Crônicas de Natal (2018)

Crônicas de Natal (2018)

Por Nagib Salha

Kurt Russell acabou de se tornar o melhor Papai Noel de todos os tempos. O ator se diverte o tempo inteiro em uma das mais interessantes interpretações de sua carreira. Os mitos e tradições relacionados a figura mais importante do Natal são encaradas com muito humor pelo personagem e transformam Crônicas de Natal em um filme obrigatório para toda a família.

“Ho-Ho-Ho!” não faz parte das frases de Noel e muito menos a imagem daquele velhinho gordinho nos anúncios de refrigerante (isso o deixa irritado). Sempre encarando com bom humor as dúvidas e críticas, o personagem de Kurt Russel torna-se tão importante que você certamente vai ficar irritado quando ele não estiver em cena. É notável também a referência introduzida pelo diretor Clay Kaytis (Angry Birds: O Filme de 2016) aos grandes clássicos de aventura dos anos 80, principalmente a longas dirigidos por Chris Columbus (produtor deste longa), dando prioridade ao ritmo acelerado e diversão familiar.

Justamente na véspera do Natal, Claire (Kimberly Williams-Paisley), mãe de Kate (Darby Camp) e Teddy (Judah Lewis), não poderá ficar em casa pois fora chamada para trabalhar no hospital (ela é enfermeira), deixando então seus filhos sozinhos em casa no feriado. Teddy tem comportamentos suspeitos e após ser flagrado por Kate, resolve ajudar a irmã a tentar filmar e provar a existência de Papai Noel. A missão acaba dando certo, mas embrulha em papel vermelho um terrível presente de Natal: a destruição do trenó, a fuga das renas, o sumiço do saco de presentes e gorro “mágico” de Noel.

Tudo isso pode causar uma grande tragédia, o Espírito do Natal não pode acabar. Se isso ocorrer, irá desencadear uma sequência de crimes e desordens por todo o planeta. O que vem a seguir é uma noite de aventuras por muitas cidades, quando Kate e Teddy se juntam a Papai Noel, em um bocado de acontecimentos mágicos e muito divertidos para tentar salvar o feriado.

Clay Kaytis nos leva a sequências fantásticas e jamais vistas em filmes do gênero, enriquecidas com ótimos efeitos visuais, que incluem viagens no trenó alucinantes, perseguições em um Dodge Challenger, magias (Noel entrando nas chaminés ou tirando presentes de seu casaco, por exemplo), embate com criminosos (que termina de forma hilária), mensagens bastantes educativas e uma performance de Kurt Russel na prisão simplesmente inesquecível, digna de ser vista inúmeras vezes.

Apesar de tudo, você vai se perguntar sobre alguns estranhos acontecimentos. Exemplo: o saco cai em uma árvore e só aparece alguém para pegá-lo quando Teddy finalmente o encontra? Claire passa a véspera de Natal no hospital e não liga uma única vez para saber como estão seus filhos? Mas, não deixe essas coisas tão pequenas atrapalhar a magia de Crônicas de Natal. As crianças certamente nem irão notar.

Temos aqui um filme realmente encantador com a atmosfera necessária de sentimentos natalinos que o torna agradável para todas as idades. A Netflix acertou! Fez um golaço com o Papai Noel mais legal e subversivo do cinema.

Crônicas de Natal (2018) – Título original: The Christmas Chronicles. Dirigido por Clay Kaytis. No elenco: Kurt Russell, Judah Lewis, Darby Camp, Kimberly Williams-Paisley, Oliver Hudson, Martin Roach, Lamorne Morris e Goldie Hawn. EUA. Duração de 104 minutos. Disponível na NETFLIX.

 

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Sierra Burgess é uma Loser (2018)

Sierra Burgess é uma Loser (2018)

Por Nagib Salha.

A Netflix entrega mais uma comédia high school sólida com bons momentos e boas atuações. Uma mistura bem clara entre A Garota de Rosa Shocking (1986) e sua principal inspiração, o clássico Cyrano de Bergerac. O filme é estrelado por Shannon Purser da série Stranger Things.

Vamos lembrar um pouco de Cyrano de Bergerac, um romântico, que lutava contra o preconceito, covardia e o machismo. Ele se apaixonou por Roxane, uma linda garota, inteligente, mas com defeitos comuns encontrados em inúmeros adolescentes. Um jovem amigo de Bergerac, chamado Cristiano, também se apaixona por Roxane, mas ele não tem o dom da palavra para conquistar uma garota. Cyrano, diante da sua insegurança com as mulheres (e por ser bastante feio) resolve ajudar seu amigo a conquistar Roxane, a mulher que ama, através das palavras.

