). Wade Watts (Tye Sheridan), o Parzival em OASIS, busca as pistas ao lado de Aech, Art3mis, Daito e Sho. No primeiro desafio, os jogadores precisam vencer uma corrida com um circuito bem ameaçador. Entre os desafios temos um T-Rex e o King Kong, porém o truque para vencer a corrida é ainda mais surpreendente.

Os personagens são ótimos. Pude ver em Parzival (Tye Sheridan) e Aech (Lena Waithe) uma ligação real da mesma forma como acontece nos jogos online. Art3mis (Olivia Cooke) tem um propósito mais interessante e isso lhe leva a buscar ser sempre melhor no jogo. Daito (Win Morisaki) e Sho (Philip Zhao) são alguns dos adversários dos protagonistas até certo tempo. Todos têm seus momentos em tela, mas o melhor mesmo é quando os jogadores se revelam no mundo real. Surpreendentes, engraçados e funcionam perfeitamente bem juntos.

O grande vilão do longa é Sorrento (Ben Mendelsohn), que acaba exibindo seu ego inflado quando surge em OASIS como um homem grande e forte em um terno impecável. Não posso deixar de lado o seu grande parceiro online i-R0k (T.J. Miller). Essa dupla é realmente brilhante com participações hilárias e pertinentes durante toda história. Mark Rylance rouba todas as cenas em que aparece. Criador de OASIS, ele é uma figura triste, alguém que jamais poderia lidar com a realidade com tanta tranquilidade e desenvoltura como faz no mundo virtual que criou.

A paixão de Parzival por Art3mis se torna mais interessante quando vimos os atores em cena, e ao retornar para o mundo das “pilhas” e da desigualdade, tudo fica ainda melhor. As referências, principalmente aos anos 80, são ótima atrações que engrandece a trama de forma colossal. Dos anos 30 aos tempos atuais com Overwatch, passando pelo tradicional Atari, Spielberg e a equipe de roteiristas Zak Penn e Ernest Cline nos presentearam com ótimas surpresas em meio a uma diversão sem limite. Outros personagens também desempenham papéis importantes na trama. Simon Pegg tem uma participação bem especial nisso tudo, por exemplo.

Em um filme repleto de nostalgia, talvez o caminho mais fácil seja para o os primeiros usuários de computadores pessoais (PC) ou até mesmo os fãs de RPG e jogadores online nos tradicionais MMORPG (como Warcraft, por exemplo). Mas, se você é apenas um fã dos grandes sucessos do cinema, também vai se emocionar com o filme.

Referências realmente ricas a John Hughes, Curtindo a Vida Adoidado e Buckaroo Banzai. O carro de Parzival é um DeLorean do clássico De Volta para o Futuro. Em meio a trama temos uma homenagem e ao clássico de terror O Iluminado (Stanley Kubrick, 1980), que é provavelmente uma das partes mais engraçadas de todo o filme. A trilha sonora vem mergulhada em canções dos anos 80, com Van Halen, A-ha e Duran Duran. Os maiores clássicos da Sessão da Tarde estão muito bem representados neste que vem a ser o renascimento de Steven Spielberg ao gênero que o projetou e lhe rendeu uma verdadeira legião de fãs.

A partir de 1974 com o sucesso Tubarão, Spielberg nos presenteou com vários filmes de aventura inesquecíveis: Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), Caçadores da Arca Perdida (1981), E.T. – O Extraterrestre (1982) e Jurassic Park (1993). Ele retorna, provando que ainda possui o mesmo toque mágico, conectando-se a todas as gerações. Jogador Nº 1 é um filme para ver e rever.

Jogador Nº 1 (2018) – Título original: Ready Player One. Dirigido por Steven Spielberg. No elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Mark Rylance, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, T.J. Miller, Simon Pegg, Philip Zhao, Win Morisaki e Hannah John-Kamen. EUA. Duração de 140 minutos.

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Pantera Negra (2018)

Pantera Negra (2018)

Por Nagib Salha

O filme combina política, esperança, orgulho, beleza e aventura. Pantera Negra deve mudar bastante a forma de se fazer filmes de heróis. Ficou claro que muito do que foi visto neste filme, será destaque também no esperado Vingadores: Guerra Infinita.

