Game of Thrones – 7ª Temporada (Crítica)

Game of Thrones – 7ª Temporada (Crítica)

O Lobo é Dragão

A sétima temporada de Game of Thrones, antes mesmo de nos brindar com seu primeiro episódio, já tinha nas costas o peso de um grande combate: “A Batalha dos Bastardos”. Rickon Stark foi morto por Ramsey Bolton, em uma cena tensa e cruel, que levou Jon Snow ao confronto direto com o exército inimigo. Sem dúvida, inesquecível. Os roteiristas de Game of Thrones tinham agora uma difícil tarefa, com três episódios a menos, levar aos fãs episódios tão emocionantes quanto “A Batalha dos Bastardos”.

No episódio ‘Dragonstone’, Arya Stark nos leva ao local onde ocorreu o massacre mais covarde da série, onde Robb e Catelyn Stark foram assassinados. Como a mestre dos disfarces, Arya se passa por Walder Frey, e acaba de uma vez por todas com os servos e aliados daquele reino sujo, covarde e cruel. Nesse momento, Arya nos passa confiança. Acreditamos que ela tem habilidade para eliminar cada um presente em sua lista (não esqueça, Cersei é um dos nomes).

O exército de mortos-vivos está cada vez mais forte, criaturas poderosas estão marchando em direção a muralha, com gigantes. A partir desse momento, o maior desafio em Game of Thrones será unir os reinos para derrotar o Rei da Noite. Os roteiristas conseguem transparecer isso muito bem durante toda a 7ª temporada. Tudo fica pequeno e sem valor diante do terror que se aproxima. The Winter is Coming…

Ainda não é o momento de analisar a série de um modo geral, pois, ainda teremos em 2019 o desfecho da obra de George R. R. Martin. Não posso deixar de elogiar David Benioff e D.B. Weiss por nos trazer os personagens e seus conflitos de forma atraente e fiel. Especialmente as mulheres, que nesta temporada foram devidamente respeitadas. Sansa, Arya, Cersei e Daenerys protagonizaram momentos inesquecíveis e grandiosos. Os homens acabaram por se tornar coadjuvantes. Veja abaixo, um breve resumo.

Após a vingança do Casamento Vermelho em que Arya Stark foi o destaque, tivemos a Rainha Daenerys de volta para casa na Pedra do Dragão em Westeros. Euron Greyjoy, talvez o vilão mais cruel da temporada que não convenceu ninguém, tem sua sobrinha Yara como prisioneira além do tesouro prometido para Cersei Lannister. Tivemos também o esperado reencontro de Arya com Nymeria deixando claro que as duas mudaram (e o Fantasma?). Em seguida, Cersei teve a honra da vingança, envenenando a filha de Ellaria Sand obrigando-a a vê-la morrer lentamente, da mesma forma como as Serpentes da Areia haviam matado Myrcela, filha de Cersei. Desde o início da série esperávamos pelo encontro entre Danenerys e Jon Snow. Como também uma aliança dos reinos contra a Rainha Cersei. E isso foi resolvido no final do penúltimo episódio com Jon ferido e oferecendo sua lealdade a Targaryen. Antes, soubemos que Lady Olenna, a Rainha dos Espinhos, envenenou Joffrey. Neste momento grandioso a personagem interpretada por Diana Rigg se despediu dos fãs.

Neste breve resumo não poderíamos esquecer de Jaime Lannister na incrível batalha em que Daenerys, Drogon e os Dothrakis destruíram seu exército e o reencontro dos irmãos Stark (acho que nós estávamos mais empolgados do que eles). Sem dúvida, grandes momentos da sétima temporada. Mas, o que se aproximou quase precisamente da obra de George R. R. Martin,  Crônica de Gelo e Fogo, foi a luta dos sete contra o exército de mortos-vivos. Onde o grupo, cercado pelo exército de caminhantes brancos, em uma pequena ilha em um lago congelado, foram salvos pelos dragões de Daenerys. Foi a primeira vez, e de forma espetacular, que vimos justiça ao nome da saga. Nesse momento também houve o equilíbrio dos exércitos. Os White Walkers agora têm um dragão.

Ficou claro o objetivo dos roteiristas em fechar o ciclo, todos os arcos, na penúltima temporada. Organizar a casa. Tudo isso para nos preparar à grande batalha que ocorrerá na última temporada. Todos os habitantes de Westeros deveriam saber sobre a existência dos White Walkers. Os episódios, agora reduzidos, acabaram atrapalhando o roteiro nos trazendo de forma inexplicável alguns desfechos apresentados de forma sucinta. Por exemplo, o exército de imaculados de Daenerys Targaryen que saltaram de Rochedo Casterly para Porto Real como mágica. Porém, nos acontecimentos mais esperados, a série se mostrou imponente agradando os fãs na dose certa, mostrando que Game of Thrones é sensacional e surpreendente. O encontro dos irmãos Cersei e Tyrion foi a prova disso.

As qualidades de Ned Stark afloraram em Jon, Sansa e Arya. Divididas nas três formas: honra, política e coragem. O diálogo esperado entre Theon e O Rei do Norte também foi especial. Vários momentos neste último episódio tornaram-se decisivos e importantes para finalizar a saga. A trama envolvendo Lorde Baelish, Sansa, Arya e Bran junto aos aliados, por exemplo, nos manipulou de uma forma inédita na série. O grande manipulador Midinho, dessa vez foi a vítima. Um show à parte. Mas, foi o diálogo entre Bran e Sam que nos revelou o grande segredo: Jon Snow, na verdade, se chama Aegon Targaryen, filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, legítimo herdeiro do Trono. O Lobo é Dragão.

Terminamos enfim com um cenário grandioso na Muralha. Somado a uma trilha sonora impressionante, o Dragão de Gelo nos traz a certeza de que nada será fácil a partir de agora e fortes emoções estão reservadas.

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