As semelhanças com o clássico francês no roteiro de Lindsey Beer são propositais. Isso não é um ato falho, muito pelo contrário, foi o que deixou o filme mais interessante. Uma versão moderna da comédia estrelada por Steve Martin e Daryl Hanna, Roxanne em 1987, para o público adolescente que já vinha embalado com A Barraca do Beijo, Set It Up e Para Todos os Garotos que Já Amei.

Sierra é aquela garota legal, mas fora dos padrões de beleza convencionais (para muitos). Seus pais são bem-sucedidos, o que atrapalha um pouco em relação a sua escolha vocacional. O pensamento de ser sempre uma sombra dos pais a incomoda. Seu grande e inseparável amigo Dan (RJ Cyler) é talvez seu único conforto na vida social.

Sierra Burgess tinha uma inimiga na escola, Verônica (Kristine Froseth). A bela e popular garota não perdia uma oportunidade para tentar humilhar Sierra, porém, ela sempre tirava de letra (a cena no banheiro foi ótima). Quando um atleta da escola chamado Jamey (Noah Centineo) tenta dar em cima de Verônica, ela (sem nenhum interesse no rapaz) passa o número do telefone de Sierra. A partir daí a história se torna interessante. Jamey inicia uma conversa por mensagens com Sierra – que se passa por Verônica – e acaba se apaixonando pela garota e vice-versa.

Gostei muito da trilha sonora usando som de sintetizadores, que deu uma sensação bem nostálgica dos anos 80. Existe o mesmo em relação ao figurino usado pelo elenco. Para aumentar ainda mais tudo isso, colocaram Alan Ruck (Curtindo a Vida Adoidado) e Lea Thompson (De Volta para o Futuro) como os pais de Sierra. Sensacional.

A maior surpresa no longa foi a trama para Verônica, a garota popular tem uma vida bem próxima da realidade e a atriz Kristine Froseth caminhou muito bem nessa estrada cheia de espinhos. O roteiro ainda lhe entregou bons momentos, aumentando o carisma pela personagem. Para cada um deles, aliás, foi entregue uma redenção na trama, por isso achei sólido e inteligente. Uma opinião pessoal: a semelhança entre Kristine e a atriz Margot Robbie é impressionante.

Sierra Burgess é uma Loser é um filme engraçado com uma mensagem interessante, onde uma adolescente entra em confronto com suas próprias inseguranças. Pode está longe de ser perfeito, mas é uma comédia agradável para assistir em um dia chuvoso acompanhado por pipoca e guaraná.

Sierra Burgess é uma Loser (2018) – Título original: Sierra Burgess Is a Loser. Dirigido por: Ian Samuels. No elenco: Shannon Purser, Kristine Froseth, Noah Centineo, RJ Cyler, Lea Thompson e Alan Ruck. EUA. Duração de 105 minutos. Disponível na Netflix.

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Tau (2018)

Tau (2018)

Por Nagib Salha

A ficção científica (SciFi) é um gênero que sempre atrai minha atenção. Tau, o filme mais recente deste gênero na Netflix, chegou sem muito alarde, mas com a presença do vencedor do Oscar Gary Oldman no elenco. A presença do astro de O Destino de uma Nação (2017) conduz o filme ao limite mais alto, porém ainda distante de suas reais pretensões.

Gary Oldman interpreta Tau, uma inteligência artificial no filme escrito pela iniciante Noga Landau e dirigido pelo uruguaio Federico D’Alessandro, conhecido artista de animação (storyboard), principalmente por seus trabalhos nos filmes da Marvel. D’Alessandro foi bem em sua estreia como diretor, mesmo porque um artista de storyboard tem uma função quase semelhante a de um diretor de animação, por exemplo, quando cria as imagens para cada cena da história, incluindo posturas, cenários e reações. Provavelmente essas qualidades tenham transformado as reações e o visual de Tau (o programa) em algo tão interessante.

Maika Monroe é uma atriz muito talentosa – participou de um dos filmes de terror mais fantásticos que já assisti, Corrente do Mal (It Follows, 2014) – e aqui ela interpreta Julia, uma jovem sedutora e ladra raptada pelo cientista Alex (Ed Skrein). Julia é uma cobaia, forçada a participar de uma experiência relacionada a Inteligência Artificial. Enquanto Alex trabalha contra o tempo para concluir seu programa, Tau (um protótipo de I.A. menos avançado) realiza os testes com Julia. Em determinado momento, Tau se torna um guardião da cobaia.

