The Crown (2017) – 2ª Temporada

The Crown (2017) – 2ª Temporada

Família, lealdade, amor e honestidade. Esses foram os valores mais evidentes na segunda temporada da série The Crown de Peter Morgan. Episódios históricos e fascinantes foram muito bem distribuídos e retratados como um livro de história e, ao mesmo tempo, um romance bem escrito. A belíssima série da Netflix é um encanto visual, uma paisagem inesquecível.

Uma grande atuação, quando vista por um espectador comum e até mesmo pelo crítico mais ferrenho, tem valor inestimável. Agora, imagine uma constelação de astros e estrelas nos entregando o melhor. Isto é mais valioso do que todas as obras de artes e joias encontradas nos grandes palácios do Reino Unido. Claire Foy brilha mais uma vez como a Rainha Elizabeth II. A performance da atriz foi brilhante do início ao fim. Sua transformação no decorrer da série, de uma jovem rainha até a postura amadurecida com todas as características de uma mulher e a crise da meia-idade, porém sempre imponente, foi incrível.

Em seu melhor episódio, Claire Foy nos entrega uma atuação interessante onde a Rainha Elizabeth sente-se intimidada com os acontecimentos envolvendo a Primeira Dama dos Estados Unidos, Jacqueline Kennedy (Jodi Balfour). Vimos algumas cenas realmente tensas entre as duas mulheres mais poderosas do mundo. Certamente, Jackie Kennedy tem vantagem em relação a beleza e, junto ao Presidente Kennedy (Michael C. Hall) se destaram realmente. Mas, Jackie nos mostrou um lado desconhecido quando tentou destruir a imagem e tradição da monarquia inglesa. Na própria história sabemos que Kennedy não era um santo e as circunstâncias que estavam escondidas do público afetaram sua vida. Mais uma vez destaco a atuação de todos neste episódio. Porém, Claire estava em um andar bem mais alto. Foi fabuloso assistir a forma como a Rainha superou tudo isso.

Temos agora uma Elizabeth cautelosa e um Philip competitivo, porém um pouco frustrado (se Matt Smith foi bom na primeira temporada, está excelente na segunda). Claramente, The Crown não se aproxima de uma queda. Exatamente o contrário. Superou os altos e baixos da primeira nos apresentando fatos históricos com os acontecimentos pessoais (e bem particulares) de cada um membro da monarquia. Matt Smith ganhou um dos melhores episódios desta temporada. Realmente marcante, vimos o Duque de Edimburgo exigir a matrícula de seu filho numa escola somente para meninos, inclusive com ameaça ao matrimônio, colocando lado a lado a educação do Príncipe Charles (Julian Baring) e a sua, com cenas incríveis em flashback sobre sua infância. As imagens com cenários deslumbrantes do enterro de sua irmã foi um dos momentos mais épicos desta temporada.

Um outro episódio marcante muito bem dirigido por Benjamin Caron, envolveu a Princesa Margaret e seu marido Tony Armstrong-Jones. A excelente atriz Vanessa Kirby nos presenteou com um show de atuação. Foi incrível assistir o contraste entre a mulher que ama o luxo, mas foge das tradições monarcas, e a Rainha que tem a coroa acima de tudo e de todos. Enquanto ela dança em seu quarto, Elizabeth segue em passos firmes para seus aposentos. Seu relacionamento com o fotógrafo Tony foi tão bem escrito e dirigido, que merecia um longa.

Os relacionamentos complexos entre Elizabeth, Philip, Margaret, a Rainha Mãe entre outros membros da Família Real ficaram mais ricos. Na primeira temporada, as visitas de Elizabeth por Winston Churchill nos deram uma linha de discussão, unindo histórias díspares oferecidas em vários momentos com relacionamento mutável. Desta vez, nada parecido foi visto, talvez porque os dois primeiros ministros com quem Elizabeth conversa são bem inferiores, tanto na história quando na presença. “Covardes” como ela mesmo disse com palavras menos agressivas.

A falta de equilíbrio foi extinta, contrastando fortemente com a Elizabeth da primeira temporada. No que se diz respeito a segunda temporada de um modo geral, foi um grande passo para Elizabeth, que escolheu usar as melhores ferramentas à sua disposição e seguir seus instintos, os conselheiros foram ignorados. Em um episódio que Sir Philip exigia respeito dos homens de bigode (que foram obrigados a raspá-los) por ser obrigado a dispensar seu melhor amigo Mike Parker (Daniel Ings), a Rainha o vestiu de Bobo da Corte e de forma subliminar mostrou seu poder diante do Duque para salvar o casamento. Mesmo assim, ela continuou a explorar a mesma dúvida entre a mulher e a Coroa; e na forma como essas experiências surgiram, muitas vezes a mulher foi desconsiderada para que não afetasse a realeza. Elizabeth lutava contra suas inseguranças e ciúmes deixando-a distante da família e levando-a ao desconforto, quando rapidamente cortou a corda da forca, engolindo tudo a seco para manter um relacionamento sólido aos olhos do mundo.

Todo esse drama nos aproxima ainda mais da série, pois, juntamente com toda intriga política e pessoal, há o figurino, as locações, as obras de arte, a arquitetura incrível e atuações vibrantes. Nos deram vários troféus, entre eles uma linda dança entre a Rainha e Nkrumah (Danny Sapani). Os detalhes pessoais ampliaram o mistério em volta da família mais “popular” do mundo. Trouxe humanidade aos personagens e tem como prova maior o Príncipe Philip, que aos nossos olhos nunca foi mais do que uma figura imponente por atrás da Rainha Elizabeth II. The Crown, se tornou uma nova grande obra que teve um (merecido) tratamento beirando o extraordinário.

The Crown (2017) | Segunda Temporada. Criada por Peter Morgan. No elenco: Claire Foy, Matt Smith, Victoria Hamilton, Vanessa Kirby, Daniel Ings, Julian Baring, Jodi Balfour, Danny Sapani, Greg Wise, atthew Goode, Alex Jennings, Michael C. Hall e Richard Clifford. Reino Unido. Duração por episódio: 57 minutos. Disponível na Netflix.

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