O Predador (2018)

O Predador (2018)

Por Nagib Salha

Mais de 30 anos se passaram desde o grande sucesso de bilheteria, O Predador (1987), estrelado pelo ícone de filmes de ação Arnold Schwarzenegger. O longa não agradou a crítica, mas conquistou o público tornando-se um clássico. O Predador misturava dois gêneros que faziam sucesso na época, guerra e ficção científica.

O método do diretor John McTiernan era bastante usado naquele tempo, onde a criatura deveria aparecer o mínimo possível fazendo com que o público nem imaginasse quem era aquele assassino brutal. Deu certo! Até a metade do filme não fazíamos ideia de quem estava aniquilando aquele esquadrão altamente treinado e comandado por Schwarzenegger. O filme estourou ganhando uma legião de fãs, servindo de base para outros lançamentos. Agora, o diretor Shane Black resolveu esquecer um pouco o passado (nem tanto) e deixar sua marca na mais nova aventura do monstro.

Shane Black atualizou a franquia como deveria ser feito. Seus métodos são bem concretos, nos fazendo perceber com facilidade traços de Beijos e Tiros (2005) e Homem de Ferro 3 (2013) dentro de seu novo longa, principalmente em relação a sensibilidade e humor. Sempre o considerei um ótimo roteirista e um diretor limitado, mas quando lhe é entregue um filme fácil, ele se sai muito bem. Acredite, tudo o que você precisa em um filme de ação, vai encontrar em O Predador.

Quinn McKenna (Boyd Holbrook) é um sniper das forças armadas americana que entrou em confronto com o alienígena em uma missão que dizimou toda sua equipe. Para ter uma prova de tudo que aconteceu, ele enviou alguns equipamentos da criatura para sua caixa postal. Mas, por falta de pagamento, tudo é entregue em sua residência e acaba caindo nas graças de seu filho, Rory (Jacob Tremblay). “A curiosidade matou o gato”. O garoto resolve abrir a caixa destinada a seu pai ausente e acaba enviando uma mensagem de localização para os monstros do espaço. Enquanto isso, a Dra. Casey Bracket (Olivia Munn) é chamada para examinar um dos monstros aprisionados por um laboratório secreto do Governo. A curiosidade de Rory, desperta a criatura e uma matança acontece no local. Mas, a doutora escapa, e persegue o Predador.

A situação acaba envolvendo Quinn nesta perseguição, pois ele acaba descobrindo que a criatura está a caminho de sua casa e, mais precisamente, em busca de seu filho. Temos um Predador maior, mais brutal e bem mais bonito que o anterior (isso mesmo). Para salvar seu filho, Quinn McKenna acaba se unindo a uma equipe muito interessante de combatentes: Nebraska (Trevante Rhodes), Lynch (Alfie Allen, da série Game of Thrones), Baxley (Thomas Jane, sensacional), Coyle (Keegan-Michael Key) e Nettles (Augusto Aguilera); além da cientista Casey Bracket.

Vamos aos destaques. Como já havia dito anteriormente, esse foi um filme fácil para Shane Black. A interação entre a equipe foi o ponto alto, com humor sem exageros e ótima piadas. Vimos esse comportamento em Maquina Mortífera entre Riggs e Murtaugh, a dupla central eternizada por Mel Gibson e Danny Glover. A sensibilidade (laços) mais uma vez se destaca em meio as explosões, tiros e perseguições. O vilão do filme, interpretado muito bem por Sterling K. Brown, é outro ponto alto da produção; e Olivia Munn finalmente apareceu, recebendo atenção devida ao seu talento, diversas vezes desperdiçada em outras produções (como X-Men: Apocalipse, por exemplo). Você vai perceber também que a equipe de Som (de modo geral) trabalhou bem melhor que a equipe de efeitos visuais.

Temos aqui um bom filme de ação, comédia e ficção científica (com efeitos visuais razoáveis) graças a sensibilidade de Shane Black, que merece a maior fatia dos créditos positivos. O Predador é brutal e divertido ao mesmo tempo. Imperdível!

O Predador (2018) – Título original: The Predator. Dirigido por Shane Black. No elenco: Boyd Holbrook, Jacob Tremblay, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Alfie Allen, Trevante Rhodes, Keegan-Michael Key, Augusto Aguilera e Yvonne Strahovski. EUA/Canadá. Duração de 107 minutos.

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