A casa, protegida por Tau e comandada por Alex, funciona como uma prisão e laboratório ao mesmo tempo. Um androide assassino chamado Ares é acionado em possíveis fugas e seu ataque é sempre brutal. O ambiente, sempre limpo (pequenos drones fazem o papel de faxineiros), é claustrofóbico e entediante. Dentro da casa, Julia forma um vínculo emocional com Tau, inserindo novos conhecimentos e tentadoras possibilidades, o que pode abalar a relação entre criatura e criador.

Maika Monroe foi traída em determinados momentos pelo roteiro da iniciante Noga Landau. Julia é apenas uma mulher sozinha e miserável, que usa a sedução para roubar e sobreviver. Quando é sequestrada, transforma-se em uma mulher talentosa e inteligente, com habilidades até então desconhecidas. Poderia ser mais real. Ainda assim, Maika é bastante eficaz ao lado de Gary Oldman e bem distante de Ed Skrein (o vilão Ajax de Deadpool, 2006). Oldman retrata um programa ingênuo em relação a tudo o que acontece fora da casa de forma delicada, o que torna Tau compreensivo em seus melhores momentos, principalmente quando desafia as ordens de seu criador.

Tau tem suas qualidades e, longe de suas pretensões, o thriller fica próximo de um home-vídeo agradável que funciona (até certo ponto) e se torna audacioso, quando tenta inovar um tipo de trama clássica de Criatura x Criador.

Tau (2018). Dirigido por Federico D’Alessandro. No elenco: Maika Monroe, Gary Oldman, Ed Skrein, Paul Leonard Murray, Dragoljub Ljubicic e Irene Chiengue Chiendjo. EUA. Duração de 97 minutos. Disponível na Netflix.

 

 

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Aniquilação (2018)

Aniquilação (2018)

Por Nagib Salha

A mais nova obra de Alex Garland, que escreveu e dirigiu o ótimo Ex Machina: Instinto Artificial (produção de 2014), é assustadora e visualmente incrível. A história é bem interessante, mas definitivamente tem ritmo lento.

Não necessariamente precisamos de um monstro ou qualquer outra criatura para causar medo. Quando a mente entra em conflito após a perda constante da consciência, memórias, motivações e conhecimentos, isso vai além do medo e aproxima-se do pânico. Alex Garland consegue retratar essa sensação paralisante através de seus personagens, adicionando ainda algumas criaturas bem assustadoras (uma delas é simplesmente espetacular).

Natalie Portman é Lena, uma bióloga e ex-militar que, após o retorno misterioso de seu marido Kane (Oscar Isaac), parte para uma expedição à Área X, zona ambiental perigosa, antes explorada por Kane, que saiu de lá gravemente ferido e como o único sobrevivente – ele não lembra onde esteve ou como chegou em casa. Lena se junta a uma equipe de cientistas (todas mulheres) para investigar a Área X, um tipo de distorção ambiental que ameaça a vida no planeta, mais precisamente os seres humanos. Entre as cientistas estão: Tessa Thompson (Thor: Ragnarok) como Josie Radek, Jennifer Jason Leigh (Twin Peaks) como Dra. Ventress, Gina Rodriguez é Anya Thorensen; e Tuva Novotny como Cass Sheppard.

Na verdade, o elenco não teve grande destaque. A trama escrita por Garland e Jeff VanderMeer mantém em foco o ponto de vista de Lena fazendo a história respirar no momento em que experimentamos seus sentimentos de tensão e medo. As dúvidas jogadas ao vento por Garland acabam uniformemente distribuídas, dando espaço para diversas respostas e interpretações. Entre os cortes com flashbacks, exploração e tensão, existe um medo evidente do desconhecido, e isso é simplesmente fantástico.

Garland conseguiu um bom trabalho, realmente, ao transpor na tela um ecossistema divertido e assustador, entre a selva e os animais que assombram o ambiente colorido que por sua vez é sublime, lembrando por algumas vezes Pandora (Avatar). Geoff Barrow e Ben Salisbury complementam o filme com uma trilha de tirar o fôlego, principalmente no terceiro ato. Aniquilação é um ótimo exemplo do que um filme de ficção científica pode alcançar quando o objetivo é claro e acaba tornando-se uma aventura emocionante e mística. Uma prova de que uma experiência desse tipo é mais gratificante do que uma história onde tudo lhe é entregue em uma bandeja.

