Tau (2018)

Por Nagib Salha

A ficção científica (SciFi) é um gênero que sempre atrai minha atenção. Tau, o filme mais recente deste gênero na Netflix, chegou sem muito alarde, mas com a presença do vencedor do Oscar Gary Oldman no elenco. A presença do astro de O Destino de uma Nação (2017) conduz o filme ao limite mais alto, porém ainda distante de suas reais pretensões.

Gary Oldman interpreta Tau, uma inteligência artificial no filme escrito pela iniciante Noga Landau e dirigido pelo uruguaio Federico D’Alessandro, conhecido artista de animação (storyboard), principalmente por seus trabalhos nos filmes da Marvel. D’Alessandro foi bem em sua estreia como diretor, mesmo porque um artista de storyboard tem uma função quase semelhante a de um diretor de animação, por exemplo, quando cria as imagens para cada cena da história, incluindo posturas, cenários e reações. Provavelmente essas qualidades tenham transformado as reações e o visual de Tau (o programa) em algo tão interessante.

Maika Monroe é uma atriz muito talentosa – participou de um dos filmes de terror mais fantásticos que já assisti, Corrente do Mal (It Follows, 2014) – e aqui ela interpreta Julia, uma jovem sedutora e ladra raptada pelo cientista Alex (Ed Skrein). Julia é uma cobaia, forçada a participar de uma experiência relacionada a Inteligência Artificial. Enquanto Alex trabalha contra o tempo para concluir seu programa, Tau (um protótipo de I.A. menos avançado) realiza os testes com Julia. Em determinado momento, Tau se torna um guardião da cobaia.

A casa, protegida por Tau e comandada por Alex, funciona como uma prisão e laboratório ao mesmo tempo. Um androide assassino chamado Ares é acionado em possíveis fugas e seu ataque é sempre brutal. O ambiente, sempre limpo (pequenos drones fazem o papel de faxineiros), é claustrofóbico e entediante. Dentro da casa, Julia forma um vínculo emocional com Tau, inserindo novos conhecimentos e tentadoras possibilidades, o que pode abalar a relação entre criatura e criador.

Maika Monroe foi traída em determinados momentos pelo roteiro da iniciante Noga Landau. Julia é apenas uma mulher sozinha e miserável, que usa a sedução para roubar e sobreviver. Quando é sequestrada, transforma-se em uma mulher talentosa e inteligente, com habilidades até então desconhecidas. Poderia ser mais real. Ainda assim, Maika é bastante eficaz ao lado de Gary Oldman e bem distante de Ed Skrein (o vilão Ajax de Deadpool, 2006). Oldman retrata um programa ingênuo em relação a tudo o que acontece fora da casa de forma delicada, o que torna Tau compreensivo em seus melhores momentos, principalmente quando desafia as ordens de seu criador.

Tau tem suas qualidades e, longe de suas pretensões, o thriller fica próximo de um home-vídeo agradável que funciona (até certo ponto) e se torna audacioso, quando tenta inovar um tipo de trama clássica de Criatura x Criador.

Tau (2018). Dirigido por Federico D’Alessandro. No elenco: Maika Monroe, Gary Oldman, Ed Skrein, Paul Leonard Murray, Dragoljub Ljubicic e Irene Chiengue Chiendjo. EUA. Duração de 97 minutos. Disponível na Netflix.