Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (2018)

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (2018)

Por Nagib Salha

Desde 2001, com o sucesso Harry Potter e a Pedra Filosofal, primeira adaptação do universo mágico criado pela escritora J. K. Rowling, o grande público vem crescendo (em idade e quantidade) junto aos personagens desta saga incrível e as novas histórias vem mantendo sua trama para este público especificamente. A sequência de Animais Fantásticos consegue ser tão fantástica quanto a primeira.

Todo o elenco principal retorna em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, em meio aos novos e interessantes personagens introduzidos na trama. Newt Scamander (Eddie Redmayne) apresenta seu irmão, Theseus Scamander (Callum Turner) que tem um relacionamento com Leta Lestrange (Zoe Kravitz), que foi uma admiradora de Newt nos tempos da escola (temos quase um triangulo amoroso por aqui). Johnny Depp é Grindelwald, que inicia sua caça ao órfão Credene Barebone (interpretado mais uma vez por Ezra Miller) após uma fuga incrível no início da trama.

A cenas que envolvem magia estão simplesmente espetaculares nesta sequência, o diretor David Yates é sem dúvida o melhor nome para a adaptação. Dirigiu quatro dos sete filmes da saga de Harry Potter e provavelmente dirigirá todos os filmes de Newt Scamander. Sua habilidade e experiência, ganham destaque nas mãos de Stuart Craig (Diretor de Arte), permitindo que toda a magia de J. K. Rowling se torne realidade.

A trama começa com Grindelwald em uma incrível fuga. O bruxo, anteriormente interpretado por Colin Farrell disfarçado, estava sendo levado a Europa para pagar por seus crimes. Três meses se passam e, em Londres, Newt é informado por seu irmão, Theseus, que Grindelwald está ganhando força e muitos seguidores, então o convoca a participar do movimento político contra as ideias do bruxo foragido. Porém, Newt resolve não tomar partido. Enquanto os grupos se formam, o mestre de Hogwarts, Alvo Dumbledore (brilhantemente interpretado por Jude Law), surge para pedir uma ajuda especial a Newt. Este resolve ajuda-lo, mesmo contra sua vontade e, para tal, impõe ao amigo trouxa Jacob (Dan Fogler) que o siga neste desafio.

O mundo mágico se tornou muito maior em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, repleto de novos personagens, revelações e visitas ao passado. Um jovem ator chamado Joshua Shea me deixou encantado com sua interpretação de Newt Scamander nos tempos da escola da magia. Essas visitas ao passado foram, sem dúvida, os momentos mais emocionantes da trama. Principalmente quando, ao fundo, ouvíamos o belíssimo tema da saga de Harry Potter entre a vista do castelo, as instalações e todo o clima mágico que fez tanto sucesso no passado.

Newt continua sendo um dos heróis mais interessantes do cinema. A participação de Depp foi e será importantíssima para os novos filmes que virão. O relacionamento do seu personagem com Dumbledore continua uma incógnita. Os Crimes de Grindelwald é uma aventura intrigante com revelações emocionantes, em uma história grandiosa que nos transmite a sensação de que esse mundo mágico é realmente fantástico. Os personagens e as incríveis criaturas trouxeram de volta a magia aos cinemas.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (2018) – Título original: Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald. Dirigido por David Yates. No elenco: Eddie Redmayne, Dan Fogler, Jude Law, Johnny Depp, Ezra Miller, Callum Turner, Zoë Kravitz, Katherine Waterston e Alison Sudol. EUA. Duração de 134 minutos.

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Crônicas de Natal (2018)

Crônicas de Natal (2018)

Por Nagib Salha

Kurt Russell acabou de se tornar o melhor Papai Noel de todos os tempos. O ator se diverte o tempo inteiro em uma das mais interessantes interpretações de sua carreira. Os mitos e tradições relacionados a figura mais importante do Natal são encaradas com muito humor pelo personagem e transformam Crônicas de Natal em um filme obrigatório para toda a família.

“Ho-Ho-Ho!” não faz parte das frases de Noel e muito menos a imagem daquele velhinho gordinho nos anúncios de refrigerante (isso o deixa irritado). Sempre encarando com bom humor as dúvidas e críticas, o personagem de Kurt Russel torna-se tão importante que você certamente vai ficar irritado quando ele não estiver em cena. É notável também a referência introduzida pelo diretor Clay Kaytis (Angry Birds: O Filme de 2016) aos grandes clássicos de aventura dos anos 80, principalmente a longas dirigidos por Chris Columbus (produtor deste longa), dando prioridade ao ritmo acelerado e diversão familiar.