O filme termina com uma mensagem que liberta mais teorias do que conclusões, colocando uma maravilhosa interrogação em sua cabeça. Apesar de algumas falhas no roteiro, Alex Garland conseguiu deixar minha mente trabalhando muito, mas sem desapontar em relação ao prazer de assistir uma boa obra de ficção científica, ambiciosa e intrigante.

Aniquilação (2018) – Título original: Annihilation. Escrito e dirigido por Alex Garland. No elenco: Natalie Portman, Oscar Isaac, Tessa Thompson, Jennifer Jason Leigh, Gina Rodriguez e Tuva Novotny. EUA/Reino Unido. Duração de 115 minutos. Disponível na Netflix.

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The Crown (2017) – 2ª Temporada

The Crown (2017) – 2ª Temporada

Família, lealdade, amor e honestidade. Esses foram os valores mais evidentes na segunda temporada da série The Crown de Peter Morgan. Episódios históricos e fascinantes foram muito bem distribuídos e retratados como um livro de história e, ao mesmo tempo, um romance bem escrito. A belíssima série da Netflix é um encanto visual, uma paisagem inesquecível.

Uma grande atuação, quando vista por um espectador comum e até mesmo pelo crítico mais ferrenho, tem valor inestimável. Agora, imagine uma constelação de astros e estrelas nos entregando o melhor. Isto é mais valioso do que todas as obras de artes e joias encontradas nos grandes palácios do Reino Unido. Claire Foy brilha mais uma vez como a Rainha Elizabeth II. A performance da atriz foi brilhante do início ao fim. Sua transformação no decorrer da série, de uma jovem rainha até a postura amadurecida com todas as características de uma mulher e a crise da meia-idade, porém sempre imponente, foi incrível.

Em seu melhor episódio, Claire Foy nos entrega uma atuação interessante onde a Rainha Elizabeth sente-se intimidada com os acontecimentos envolvendo a Primeira Dama dos Estados Unidos, Jacqueline Kennedy (Jodi Balfour). Vimos algumas cenas realmente tensas entre as duas mulheres mais poderosas do mundo. Certamente, Jackie Kennedy tem vantagem em relação a beleza e, junto ao Presidente Kennedy (Michael C. Hall) se destaram realmente. Mas, Jackie nos mostrou um lado desconhecido quando tentou destruir a imagem e tradição da monarquia inglesa. Na própria história sabemos que Kennedy não era um santo e as circunstâncias que estavam escondidas do público afetaram sua vida. Mais uma vez destaco a atuação de todos neste episódio. Porém, Claire estava em um andar bem mais alto. Foi fabuloso assistir a forma como a Rainha superou tudo isso.

Temos agora uma Elizabeth cautelosa e um Philip competitivo, porém um pouco frustrado (se Matt Smith foi bom na primeira temporada, está excelente na segunda). Claramente, The Crown não se aproxima de uma queda. Exatamente o contrário. Superou os altos e baixos da primeira nos apresentando fatos históricos com os acontecimentos pessoais (e bem particulares) de cada um membro da monarquia. Matt Smith ganhou um dos melhores episódios desta temporada. Realmente marcante, vimos o Duque de Edimburgo exigir a matrícula de seu filho numa escola somente para meninos, inclusive com ameaça ao matrimônio, colocando lado a lado a educação do Príncipe Charles (Julian Baring) e a sua, com cenas incríveis em flashback sobre sua infância. As imagens com cenários deslumbrantes do enterro de sua irmã foi um dos momentos mais épicos desta temporada.

Um outro episódio marcante muito bem dirigido por Benjamin Caron, envolveu a Princesa Margaret e seu marido Tony Armstrong-Jones. A excelente atriz Vanessa Kirby nos presenteou com um show de atuação. Foi incrível assistir o contraste entre a mulher que ama o luxo, mas foge das tradições monarcas, e a Rainha que tem a coroa acima de tudo e de todos. Enquanto ela dança em seu quarto, Elizabeth segue em passos firmes para seus aposentos. Seu relacionamento com o fotógrafo Tony foi tão bem escrito e dirigido, que merecia um longa.

