Stranger Things 2 (2017)

Stranger Things 2 (2017)

A segunda temporada de Stranger Things não superou a primeira, mas foi ótima. Uma das poucas vezes onde ser previsível torna-se um elogio, afinal os criadores sabem como contar uma boa história, reconhecendo que para isso é indispensável a presença de personagens fortes. Perceba que, em uma série com essa qualidade indiscutível, quando você conhece bem os personagens, pode prever como vão agir. Quando algumas situações ficam interessantes por você se sentir como parte dela, sua mente torna reais os personagens. Stranger Things tem esse poder e está destinado a se tornar um grande clássico. O único (pequeno) problema foi que alguns episódios caminharam de forma arrastada, mas não tirou o brilho da nova temporada.

A Netflix aperfeiçoou a arte de produzir séries. A segunda temporada começa muito bem e responde muitas perguntas sem respostas da primeira temporada. O roteiro é ótimo na maioria dos episódios. As criaturas (monstros) são maiores, mais assustadoras e mais poderosas. Como na temporada passada, os novos episódios continuam na mesma linha, porém com um novo estilo, mais amadurecido. Aumentar o orçamento ajudou e o resultado foi evidente. Os efeitos visuais melhoraram e permitiram uma complexidade e riqueza que não foi possível no passado. A atmosfera dos anos 80 continua sensacional. Além das ótimas referências a filmes (como Ghostbusters de 1984), temos uma trilha sonora riquíssima. Utilizaram quase tudo que existiu de melhor na época (Bon Jovi, Sting e Metallica), além do que foi produzido por Kyle Dixon e Michael Stein.

Nesta temporada, entramos na mente de Eleven (Millie Bobby Brown) constantemente para saber o que aconteceu com ela após o final da primeira temporada. Em determinado momento, descobrimos sobre a mãe de Eleven e o nome real da personagem: Jane. Também somos apresentados a sua irmã, conhecida como Roman (Linnea Berthelsen). O pequeno Will (Noah Schnapp) é vigiado o tempo inteiro por sua mãe Joyce (Winona Ryder) e seu irmão Jonathan (Charlie Heaton). Mas, Will ainda sofre com suas visões do Mundo Invertido. Mike (Finn Wolfhard), seu melhor amigo, carrega a dor de não encontrar Eleven, mesmo sentindo sua presença cada vez mais forte. Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) conhecem a garota californiana Max (Sadie Sink) e começam uma disputa por sua atenção. São chamados por ela de perseguidores. Max foi uma surpresa, junto com seu irmão Billy (Dacre Montgomery, o Ranger Vermelho) que chegaram a Hawkins chamando a atenção de todos.

Alguns personagens ganharam mais destaque na sequência. É o caso de Nancy (Natalia Dyer), Steve (Joe Keery) e Jonathan. Mas, os insuperáveis David Harbour e Winona Ryder espalharam seu brilho por quase todos os episódios como Jim Hopper e Joyce Byers, respectivamente. Nos presentearam ainda com a atuação hilária e importantíssima de Sean Astin como o Super Bob Newby, namorado de Joyce. Outra grande surpresa foi a presença de Brett Gelman como o jornalista Murray Bauman (pena que em somente 4 episódios) e Paul Reiser como Dr. Owens.

Logo no primeiro episódio somos apresentados a todos os personagens da segunda temporada. Aproximadamente um ano depois, uma garota com poderes psíquicos com o número 008 marcado no braço, faz parte de uma quadrilha criminosa em Pittsburgh. Em Hawkins, Will, Mike, Dustin e Lucas conhecem uma nova garota, Max, que percebe o interesse de Dustin e Lucas, enquanto seu irmão mais velho, Billy, torna-se “o cara” na escola, contrariando Steve. Mike e Nancy ainda sofrem com a perda de Eleven e Barb, respectivamente. Will sofre com as visões de uma enorme criatura com tentáculos. Hopper é procurado pelo jornalista Murray Bauman que tenta provar suas teorias. Em seguida, Joyce e Hopper levam Will para ser visto no laboratório pelo novo cientista, o Dr. Owens. Mais tarde, Hopper vai para uma casa na floresta, onde mora com Eleven, que ainda está viva. Assim, resumimos os fatos mais importantes do primeiro episódio.

Não posso deixar de comentar o quinto episódio: Dig Dug, conhecido arcade que neste episódio é usado para aproximar Lucas de Max. Mas, dessa vez as crianças não foram a atração principal. Enquanto Hopper decidiu encarar os túneis desenhados por Will, Sean Astin (como Bob) se destacou de forma magnífica tentando desvendar o misterioso mapa (lembrou Os Goonies, 1985). Nesse momento, a participação de Sean se torna indispensável e ganha a total confiança do espectador. O diretor Andrew Stanton acerta nesse ponto. As crianças são inteligentes, mas não podem estar no controle de tudo. Ficaria forçado demais e limitar isso foi importante. Outro momento memorável é a interação entre Nancy, Jonathan e Murray com a Teoria de Conspiração. Brett Gelman simplesmente sensacional nos entregando um dos momentos mais hilários, leves e inteligentes da série. O final do episódio tem uma pequena referência a Colheita Maldita (1984, Stephen King) com Will deitado no chão em uma cena realmente assustadora.

Finn Wolfhard, que definitivamente se transformou no principal astro infantil da série, mostrou maturidade na atuação. Ainda tão jovem conseguiu impressionar realmente. Noah Schnapp teve uma participação maior e sublime. Gaten Matarazzo e Joe Keery fizeram uma ótima e inesperada dupla (que deve ser mantida futuramente). Resumindo, Stranger Things 2 ofereceu momentos maravilhosos e provou mais uma vez ser uma série com espírito e emoção, permitindo que seus personagens cresçam enquanto a história se expande. Perguntas não respondidas e alguns episódios arrastados não prejudicaram a série que foi bem produzida criando uma experiência divertida e cativante.

Stranger Things 2 (2017). Produção original Netflix. Dirigido por Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy, Andrew Stanton e Rebecca Thomas. No elenco: Winona Ryder, David Harbour, Paul Reiser, Sean Astin, Brett Gelman, Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard, Noah Schnapp, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Joe Keery, Sadie Sink e Dacre Montgomery. EUA. Duração por episódio: 55 minutos.

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