Justamente na véspera do Natal, Claire (Kimberly Williams-Paisley), mãe de Kate (Darby Camp) e Teddy (Judah Lewis), não poderá ficar em casa pois fora chamada para trabalhar no hospital (ela é enfermeira), deixando então seus filhos sozinhos em casa no feriado. Teddy tem comportamentos suspeitos e após ser flagrado por Kate, resolve ajudar a irmã a tentar filmar e provar a existência de Papai Noel. A missão acaba dando certo, mas embrulha em papel vermelho um terrível presente de Natal: a destruição do trenó, a fuga das renas, o sumiço do saco de presentes e gorro “mágico” de Noel.

Tudo isso pode causar uma grande tragédia, o Espírito do Natal não pode acabar. Se isso ocorrer, irá desencadear uma sequência de crimes e desordens por todo o planeta. O que vem a seguir é uma noite de aventuras por muitas cidades, quando Kate e Teddy se juntam a Papai Noel, em um bocado de acontecimentos mágicos e muito divertidos para tentar salvar o feriado.

Clay Kaytis nos leva a sequências fantásticas e jamais vistas em filmes do gênero, enriquecidas com ótimos efeitos visuais, que incluem viagens no trenó alucinantes, perseguições em um Dodge Challenger, magias (Noel entrando nas chaminés ou tirando presentes de seu casaco, por exemplo), embate com criminosos (que termina de forma hilária), mensagens bastantes educativas e uma performance de Kurt Russel na prisão simplesmente inesquecível, digna de ser vista inúmeras vezes.

Apesar de tudo, você vai se perguntar sobre alguns estranhos acontecimentos. Exemplo: o saco cai em uma árvore e só aparece alguém para pegá-lo quando Teddy finalmente o encontra? Claire passa a véspera de Natal no hospital e não liga uma única vez para saber como estão seus filhos? Mas, não deixe essas coisas tão pequenas atrapalhar a magia de Crônicas de Natal. As crianças certamente nem irão notar.

Temos aqui um filme realmente encantador com a atmosfera necessária de sentimentos natalinos que o torna agradável para todas as idades. A Netflix acertou! Fez um golaço com o Papai Noel mais legal e subversivo do cinema.

Crônicas de Natal (2018) – Título original: The Christmas Chronicles. Dirigido por Clay Kaytis. No elenco: Kurt Russell, Judah Lewis, Darby Camp, Kimberly Williams-Paisley, Oliver Hudson, Martin Roach, Lamorne Morris e Goldie Hawn. EUA. Duração de 104 minutos. Disponível na NETFLIX.

 

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O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos (2018)

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos (2018)

Por Nagib Salha

Com um visual realmente deslumbrante, O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos é forte concorrente a três estatuetas do Oscar, no mínimo. Além dos figurinos e cenários mágicos de Natal, temos uma das mais belas fotografias já vistas em uma produção da Disney.

Um outro espetáculo interessante, foi o balé apresentado por Misty Copeland, principal dançarina na American Ballet Theatre. Totalmente fiel a composição de Tchaikovsky. A figurinista Jenny Beavan unindo-se a Guy Hendrix Dyas (Design de Produção) foram os grandes responsáveis pelos momentos mais belos da produção.

A produção nos apresenta uma visão de Natal em uma Londres na era vitoriana, onde Clara (Mackenzie Foy, fantástica), está de luto pela morte de sua mãe. Na véspera de Natal, ela recebe um curioso ovo de prata como último presente da falecida. Porém, há uma fechadura no objeto e Clara não tem a chave. Seu padrinho (Morgan Freeman), acaba guiando a jovem para um reino mágico de brinquedos em busca desta chave. Neste reino, todos os brinquedos estão “vivos” e a consideram uma Rainha.

Keira Knightley é a Fada Açucarada (ou Doce) e comanda a Terra dos Doces. Helen Mirren está ótima como a Mãe Ginger. Entre as duas há uma terrível rivalidade e nossa querida Clara deverá intervir e estabelecer a paz entre os Quatro Reinos. Todos os aspectos do filme pareciam buscar constantemente o equilíbrio. Talvez isso tenha atrapalhado um pouco a trama escrita por Ashleigh Powell. É fácil de perceber que tudo merecia uma explicação e que fatos distintos não deveriam existir, tudo deveria funcionar como um jogo de dominó sem peças sobrando. Talvez por isso, o filme tenha se tornado tão previsível inclusive em sua única reviravolta.