Os relacionamentos complexos entre Elizabeth, Philip, Margaret, a Rainha Mãe entre outros membros da Família Real ficaram mais ricos. Na primeira temporada, as visitas de Elizabeth por Winston Churchill nos deram uma linha de discussão, unindo histórias díspares oferecidas em vários momentos com relacionamento mutável. Desta vez, nada parecido foi visto, talvez porque os dois primeiros ministros com quem Elizabeth conversa são bem inferiores, tanto na história quando na presença. “Covardes” como ela mesmo disse com palavras menos agressivas.

A falta de equilíbrio foi extinta, contrastando fortemente com a Elizabeth da primeira temporada. No que se diz respeito a segunda temporada de um modo geral, foi um grande passo para Elizabeth, que escolheu usar as melhores ferramentas à sua disposição e seguir seus instintos, os conselheiros foram ignorados. Em um episódio que Sir Philip exigia respeito dos homens de bigode (que foram obrigados a raspá-los) por ser obrigado a dispensar seu melhor amigo Mike Parker (Daniel Ings), a Rainha o vestiu de Bobo da Corte e de forma subliminar mostrou seu poder diante do Duque para salvar o casamento. Mesmo assim, ela continuou a explorar a mesma dúvida entre a mulher e a Coroa; e na forma como essas experiências surgiram, muitas vezes a mulher foi desconsiderada para que não afetasse a realeza. Elizabeth lutava contra suas inseguranças e ciúmes deixando-a distante da família e levando-a ao desconforto, quando rapidamente cortou a corda da forca, engolindo tudo a seco para manter um relacionamento sólido aos olhos do mundo.

Todo esse drama nos aproxima ainda mais da série, pois, juntamente com toda intriga política e pessoal, há o figurino, as locações, as obras de arte, a arquitetura incrível e atuações vibrantes. Nos deram vários troféus, entre eles uma linda dança entre a Rainha e Nkrumah (Danny Sapani). Os detalhes pessoais ampliaram o mistério em volta da família mais “popular” do mundo. Trouxe humanidade aos personagens e tem como prova maior o Príncipe Philip, que aos nossos olhos nunca foi mais do que uma figura imponente por atrás da Rainha Elizabeth II. The Crown, se tornou uma nova grande obra que teve um (merecido) tratamento beirando o extraordinário.

The Crown (2017) | Segunda Temporada. Criada por Peter Morgan. No elenco: Claire Foy, Matt Smith, Victoria Hamilton, Vanessa Kirby, Daniel Ings, Julian Baring, Jodi Balfour, Danny Sapani, Greg Wise, atthew Goode, Alex Jennings, Michael C. Hall e Richard Clifford. Reino Unido. Duração por episódio: 57 minutos. Disponível na Netflix.

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Bright (2017)

Bright (2017)

A mistura de gêneros entregue por David Ayer e Max Landis foi o primeiro blockbuster da Netflix. Bem-sucedido, mas não foi o que poderia ter sido.

A premissa é, sem dúvida, irresistível. Imagine que 2 mil anos após os eventos em O Senhor dos Anéis, todas as criaturas e formas de vida daquela época estivessem convivendo entre os humanos com os mesmos problemas da nossa vida urbana. Isto é Bright, o novo longa da Netflix. A estranha surpresa foram as fadas em relação a esta diversidade. Enquanto os Orcs são criaturas odiadas por terem um passado de decisões voltadas para o mal, os Elfos são a imagem da ostentação; ricos e poderosos (e alguns bem cruéis). Nós humanos somos apenas humanos. Tinha tudo para ser fantástico, mas David Ayer e o roteirista Max Landis resolveram se dedicar mais em transformar uma história única em uma discussão exagerada sobre racismo, preconceito e corrupção.

Will Smith, no papel do policial Daryl Ward, se destaca com atuação no melhor estilo Homens de Preto e prova mais uma vez que consegue segurar um filme somente com sua presença em tela. O talento de Smith fica claro ao conseguir transformar simples diálogos com seu parceiro Nick Jakoby (policial Orc, interpretado Joel Edgerton) em algo interessante e engraçado. Eles conseguiram realmente construir um relacionamento convincente com humor e drama, apesar do clichê anos 80 – em que o policial odeia seu novo parceiro desde o início e, no decorrer do longa, vai mudando para uma relação de amizade incondicional. Os dois astros deram o melhor, mesmo com um elenco de apoio totalmente perdido.

