Jogos Mortais: Jigsaw (2017)

Jogos Mortais: Jigsaw (2017)

Jogos Mortais é umas das poucas obras de terror que mantem a qualidade inicial na maioria dos filmes, sem o objetivo de se tornar apenas uma máquina de fazer dinheiro. Se, assim como eu, você acompanhou todas as produções, claramente vai apontar uma ou outra bem abaixo das expectativas, mas nunca ruim.

Mesmo seguindo a velha fórmula (é necessário), Jogos Mortais continua exclusivo. Os originais anteriores foram realizados dentro de um curto período e este já caminhou para o futuro. Entenda, John Kramer (Tobin Bell) está morto. Quem estaria no comando desses jogos se Kramer morreu há tanto tempo? Pode surgir então uma resposta surpreendente. Posso até está a caminho de uma crítica imparcial, mas convenhamos que Jogos Mortais tem um roteiro repleto de “problemas lógicos” e divertido ao ponto de agradar todos os fãs desta saga do terror. Se em algum momento algo não faz sentido, e as reviravoltas e coincidências parecem um pouco batidas, o filme consegue impactar com bons sustos e momentos cômicos interessantes.

No que diz respeito às armadilhas mortais, não tenho certeza de como me senti diante disso, mas, nenhuma foi ruim. Sem querer entregar nada, a mais simples de todas foi exatamente a que mais me agradou: dois “jogadores” e uma arma. Fico realmente satisfeito quando os envolvidos na produção (direção e roteiro) não têm medo de usar a inteligência relacionada a psicologia. Uma agradável surpresa. Há também um tipo de torção, posso dizer assim, neste longa que também me pegou desprevenido. Achei que teríamos um tipo de trapaça mirabolante para um possível retorno de Kramer, mas… UFA! Gosto de reviravoltas, forçadas ou não. Sempre acabo surpreso apesar dos meus esforços para prever os acontecimentos. Acho que os filmes estão seguindo a mesma linha, com altos e baixos, porém mantendo a qualidade. Pode não agradar críticos, mas é quase unanime com seu público fiel.

Se você gosta de filmes de terror, certamente deve ter visto pelo menos um filme da série Jogos Mortais. Este foi sem dúvida um bom retorno oferecendo uma nova perspectiva em relação aos anteriores. A trama é simples, semelhante aos clássicos jogos de John Kramer, que continua procurando justiça e, ao mesmo tempo, “ensinando” boas lições aos jogadores selecionados. O roteiro é bom e as revelações foram bem acompanhadas pela ótima trilha de Jigsaw. Para os fãs de Jogos Mortais, o filme é imperdível.

Jogos Mortais: Jigsaw (2017) – Título original: Jigsaw. Dirigido por Michael Spierig e Peter Spierig. No elenco: Matt Passmore, Tobin Bell, Callum Keith Rennie, Hannah Emily Anderson, Clé Bennett, Laura Vandervoort, Paul Braunstein, Mandela Van Peebles e Brittany Allen. EUA/Canadá. Duração de 92 minutos.

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Mayhem (2017)

Mayhem (2017)

A premissa de Mayhem é interessante. Há uma doença transmitida pelo ar (porém é visto na água dentro de um copo), que tem como primeiro indicativo um dos olhos na cor vermelha. Isso acaba destruindo no infectado toda sua sanidade. Então, com isso, a vítima não controla seus impulsos e se torna uma pessoa extremamente cruel e violenta.

Dentro de uma empresa movida pela ganância, o ódio ganha mais força, através de sentimentos latentes de crueldade. A empresa é horrível com seus funcionários, que passam por situações humilhantes e imorais. Exemplo disso, é o próprio diretor da empresa, John Towers (Steven Brand), que diz a uma funcionária: “você deve proteger aqueles que estão acima de você”. Uma espécie de “morra por mim”.

O homem que John Towers precisa se proteger é Derek Cho (Steven Yeun, o Glenn da série The Walking Dead), um profissional em ascensão que está prestes a ser demitido no dia em que o vírus se espalha na empresa. Ao invés de assinar sua demissão, ele resolve matar seus superiores, inclusive o diretor. Então, se arma de algumas ferramentas (martelo, chave inglesa, chave de fenda, etc) unindo-se a uma cliente enfurecida chamada Melanie Cross (Samara Weaving, do filme A Babá) que carrega um martelo elétrico que dispara pregos. A partir de então, quem tentar impedir o casal infectado vai se dar mal. Para chegar até o topo do edifício, eles passam por muitos obstáculos, inclusive outros funcionários infectados.