Keira Knightley, Helen Mirren e Mackenzie Foy merecem os destaques em relação ao elenco. Knightley, foi fundamental, de forma satisfatória. Os créditos da direção divididos entre Lasse Hallström e Joe Johnston só comprovam que as refilmagens foram bastante significativas e, ao que parece, mudaram o tom do filme em diversos aspectos, trazendo inclusive um certo desconforto em determinados momentos.

O roteiro teve falhas que não mereciam fazer parte de um filme da Disney. Não vale muito citá-los por conter spoilers. Mas, serão claramente percebidos pelo espectador adulto. O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos é um filme infantil, entretanto, prepare-se para explicar alguns possíveis questionamentos aos seus filhos (por exemplo: “por que a mãe não gostava tanto dos outros filhos?”).

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos (2018) – Título original: The Nutcracker and the Four Realms. Dirigido por Lasse Hallström e Joe Johnston. No elenco: Mackenzie Foy, Matthew Macfadyen, Morgan Freeman, Helen Mirren, Keira Knightley, Omid Djalili, Eugenio Derbez e Jayden Fowora-Knight. EUA. Duração de 99 minutos.

 

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Buscando… (2018)

Buscando… (2018)

Por Nagib Salha

Sem dúvidas, Buscando… é um dos melhores suspenses exibidos nos cinemas em 2018. Um Hitchcock moderno, surpreendente e emocionante. Aneesh Chaganty consegue transmitir tensão e emoção o tempo inteiro em uma narrativa recheada de reviravoltas.

O filme inicia de forma nostálgica e interessante. Utilizando o ultrapassado (e saudoso) Windows XP, somos levados para uma viagem virtual com a família Kim: David (John Cho), Pamela (Sara Sohn) e a filha do casal, Margot (Micehlle La). 15 anos se passam rapidamente na abertura, com fatos relevantes na tela juntos ao sentimento de orgulho do pai David deslizando o cursor entre fotos, vídeos e compromissos no calendário. Acompanhamos os primeiros momentos da pequena Margot, navegando por uma agradável e simples melodia de seus primeiros passos no piano.

Diante desse movimento, chegamos até o momento trágico da família, quando Pamela é diagnosticada com um Linfoma. Descobrimos tudo isso através de cliques em pastas e arquivos. Os elementos utilizados na trama realmente me conquistaram. A forma como se desenrola através de movimentos inteligentes dentro de uma história com aquele sentimento real entre o relacionamento familiar (pai e filha).

A dedicação de David o faz controlar os passos de sua filha através de um aplicativo de chamadas de voz e vídeo. Certa noite, Margot tenta se comunicar com David sem sucesso e, somente no dia seguinte, ele percebe as chamadas perdidas. Sem sucesso ao retornar as ligações, David nota algumas situações inusitadas, como por exemplo, o lixo que não foi colocado para fora de casa por Margot e o notebook que foi esquecido em casa. Iniciando sua busca por respostas, David descobre também que Margot vinha faltando as aulas de piano. Desesperado, ele entra em contato com a polícia.

A detetive Vick (Debra Messing), foi selecionada para o caso. Ela inicia o trabalho rapidamente e, com o passar do tempo, começa a acreditar em duas hipóteses: sequestro e homicídio. A partir deste momento, David resolver arregaçar as mangas e iniciar sua busca. Ele navega por redes sociais e e-mails, descobrindo muito mais do que imaginava, inclusive que sua filha era uma garota solitária e nada popular. Diante dos fatos vistos na nuvem, ele passa também a duvidar do caráter e honestidade de Margot.

Assistir como a vida familiar pode desmoronar após um acontecimento trágico ou mesmo perceber que o que imaginamos sobre nossos filhos não é exatamente o que aparenta, são algumas das lições apresentadas neste longa muito bem escrito e executado por Aneesh Chaganty. A forma como o diretor mostra a reação de oportunistas buscando fama com a tragédia de alguém, até aquele momento desconhecido, também esbanja realidade (o desaparecimento viraliza no Twitter, criando uma hashtag #FindMargot revelando a hipocrisia em todos aqueles que antes nem percebiam a existência de Margot).