Nesse mundo épico e extenso de Bright, você vai chegar ao final e dizer que esperava mais, pois as possibilidades eram infinitas e foram esquecidas em um baú na Terra-média. O potencial era incrível, assim como em Esquadrão Suicida, mas foi desperdiçado. Isso não quer dizer que o filme seja ruim. Quando a varinha mágica surge, começa a ação e somos levados ao entretenimento de forma fulminante. A mesmo tempo Leilah (Noomi Rapace) nos dá o ar da graça e uma gostosa mistura de tiros e magia com efeito relativamente divertido e um impulso constante começa a se construir à medida que nossos protagonistas encaram todos os tipos de inimigos, tanto sobrenaturais quanto humanos. Passamos a assistir uma mistura de Dia de Treinamento com Harry Potter, e isso ficou bom.

Bright é bem-sucedido em partes, principalmente por unir dois gêneros. Os efeitos especiais estão fantásticos em todos os momentos do filme e a atuação da dupla de protagonistas foi ótima. A ação foi o destaque, os personagens foram corretamente retratados e o humor bem utilizado para reduzir a tensão. Este é o maior lançamento de um filme que a Netflix já fez e muito melhor do que vários outros lançados no cinema. Porém, não foi o que poderia ter sido, e temos que seguir em frente mesmo sabendo que uma oportunidade colossal foi desperdiçada. Uma sequência já foi confirmada.

Bright (2017). Dirigido por David Ayer. No elenco: Will Smith, Joel Edgerton, Noomi Rapace, Edgar Ramírez, Lucy Fry, Happy Anderson e Jay Hernandez. EUA, Duração de 117 minutos.

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Dark (2017) | 1ª Temporada

Dark (2017) | 1ª Temporada

Dark provou que não é necessário um grande orçamento para produzir uma série de mistério e ficção científica com extrema qualidade. Todos os recursos disponíveis foram muito bem utilizados (diálogos, visual, trilha e trama). A fotografia, os cenários e figurinos foram impressionantes. Com uma cinematografia de encher os olhos, a direção de arte nos entregou um clima realmente sombrio, muito mais do que Stranger Things, por exemplo.

Com um roteiro brilhante, que responde suas dúvidas no tempo certo, em momento nenhum o espectador irá sentir-se sobrecarregado de informações complexas ou supostamente impossíveis, pois tudo está interligado e será esclarecido. A trama acontece em uma pequena cidade na Alemanha, Winden, que se destaca por abrigar uma Usina Nuclear (que está sendo desativada). Somos apresentados a um leque de personagens incríveis com personalidades bem peculiares, entre eles estão Jonas Kahnwald (Louis Hofmann), que sofre por não aceitar um suicídio na família e sua mãe Hannah (Maja Schöne) que torna-se amante de Ulrich Nielsen (Oliver Masucci), uma antiga paixão dos tempos de escola. Ulrich (melhor atuação) além de perder seu irmão quando ainda era adolescente, sofre mais um revés e inicia uma busca incessante e devastadora durante toda a série. A investigadora Charlotte Doppler (Karoline Eichhorn) acaba completamente perdida com casos inexplicáveis e ainda sofre com os problemas latentes do marido Peter (Stephan Kampwirth). Posso lhe dizer que são tantos personagens interessantes que tonariam este parágrafo enorme. No decorrer da trama, tudo se torna mais intenso, sombrio e misterioso fazendo de você um investigador, partindo para um confronto direto entre o passado, presente e o futuro.

Há uma trama separada? Não. Tudo está entrelaçado e ocorre de forma fácil, nunca forçado. Cada episódio me levou ao limite e é exatamente assim que se faz um bom suspense. Dark é uma produção alemã de encher os olhos com uma história que poderia até parecer simples, mas acredite em mim, não é. É facilmente uma das melhores que já vi em uma série de TV com eventos muito surpreendentes que exigem concentração em cada cena. Os criadores Baran bo Odar e Jantje Friese fizeram um bom trabalho.

Temos um vilão na série, Noah (Mark Waschke). Mas, para este ótimo personagem deixo apenas o mistério. Sobre à atuação, realmente não lembro de qualquer baixo desempenho, todas as performances foram boas, mas o grande destaque ficou para Oliver Masucci. Seu personagem tem todas as características necessárias para uma ótima trama, inclusive isolada. Mas, é exatamente o contrário e aí esconde-se o grande trunfo. Louis Hofmann também empolga, grande parte do mistério está em sua existência e ele consegue passar todo esse conflito com delicadeza concatenando sentimentos de angústia, sofrimento, coragem e medo.