O filme pertence a Steven Yeun e Samara Weaving. Ambos conseguem exatamente o que Joe Lynch procurava. O casal provou que ser tão intenso ao ponto de incendiar a tela em uma cena de sexo sem nudez alguma (por incrível que pareça). Mayhem se destaca quando canaliza o stress oculto para uma insanidade absoluta. É como Um Dia de Furia (1993), porém com centenas de William Foster espalhados dentro de um pequeno espaço, vomitando ódio num impulso violento sem limites de crueldade, muito bem dirigido por Lynch.

Por ser uma experiência tão implacável, certamente não vai funcionar para a maioria. Porém, sabendo do que se trata o filme – essencialmente sobre pessoas dispostas a matar, subornar e humilhar – você vai acabar entrando no clima desse terror gore, acompanhado de um balde cheio de pipoca e um copo de refrigerante bem gelado, no calor de uma tarde de domingo libertando um ódio reprimido contra a injustiça (é possível). Então, se estiver procurando um filme brutal com muito sangue, terror e boas doses de comédia, dê uma chance. Agradável do início ao fim.

Mayhem (2017). Dirigido por Joe Lynch. No elenco: Steven Yeun, Samara Weaving, Steven Brand, Caroline Chikezie, Dallas Roberts, Kerry Fox e Mark Frost. EUA. Duração de 86 minutos. O filme está disponível em cópia digital (HD).

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Annabelle 2: A Criação do Mal (2017)

Annabelle 2: A Criação do Mal (2017)

Antigamente, os filmes de terror nos apresentavam alguns futuros astros, como é o caso de Johnny Depp em A Hora do Pesadelo (1984) e Jamie Lee Curtis em Halloween – A Noite do Terror (1978). O orçamento era sempre baixo e nem um pouco flexível. Hoje temos grandes produções e, principalmente, um grande elenco envolvido. A censura também nos deu uma pequena trégua, levando o gênero para um público maior. Assim sendo, temos um melhor aprofundamento dos personagens, mostrando sua personalidade, fundamental para o filme e realmente funciona. Sem uma preocupação no desenvolvimento das “vítimas” e algumas lamentáveis atuações, nós torcíamos para que Jason Voorhees, Fred Krueger, Michael Myers ou Chucky nos livrassem rapidamente daquela agonia e mandassem para o inferno tais personagens. O mal tinha a maior torcida.

Invocação do Mal (que foi um ótimo filme), de 2013, foi a ponte para Annabelle (2014), que devido ao sucesso nos cinemas, nos trouxe uma sequência.  Eu estava com a expectativa bem abaixo da média, mas queria assistir mesmo assim. O primeiro foi um pouco assustador, o que me levou a perguntar-me: com que frequência uma sequência é melhor que o primeiro? Especialmente quando é um filme de terror totalmente baseado em um conceito visto antes.

Anos após a trágica morte de sua filha, um habilidoso artesão de bonecas e sua esposa decidem, por caridade, acolher em sua casa uma freira e dezenas de meninas desalojadas de um orfanato. Atormentado pelas lembranças traumáticas, o casal ainda precisa lidar com um assustador demônio do passado: Annabelle, criação do artesão.

Um ponto positivo que me fez gostar do longa foi a origem de Annabelle. Uma história muito boa e convincente, com suspense, mistério e terror. Anthony LaPaglia teve um ótimo desempenho no papel de Samuel Mullins. Um pai carinhoso até que a morte de sua filha expõe de forma sincera todo o vazio causado pela tragédia. A atuação do elenco infantil, Lulu Wilson como Linda e Talitha Bateman como Janice, iluminaram a tela. A cinematografia foi um ponto alto também com a configuração adequada de acordo com a época. A trilha sonora, um complemento para as cenas mais tensas, realmente agradou.

Com a sequência de Annabelle temos sim uma franquia com futuro promissor. Foi melhor que o anterior. A reviravolta no final, a forma como terminou foi uma surpresa. O diretor David F. Sandberg me impressionou realmente. Fez um bom trabalho e ainda nos presenteou com uma ótima cena pós-créditos (fique até o final). Um terror com orçamento bem executado no melhor estilo: uma casa assustadora com uma boneca assustadora. O que mudou em relação ao “antigamente” citado no início dessa crítica? Hoje torcemos contra o mal.