O mais impressionante disso tudo é que, até que o corpo venha a ser encontrado, vivo ou morto, o suspense é indestrutível. As revelações causam emoção e tensão na dose certa, deixando todos na expectativa de que tudo pode mudar até o último momento. Buscando… é o mistério que eu estava “buscando” já faz um bom tempo.

Buscando… (2018) – Título original: Searching. Escrito e dirigido por Aneesh Chaganty. No elenco: John Cho, Sara Sohn, Michelle La, Joseph Lee, Debra Messing e Megan Liu. EUA. Duração de 102 minutos.

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Venom (2018)

Venom (2018)

Por Nagib Salha

Vamos começar esta crítica de uma forma um pouco diferente. Venom é um filme ruim. Você ficará sentado durante todo filme esperando que um dos maiores vilões da Marvel realmente dê as caras. Ele até aparece algumas vezes, mas nunca como o Venom que os fãs dos quadrinhos realmente conhecem ou gostariam de vê-lo.

Visualmente sensacional, este é o único ponto positivo. O personagem central parece nunca ser o destaque até os míseros minutos finais do longa. Tom Hardy parecia certo para o papel, mas me fez mudar de ideia quando começou a se comportar como um idiota bêbado desde o primeiro contato com o alienígena (simbiose). A atriz “não tenho nada a ver com isso” Michelle Williams terá que conviver por um bom tempo com a lembrança de ter passado pela mesma situação de Natalie Portman em Thor (2011). Espero que não cometa o erro de voltar em uma impossível sequência.

Passamos o tempo inteiro pensando: Venom é um herói ou um vilão? Alguns podem ter visto esta sinuca de bico como algo positivo. Entretanto, em minha humilde opinião, isso foi péssimo. Venom teria que ser destruidor, sem dor, sem piedade. Eddie Brock (Tom Hardy) é uma pessoa ruim e suas atitudes quando unidas ao simbionte deveria ser multiplicada. Porém, qual o sentido de um vilão sem ter aquele grande herói para salvar os fracos e oprimidos?

Um pouco antes de Tom Hardy se unir ao parasita, que entra na Terra após um desastre em uma operação espacial, conhecemos o interessante repórter investigativo Eddie Brock e sua adorável namorada Anne Weying (Michelle Williams). Eddie foi obrigado pelo seu chefe a entrevistar o vilão do filme, Carlton Drake (Riz Ahmed, mal aproveitado). Tudo dá errado! A sede por justiça leva o repórter a perder o emprego e sua namorada.

Drake é um bilionário e suas experiências estão o consumindo. Cobaias humanos são mortos como ratos em laboratório para testar suas teorias. Porém, uma funcionária resolveu traí-lo e levou Eddie até o prédio para olhar de perto as crueldades realizadas por seu chefe. Neste momento, o repórter torna-se o hospedeiro perfeito para o parasita do espaço.

A história se torna uma comédia de horror sem limites. Seria ótimo se o propósito fosse esse. Mas, com uma trama mais perdida que cego em troca de tiros, você não consegue ter um relacionamento razoável com o roteiro. Tentando levantar a moral adicionando terror e um temperamento sombrio, Venom toca sanfona para bêbados, com uma performance alcoolizada de Tom Hardy e um parasita alienígena tentando dançar baião ao ritmo de xote.

Riz Ahmed é um vilão decepcionante. Apesar de alguns bons momentos de Michelle Williams, ela não tem o que fazer ali. Pega a grana, compra umas roupas e esquece que fez parte deste elenco. Venom é disparado o pior filme de personagens da Marvel de todos os tempos. Porém, não deixe de ir ao cinema. Assista e tire suas próprias conclusões. Esquadrão Suicida (2016) é uma obra-prima diante deste pesadelo esquecível.

Venom (2018) – Título original: Venom. Dirigido por Ruben Fleischer. No elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Scott Haze, Reid Scott, Jenny Slate, Melora Walters, Woody Harrelson, Peggy Lu e Sope Aluko. EUA. Duração de 112 minutos. Temos duas cenas pós-créditos.

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O Predador (2018)

O Predador (2018)

Por Nagib Salha

Mais de 30 anos se passaram desde o grande sucesso de bilheteria, O Predador (1987), estrelado pelo ícone de filmes de ação Arnold Schwarzenegger. O longa não agradou a crítica, mas conquistou o público tornando-se um clássico. O Predador misturava dois gêneros que faziam sucesso na época, guerra e ficção científica.