A única semelhança com Stranger Things é realmente a criança desaparecida em uma pequena cidade. Dark mistura viagem no tempo e mistério, mas de forma única. Assusta, choca (principalmente em uma cena entre Ulrich e o pequeno Helge) e também diverte. Devido a trama muito intensa e todas as reviravoltas e surpresas, provavelmente você terá que assistir duas vezes para entender tudo. Porém, isso não será uma tarefa difícil. Cada episódio é melhor que o anterior e caminha em passos firmes ou dança no melhor ritmo. A tarefa mais complicada e angustiante é ter que esperar a próxima temporada. Assista DARK!

“Nós acreditamos que o tempo decorre de forma linear, que ele avança uniformemente para sempre. Até o infinito. Mas a diferença entre presente, passado e futuro não passa de uma ilusão. O ontem, o hoje e o amanhã não se sucedem, mas estão conectados em um círculo infinito. Tudo está conectado”.

Dark (2017). Criada por Baran bo Odar e Jantje Friese. Dirigida por Baran bo Odar. No elenco: Oliver Masucci, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel, Louis Hofmann, Maja Schöne, Stephan Kampwirth, Daan Lennard Liebrenz, Andreas Pietschmann, Deborah Kaufmann, Peter Schneider e Mark Waschke. Alemanha. Duração por episódio: 60 minutos. 10 episódios todos disponíveis na Netflix.

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The Sinner (2017) – 1ª Temporada

The Sinner (2017) – 1ª Temporada

A série é baseada no livro de Petra Hammesfahr, que conta a história de uma mulher que, em um dia de sol com seu filho e marido, tem um surto e mata um desconhecido, que estava com sua namorada ouvindo uma música (Big Black Delta – Huggin & Kissin) enquanto a beijava. Com golpes de faca de forma repetitiva e brutal, o jovem Frankie (Eric Todd) é assassinado na frente de várias famílias que também estavam na beira daquele lago. Porque Cora (Jessica Biel) atacou aquele desconhecido daquela forma? Porque aquela música a incomodou tanto levando a cometer o crime? A ideia de que alguém pode matar outra pessoa sem nenhum motivo é a trama central de The Sinner.

Não posso deixar de enfatizar que Jessica Biel no papel da jovem mãe problemática com um passado sombrio foi quase sem falhas. É visível que a atriz realmente se envolveu com a produção e foi consumida pela personagem. Foi capaz de transmitir sentimentos e emoções de forma complexa e realista. Aliás, todo o elenco merece destaque. Bill Pullman, que interpreta o investigador Harry Ambrose, está sensacional. Ao mesmo tempo em que tenta descobrir o que levou Cora a cometer o crime – não posso falar o motivo real do interesse de Harry nisso, pois, na minha opinião é o que leva The Sinner a uma segunda temporada – ele tenta salvar o casamento e fugir de seus estranhos desejos sexuais masoquistas. Ótima atuação, por sinal, da atriz Meredith Holzman no papel de Sharon, a parceira sexual do investigador.

O relacionamento entre as irmãs Cora e Phoebe (Nadia Alexander) tem um tom bem temperamental e sinistro. Realmente choca. Quando adultas, as irmãs protagonizam uma cena com a imagem de Cristo que realmente me deixou um pouco incomodado. Mas, esse era o objetivo. Tudo isso faz parte das memórias de Cora que vão te ajudar (ou pelo menos tentar) a montar um quebra-cabeças de 100 mil peças. Você acaba entrando pouco a pouco na trama e percebendo que nem todos os seus tiros acertam o alvo.

“Todos sabem que ela fez isso. Mas, ninguém sabe o motivo”. A série conseguiu manter isso até o sétimo episódio. No último, definitivamente vieram todas as respostas. As pistas que nos jogaram ao longo do caminho pelo comportamento inexplicável de Cora (se ela foi sexualmente molestada pelo pai ou a educação religiosa rigorosa e cruel de sua mãe) podem ou não ser um castelo de areia destruído por uma onda na beira do mar. Algumas declarações de Cora também podem se tornar mentiras ou, mesmo quando ela tenta lembrar o que realmente aconteceu, suas memórias acabam sendo pouco confiáveis com uma mistura de sonhos e acontecimentos reais.