Tudo começa com o Pantera Negra retornando à Wakanda em uma nave com tecnologia superior aos mais caros brinquedos da S.H.I.E.L.D., porém esqueceram de finalizar o CGI. Aquela nave de pequeno porte inicia sua entrada no espaço aéreo de Wakanda atravessando uma camada holográfica (isso te lembra alguma coisa?). O país é altamente superior ao mundo em tecnologia e tudo isso está muito bem escondido, pois a visão que o resto do planeta tem é de uma nação do terceiro mundo (com fazendeiros e agricultores). Entretanto, por trás disso, existe um local bem diferente. Quando T’Challa (Chadwick Boseman) diz “não me canso disso”, tudo se abre e tecnologias que desafiam a física aparecem em cena.

O Pantera Negra deve triunfar sobre a nação em sua tentativa de trazer harmonia ao Reino de Wakanda, mas não faltarão inimigos com o objetivo de destruir as pretensões do novo Rei. Toda a trama gira em torno do Vibranium (você vai ouvir falar muito neste metal). A dupla de vilões Erik (Michael B. Jordan) e Ulysses (Andy Serkis) é fantástica, só que um deles tem um objetivo bem mais ambicioso e é neste ponto que o filme acerta de forma precisa e surpreendente. Michael B. Jordan e Andy Serkis me fizeram respirar aliviado.

Não me canso disso! Nem todo mundo pensa como o Rei de Wakanda ou os produtores da Marvel. Uso excessivo de CGI (e parece que esqueceram de finalizar), roteiro batido sobre as motivações e combates pessoais bastante previsíveis. Nessa levada louca de dezenas de filmes, a Marvel (MCU) apenas comprova que ainda quer seguir os mesmos passos para não perder seu público fiel. Mas, isso não é uma crítica negativa. Eu explico…

Ficou claro durante todo o filme que o diretor Ryan Coogler e sua ótima equipe lutaram constantemente contra esse universo de heróis já consolidado. Sem muitas referências as aventuras passadas (apenas a explosão do edifício que causou a morte do antigo Rei), a batalha nos bastidores foi intensa. Porém, eles precisavam atender as expectativas da Marvel/Disney, com resistência por uma limitada liberdade. Como você irá perceber isso? Veja a forma que Rachel Morrison (cinematografia) nos apresenta Wakanda ou até mesmo o figurino de Ruth E. Carter como toda sua beleza e exuberância. Simplesmente sensacional.

O elenco foi também um grande destaque dessa produção. As mulheres estão fabulosas e têm extrema importância durante toda história, o que me deixou bastante empolgado. Porém, Michael B. Jordan levou parte do filme nas costas. A Marvel acerta em mais um ótimo vilão. Killmonger merecia muito mais tempo na tela do que lhe foi dado.

Pantera Negra demorou muito para surgir nos cinemas. Criado por Stan Lee (que teve mais uma ótima participação no filme) e Jack Kirby na década de 60 (no auge do movimento dos direitos civis), este personagem teve uma ótima apresentação em Capitão América: Guerra Civil, agradou aos fãs. Na minha opinião, T’Challa a partir de agora será gigante para os Vingadores e possivelmente com as mesmas características (um pouco melhorada) de Tony Stark. Vamos aguardar os acontecimentos em Guerra Infinita.

Ryan Coogler escreveu e dirigiu o filme de forma surpreendente. Nos entregou o melhor filme da Marvel até agora. A fórmula mágica de sucesso estava se tornando cansativa para os que sentem fome do novo. Pantera Negra tentou mudar isso e por este único motivo me conquistou. Enquanto o antigo Rei de Wakanda alertava seu filho sobre o quanto é difícil ser Rei, o diretor Ryan Coogler sentia isso na pele, por buscar esta inovação.

Pantera Negra (2018) – Título original: Black Panther. Dirigido por Ryan Coogler. No elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Letitia Wright, Winston Duke, Angela Bassett, Forest Whitaker e Andy Serkis. EUA. Duração de 134 minutos.

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