O método do diretor John McTiernan era bastante usado naquele tempo, onde a criatura deveria aparecer o mínimo possível fazendo com que o público nem imaginasse quem era aquele assassino brutal. Deu certo! Até a metade do filme não fazíamos ideia de quem estava aniquilando aquele esquadrão altamente treinado e comandado por Schwarzenegger. O filme estourou ganhando uma legião de fãs, servindo de base para outros lançamentos. Agora, o diretor Shane Black resolveu esquecer um pouco o passado (nem tanto) e deixar sua marca na mais nova aventura do monstro.

Shane Black atualizou a franquia como deveria ser feito. Seus métodos são bem concretos, nos fazendo perceber com facilidade traços de Beijos e Tiros (2005) e Homem de Ferro 3 (2013) dentro de seu novo longa, principalmente em relação a sensibilidade e humor. Sempre o considerei um ótimo roteirista e um diretor limitado, mas quando lhe é entregue um filme fácil, ele se sai muito bem. Acredite, tudo o que você precisa em um filme de ação, vai encontrar em O Predador.

Quinn McKenna (Boyd Holbrook) é um sniper das forças armadas americana que entrou em confronto com o alienígena em uma missão que dizimou toda sua equipe. Para ter uma prova de tudo que aconteceu, ele enviou alguns equipamentos da criatura para sua caixa postal. Mas, por falta de pagamento, tudo é entregue em sua residência e acaba caindo nas graças de seu filho, Rory (Jacob Tremblay). “A curiosidade matou o gato”. O garoto resolve abrir a caixa destinada a seu pai ausente e acaba enviando uma mensagem de localização para os monstros do espaço. Enquanto isso, a Dra. Casey Bracket (Olivia Munn) é chamada para examinar um dos monstros aprisionados por um laboratório secreto do Governo. A curiosidade de Rory, desperta a criatura e uma matança acontece no local. Mas, a doutora escapa, e persegue o Predador.

A situação acaba envolvendo Quinn nesta perseguição, pois ele acaba descobrindo que a criatura está a caminho de sua casa e, mais precisamente, em busca de seu filho. Temos um Predador maior, mais brutal e bem mais bonito que o anterior (isso mesmo). Para salvar seu filho, Quinn McKenna acaba se unindo a uma equipe muito interessante de combatentes: Nebraska (Trevante Rhodes), Lynch (Alfie Allen, da série Game of Thrones), Baxley (Thomas Jane, sensacional), Coyle (Keegan-Michael Key) e Nettles (Augusto Aguilera); além da cientista Casey Bracket.

Vamos aos destaques. Como já havia dito anteriormente, esse foi um filme fácil para Shane Black. A interação entre a equipe foi o ponto alto, com humor sem exageros e ótima piadas. Vimos esse comportamento em Maquina Mortífera entre Riggs e Murtaugh, a dupla central eternizada por Mel Gibson e Danny Glover. A sensibilidade (laços) mais uma vez se destaca em meio as explosões, tiros e perseguições. O vilão do filme, interpretado muito bem por Sterling K. Brown, é outro ponto alto da produção; e Olivia Munn finalmente apareceu, recebendo atenção devida ao seu talento, diversas vezes desperdiçada em outras produções (como X-Men: Apocalipse, por exemplo). Você vai perceber também que a equipe de Som (de modo geral) trabalhou bem melhor que a equipe de efeitos visuais.

Temos aqui um bom filme de ação, comédia e ficção científica (com efeitos visuais razoáveis) graças a sensibilidade de Shane Black, que merece a maior fatia dos créditos positivos. O Predador é brutal e divertido ao mesmo tempo. Imperdível!

O Predador (2018) – Título original: The Predator. Dirigido por Shane Black. No elenco: Boyd Holbrook, Jacob Tremblay, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Alfie Allen, Trevante Rhodes, Keegan-Michael Key, Augusto Aguilera e Yvonne Strahovski. EUA/Canadá. Duração de 107 minutos.

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Alfa (2018)

Alfa (2018)

Por Nagib Salha

O diretor Albert Hughes conseguiu realizar um trabalho incrível do que seria o primeiro registro de amizade entre o homem e o cão (no caso, um lobo). Martin Gschlacht foi o responsável por uma das mais belas paisagens (fotografia) vistas no cinema, em meio a uma trama empolgante e emocionante.