Annabelle 2: A Criação do Mal (2017). Dirigido por David F. Sandberg. No elenco: Anthony LaPaglia, Samara Lee, Miranda Otto, Brad Greenquist, Lulu Wilson, Talitha Bateman, Stephanie Sigman, Mark Bramhall, Grace Fulton, Philippa Coulthard e Tayler Buck. EUA. Duração: 109 minutos.

 

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It: A Coisa (2017)

It: A Coisa (2017)

It: A Coisa assusta! Que filme incrível. Definitivamente a segunda melhor adaptação de Stephen King até agora. O longa já inicia tenso e não demora para Pennywise (Bill Skarsgard) aparecer e crianças começarem a desaparecer. Mas, Bill Denbrough (Jaeden Lieberher) acredita que seu irmão ainda vive e decide então procurá-lo. Para isso, pede ajuda ao incrível Richie Tozier (Finn Wolfhard), o hipocondríaco Eddie Kaspbrak (Jack Dylan Grazer) e o nada corajoso Stanley Uris (Wyatt Oleff). Em meio as buscas pelo pequeno George (Jackson Robert Scott), mais três importantes personagens se unem ao Clube dos Perdedores: o new kid on the block Ben Hanscom (Jeremy Ray Taylor) que vem estudando os estranhos acontecimentos de Derry, a bela Beverly Marsh (Sophia Lillis) e o atormentado Mike Hanlon (Chosen Jacobs). O filme fica muito mais interessante quando somos apresentados aos incríveis e apaixonantes heróis da pequena cidade.

Através do novato Ben, os jovens conhecem a história de assassinato e violência em Derry que se remonta há décadas. Cada um dos integrantes do clube passa por momentos de horror sempre confrontando seus maiores medos. Como se já não bastasse o perigo causado pelo terrível palhaço assassino, os jovens ainda sofrem perigosos ataques de bullying. O Clube dos Perdedores pode ser a última esperança para salvar a pequena cidade de Derry.

A chegada desta assustadora obra de Stephen King aos cinemas não poderia ter sido em melhor momento (esqueça o filme de 1990). Com características de blockbuster, IT superou minhas expectativas. O elenco simplesmente fantástico dirigido brilhantemente por Andy Muschietti, contou com atuação hilariante de Finn Wolfhard (que ganhou fama através da ótima série Stranger Things) e assustadora de Bill Skarsgard no papel do palhaço assassino. A personalidade própria e distinta de cada um dos personagens e a nostalgia da infância dos anos 80, tudo isso somado ao assustador Pennywise são elementos que você vai adorar. Tudo de forma única e envolvente.

Os roteiristas fizeram bem em condensar a história na quantidade certa de tempo. Você já leu o livro de Stephen King? Neste filme, não temos “A Obra-prima do Medo”, mas o roteiro conseguiu nos levar a uma incrível aventura, onde fica fácil nos misturarmos aos personagens e seus pesadelos. Com isso, o diretor Muschietti teve tranquilidade (e liberdade) para nos mostrar a crueldade de Pennywise na sua melhor forma, levando a tela partes bem assustadoras do livro. Se você tem medo de palhaço, prepare-se, Pennywise vai perseguir seus sonhos após você assistir esse filme. Invencível até certo ponto, aparecendo nos mais inusitados lugares e quando você menos espera.

A adaptação de 1990 foi boa, mas foi superada este ano. Houve muitas risadas e sustos nas cadeiras do cinema, e esse equilíbrio perfeito comprova o sucesso do filme. A loucura e imprevisibilidade do longa deixaram-me admirado. Recomendo. Desfrute It: A Coisa com suas incríveis atuações, trilha sonora, cinematografia e a própria história, envolvente de tal forma que há uma pequena possibilidade de você flutuar.

It: A Coisa (It) (2017). Dirigido por Andy Muschietti. No elenco: Jaeden, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgård, Nicholas Hamilton, Jake Sim, Logan Thompson, Owen Teague e Jackson Robert Scott. EUA. Duração: 135 minutos. Confira o trailer…

 

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