Realmente somos colocados em uma atmosfera tensa e claustrofóbica que transforma a série em um thriller fechado e emocionante. Mergulhamos nos cantos mais obscuros da mente humana, como por exemplo, o pecado de Cora para o prazer da irmã, uma menina cheia de impulsos sexuais, que arrasta desejos sujos se impondo como centro das atenções levando o espectador a situações realmente desconfortáveis.

The Sinner é um thriller misterioso que me fez entrar na trama de forma comprometida até o último episódio. Dividida em oito partes, a trama conseguiu ficar um passo à frente a todo momento e terminou de forma surpreendente.

The Sinner (2017) | Primeira Temporada. Dirigido por Antonio Campos, Tucker Gates, Brad Anderson, Cherien Dabis e Jody Lee Lipes. Criador: Derek Simonds. No elenco: Jessica Biel, Bill Pullman, Christopher Abbott, Jacob Pitts, Meredith Holzman, Nadia Alexander e Eric Todd. EUA. Duração por episódio: 60 minutos. Disponível na NETFLIX.

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A Babá (2017)

A Babá (2017)

A Babá (The Babysitter), filme original Netflix, é uma comédia de horror no melhor estilo dos clássicos da década de 80. No filme, o protagonista se chama Cole (Judah Lewis), um garoto que sofre bullying na escola, chamado de “maricas” o tempo inteiro e as vezes sofrendo algumas agressões físicas. Seus pais não têm a menor noção de como ajudá-lo em relação a isso. Por este motivo, resta ao jovem Cole contar apenas com duas pessoas: a melhor amiga e vizinha Melanie (Emily Alyn Lind) e sua belíssima babá Bee (Samara Weaving) com quem vive seus melhores momentos desde criança. Por já ser um adolescente, Cole começa a despertar uma certa paixão por Bee. Certa noite, quando seus pais resolveram viajar, a babá foi chamada mais uma vez e, encorajado por Melanie sobre o que as babás fazem enquanto as crianças dormem, Cole resolve espionar Bee na madrugada. Achando que iria assistir uma orgia entre alguns jovens e sua babá, ele acaba presenciando uma espécie de ritual satânico com o assassinato de um deles diante de seus olhos. Mas, isso não é o pior. Bee acabada descobrindo que Cole não estava dormindo e, agora como testemunha do crime, ele deve morrer.

O longa tem público específico, exatamente por ser um filme de comédia com terror sem sustos, bastante gore (sangue jorrando para todo lado), bem distante daquele terror moderno que assusta sem derramar uma única gota de sangue; psicológico ou paranormal. O filme foi bem executado apesar das falhas no roteiro. McG, que dirigiu As Panteras (2000) e O Exterminador do Futuro: A Salvação (2009), retorna em boa forma com uma direção clássica, divertida e explosiva. Fácil de perceber que pouco foram os recursos, mas muito foi realizado.

Nota máxima para a escolha do elenco. Judah Lewis, Emily Alyn Lind e Samara Weaving são os destaques. A produção fez ótima escolhas. Robbie Amell (Deathstorm da série Flash) ficou muito bem como o atleta playboy psicopata Max, que num momento tenso do filme tentou passar alguns conselhos comportando-se com um irmão mais velho de Cole. Bella Thorne, perfeita e roubando a cena como sempre, no papel da líder de torcida Allison. Hana Mae Lee, muito conhecida pelo seu papel em A Escolha Perfeita (2012), interpreta a assustadora Sonya. E, por último, Andrew Bachelor como o mais hilário dos psicopatas, John.

Samara Weaving me impressionou bastante no papel da babá Bee. Confesso que não conhecia a atriz que está no elenco do elogiado Três Anúncios Para um Crime (2017), longa que será lançado no Brasil em janeiro do próximo ano. Além de ser belíssima, é incrivelmente talentosa. Seu relacionamento com Judah Lewis foi uma atração à parte. A pequena Emily Alyn Lind, que fez o papel da jovem Amanda Clarke na série de TV Revenge também chamou minha atenção. A trilha sonora nos trouxe grandes clássicos, como We Are The Champions (Queen), sempre com timing perfeito. Em geral, se você tem uma hora e meia livre e está procurando uma comédia de horror gore, A Babá é a melhor escolha no Netflix.

A Babá (2017). Título original: The Babysitter. Dirigido por McG. No elenco: Judah Lewis, Samara Weaving, Emily Alyn Lind, Bella Thorne, Robbie Amell, Hana Mae Lee, Andrew Bachelor, Ken Marino e Leslie Bibb. EUA. Duração de 85 minutos.

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