A aventura se passa há 20.000 anos. Alfa nos leva a uma caçada que termina de forma quase trágica. Após isso, entramos em uma aventura única de um jovem caçador e um lobo, ambos feridos, aprendendo a conviverem para se alimentar e encontrar o caminho de volta para casa. Uma trama para toda família, sobre sobrevivência e amizade, com uma técnica moderna (semelhante aos trabalhos do diretor Zack Snyder), envolvente e ótimos efeitos visuais.

Keda (Kodi Smit-McPhee), é o jovem caçador filho do chefe da tribo (Tau, interpretado por Johannes Haukur Johannesson) e provável sucessor do pai. Após sofrer o ataque de uma espécie de Bisonte, Keda cai de um penhasco. Inconsciente e longe demais para ser resgatado, ele é considerado morto pelos caçadores. Mesmo contra a vontade do líder, todos devem seguir viagem de volta, deixando para trás o jovem ferido.

A partir deste momento, entendemos o real significado da frase dita pela mãe de Keda: “ele conduz com o coração e não com a lança”. O jovem não é frágil, como aparenta nos flashbacks apresentados no início, e prova isso durante sua incrível jornada. Após uma batalha contra os lobos, Keda acaba ferindo um deles. Com um tempo, ao invés de mata-lo após os outros se afastarem, ele resolve cuidar do animal, para que sobreviva.

Alguns bons momentos criados no roteiro de Daniele Sebastian Wiedenhaupt tentaram aproximar o relacionamento para uma possível realidade. Como quando Keda amarra o focinho de Alfa para que possa ajuda-lo com a ferida e não ser mordido pelo animal. Para impor liderança, o jovem caçador caça uma lebre e na insistência do lobo em comer o animal, Keda ordena com expressão de raiva e autoridade para que Alfa espere sua vez para se alimentar. Primeiro o dono, depois o cão (?). Outra situação próxima do natural, mostra o lobo instintivamente levando os animais para serem abatidos por Keda. Uma caça cooperativa como ocorre com cães treinados. A diferença é que, na situação apresentada, mais parece que o cão está ensinado o seu dono a caçar.

Estamos diante de um filme clássico de aventura, que não correu muitos riscos. Com visual deslumbrante apresentado em uma trama bem agradável sobre sobrevivência, amizade e lealdade. Diversão para toda a família.

Alfa (2018) – Título original: Alpha. Dirigido por Albert Hughes. No elenco: Kodi Smit-McPhee, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Morgan Freeman (narrador), Natassia Malthe, Leonor Varela, Mercedes de la Zerda, Jens Hultén, Priya Rajaratnam e Spencer Bogaert. EUA. Duração de 96 minutos.

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Sierra Burgess é uma Loser (2018)

Sierra Burgess é uma Loser (2018)

Por Nagib Salha.

A Netflix entrega mais uma comédia high school sólida com bons momentos e boas atuações. Uma mistura bem clara entre A Garota de Rosa Shocking (1986) e sua principal inspiração, o clássico Cyrano de Bergerac. O filme é estrelado por Shannon Purser da série Stranger Things.

Vamos lembrar um pouco de Cyrano de Bergerac, um romântico, que lutava contra o preconceito, covardia e o machismo. Ele se apaixonou por Roxane, uma linda garota, inteligente, mas com defeitos comuns encontrados em inúmeros adolescentes. Um jovem amigo de Bergerac, chamado Cristiano, também se apaixona por Roxane, mas ele não tem o dom da palavra para conquistar uma garota. Cyrano, diante da sua insegurança com as mulheres (e por ser bastante feio) resolve ajudar seu amigo a conquistar Roxane, a mulher que ama, através das palavras.

As semelhanças com o clássico francês no roteiro de Lindsey Beer são propositais. Isso não é um ato falho, muito pelo contrário, foi o que deixou o filme mais interessante. Uma versão moderna da comédia estrelada por Steve Martin e Daryl Hanna, Roxanne em 1987, para o público adolescente que já vinha embalado com A Barraca do Beijo, Set It Up e Para Todos os Garotos que Já Amei.

Sierra é aquela garota legal, mas fora dos padrões de beleza convencionais (para muitos). Seus pais são bem-sucedidos, o que atrapalha um pouco em relação a sua escolha vocacional. O pensamento de ser sempre uma sombra dos pais a incomoda. Seu grande e inseparável amigo Dan (RJ Cyler) é talvez seu único conforto na vida social.

Sierra Burgess tinha uma inimiga na escola, Verônica (Kristine Froseth). A bela e popular garota não perdia uma oportunidade para tentar humilhar Sierra, porém, ela sempre tirava de letra (a cena no banheiro foi ótima). Quando um atleta da escola chamado Jamey (Noah Centineo) tenta dar em cima de Verônica, ela (sem nenhum interesse no rapaz) passa o número do telefone de Sierra. A partir daí a história se torna interessante. Jamey inicia uma conversa por mensagens com Sierra – que se passa por Verônica – e acaba se apaixonando pela garota e vice-versa.

Gostei muito da trilha sonora usando som de sintetizadores, que deu uma sensação bem nostálgica dos anos 80. Existe o mesmo em relação ao figurino usado pelo elenco. Para aumentar ainda mais tudo isso, colocaram Alan Ruck (Curtindo a Vida Adoidado) e Lea Thompson (De Volta para o Futuro) como os pais de Sierra. Sensacional.

A maior surpresa no longa foi a trama para Verônica, a garota popular tem uma vida bem próxima da realidade e a atriz Kristine Froseth caminhou muito bem nessa estrada cheia de espinhos. O roteiro ainda lhe entregou bons momentos, aumentando o carisma pela personagem. Para cada um deles, aliás, foi entregue uma redenção na trama, por isso achei sólido e inteligente. Uma opinião pessoal: a semelhança entre Kristine e a atriz Margot Robbie é impressionante.

Sierra Burgess é uma Loser é um filme engraçado com uma mensagem interessante, onde uma adolescente entra em confronto com suas próprias inseguranças. Pode está longe de ser perfeito, mas é uma comédia agradável para assistir em um dia chuvoso acompanhado por pipoca e guaraná.

Sierra Burgess é uma Loser (2018) – Título original: Sierra Burgess Is a Loser. Dirigido por: Ian Samuels. No elenco: Shannon Purser, Kristine Froseth, Noah Centineo, RJ Cyler, Lea Thompson e Alan Ruck. EUA. Duração de 105 minutos. Disponível na Netflix.

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Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (2018)

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (2018)

Por Nagib Salha.

Os famosos Jovens Titãs retornaram para provar que merecem um filme sobre eles. Nesta animação muito divertida da Warner e DC, os jovens heróis buscam o reconhecimento através de uma grande aventura para provar que não são apenas meros ajudantes.

Podemos dizer que Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é um Deadpool infantil. Porém, os adultos que gostam de sátiras com grandes heróis, também vão adorar a animação. Para quem não esqueceu o humor irônico do Cavaleiro das Trevas em Lego Batman: O Filme (2017), que fez uma sátira com seus próprios filmes e alguns dos seus grandes vilões (além da piada com o Homem de Ferro), prepare-se! Neste filme, as piadas (alfinetadas) são muito melhores.

Nos segundos iniciais, após vinheta dramática da DC Filmes (só que no formato da animação), temos logo em seguida uma quase vinheta da Marvel Studios, porém, com cenas dos Jovens Titãs em quadrinhos, entregando de forma clara ao fã de super-heróis o que esperar a partir dali.

Começamos a aventura com um balão gigante atacando a cidade. Tudo começa a dar errado quando o monstro inflável confunde os jovens heróis com a Liga da Justiça e após a primeira tentativa de provar o contrário, eles são confundidos agora com os Guardiões da Galáxia. Depois da batalha (supostamente vencida por eles), chega o momento da pré-estreia de mais um filme do Batman (Jimmy Kimmel). Robin (Scott Menville) não está no filme e fica mais decepcionado ainda ao saber que Alfred e o Batmóvel terão filmes solos e ele não.

Ravena (Tara Strong), Estelar (Hynden Walch), Ciborgue (Khary Payton) e Mutano (Greg Cipes) se unem para ajudar seu líder a conseguir um filme em Hollywood. Para isso, eles invadem os estúdios da Warner Bros (com direito a participação de Stan Lee). A diretora de cinema Jade Wilson (Kristen Bell) deixa claro que para conseguir um papel no cinema como grande herói, Robin deve ter um arqui-inimigo. É neste momento que entra o terrível vilão Slade (Will Arnett), confundido a todo momento com o Deadpool. Ele é o vilão perfeito para os Jovens Titãs, com sua habilidade de usar a manipulação da mente em efeitos de ilusão bastante conhecidos por nós, o público, porém desconhecidos pelos Titãs.

O objetivo de Slade (ou Exterminador) é dominar o mundo. Como ele vai fazer isso, faz parte da grande reviravolta do filme. Os Jovens Titãs fazem piadas durante quase toda a aventura e as canções foram encaixadas de forma certeira. Cada uma melhor que a outra e tão viciante quanto Tudo é Incrível tema da animação Uma Aventura Lego (2014). Foi muito interessante também, assistir aos heróis tentando mudar a história voltando no tempo para tirar de cena os atuais ícones da Liga da Justiça (com referências a De Volta Para o Futuro).

Há também uma ótima (e hilária) homenagem ao clássico O Rei Leão (1994) com os heróis nas situações mais absurdas, como o Flash comendo capim e a tropa de Lanternas Verdes saltando como gazelas.

Um ponto alto que merece ser destacado foi o cuidado da produção em respeitar o público menor de idade com mensagens sobre amizade e honestidade. A recompensa virá se você fizer do jeito certo. Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é simplesmente divertido. Completamente fiel a série de TV, com as ótimas piadas sobre esse incrível universo de heróis, entretanto, riquíssimo em novidades.

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (2018) – Título original: Teen Titans Go! To the Movies. Dirigido por Aaron Horvath e Peter Rida Michail. No elenco de dublagem: Scott Menville, Tara Strong, Khary Payton, Greg Cipes, Hynden Walch, Will Arnett, Kristen Bell, Michael Bolton, Nicolas Cage, Halsey e Stan Lee. EUA. Duração de 84 minutos.

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Te Peguei! (2018)

Te Peguei! (2018)

Por Nagib Salha

Não estamos brincando! O filme do diretor Jeff Tomsic é inspirado em uma história real de pega-pega. A frase “não paramos de brincar porque envelhecemos, nos tornamos velhos porque paramos de brincar”, dita várias vezes durante o filme, é a chave desta comédia estrelada por Jeremy Renner, Jon Hamm e Ed Helms. Diversão interessante, mas com humor (as vezes) forçado e um pouco de nostalgia.

Após 30 anos, desde que os amigos Hoagie (Ed Helms), Bob Callahan (Jon Hamm), Fumaça (Hannibal Buress), Randy (Jake Johnson) e Jerry (Jeremy Renner) iniciaram o pega-pega (com regras específicas), um dos integrantes está com casamento marcado. O mais estranho disso é que os amigos de infância não foram convidados. De qualquer forma, a brincadeira não pode parar; e Hoagie tem um plano infalível para finalmente pegar o intocável Jerry (o noivo).

O início do filme já nos mostra claramente o tom da comédia. Mesmo que forçada por parte das atrizes Isla Fisher e Leslie Bibb, temos bons momentos quando a trama envolve a amizade incrível entre os personagens. As cenas que envolvem as fugas de Jerry têm o mesmo estilo de Sherlock Holmes (2009, filme com Robert Downey Jr), prevendo as investidas de seus amigos, traçando assim uma forma de escapar dos ataques e continuar invicto no pega-pega. Renner está ótimo em todas as cenas (se quer escapar, brinque como adulto).

A mensagem vista no início do longa se perde durante o resto do filme. Sim, você não consegue acreditar que aquilo realmente aconteceu (e vem acontecendo). Mas, foi em 2013 que um grande jornal publicou essa brincadeira entre adultos em sua capa. As ações hilárias do grupo na brincadeira agendada são mostradas nos créditos finais.

O diretor Jeff Tomsic fez um ótimo trabalho com os personagens, em todos os detalhes, principalmente quando se trata do carisma. Te faz gostar de todos eles. Apesar da brincadeira, as vezes com truques bem sujos, existe o sentimento real da amizade. Jeff também acerta nas sequências que são baseadas na brincadeira real, com uma diversão inofensiva entre o grupo de amigos que cresceu, mas nunca se separou e nunca envelheceu.

O elenco de Te Peguei é ótimo, gosto de praticamente todos eles. Mas, os papeis femininos não agradaram. Não sou muito fã do humor exagerado, com cortes rápidos. A química entre os homens é inegavelmente o ponto alto do longa. A trama foi bem desenvolvida, se analisarmos o desafio para transformar um simples pega-pega em algo bem interessante e muito divertido.

Te Peguei! (2018) – Título original: Tag. Dirigido por Jeff Tomsic. No elenco: Ed Helms, Jon Hamm, Jeremy Renner, Jake Johnson, Hannibal Buress, Isla Fisher, Annabelle Wallis e Leslie Bibb. EUA. Duração de 100 minutos.

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