Tomb Raider: A Origem (2018)

Por Nagib Salha

A atriz Alicia Vikander é a Lara Croft que os fãs do jogo Tomb Raider queriam. Não tenho dúvida em relação a isso. Vencedora do Oscar, o talento de Alicia é indiscutível. Sua atuação mais impressionante (na minha opinião) foi quando conseguiu transformar a androide Ava em uma maravilhosa imitação de um ser humano no filme Ex Machina: Instinto Artificial (2014). Mas, foi em A Garota Dinamarquesa (2015) que a atriz conquistou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante merecidamente.

Como Lara Croft, na mais nova adaptação de Tomb Raider para aos cinemas, Alicia Vikander aceitou um difícil desafio. O maior deles foi superar Angelina Jolie no sucesso de 2001. Outro grande obstáculo, talvez até tão difícil quanto o já citado, é conseguir transformar um personagem digital em algo sensível, humano. Poucos filmes relacionados a jogos deram certo. Até conseguiram ótimas bilheterias, mas, é difícil agradar aos críticos.

Tomb Raider: A Origem, foi entregue como uma história de origem bem simples, mas com um arco complexo e humano. Aqui, Lara é gente com o a gente. Mas, para quem conhece o game, a personagem não era apenas uma mulher brutal, mas também esbanjava sensualidade. Isso só foi modificado nesta década (muito bom, por sinal). Desde a sua primeira aparição nos clássicos do videogame na década de 90, Lara Croft representava na maioria das vezes um objeto de desejo dos adolescentes. No entanto, no novo Tomb Raider de 2013 fizeram algumas correções, dando a heroína uma aparência menos sensual e mais realista, atual.

Vikander entrou com facilidade na personagem. Recebeu carta branca para uma reconstrução peça por peça. Sua Lara Croft é lutadora, mas também vulnerável e inexperiente, uma heroína em ação com pouco a perder, mas tudo a provar. É importante lembrar que, quando mata pela primeira vez ao se defender, ela não reage com um sorriso de satisfação, mas com uma respiração forte, devastada, aterrorizada. Uma luta pela sobrevivência que terminou de forma trágica (bem distante da versão de Angelina Jolie).

Quando conhecemos a nova Lara, estamos em Londres, e a vimos sofrendo socos em um ringue ou entregando pizza para ganhar uma grana. Você sabe que ela é filha do rico arqueólogo e empresário Lorde Richard Croft (Dominic West), mas não faz ideia do motivo da personagem viver dessa forma. Seu pai é dado como morto depois de desaparecer anos antes, enquanto investigava a misteriosa e antiga lenda de Himiko na ilha de Yamatai. Enquanto isso, Ana Miller (Kristin Scott Thomas) e o Sr. Yaffe (Derek Jacobi) supervisionam a herança de Lara Croft e suas inúmeras empresas.

Através de alguns enigmas deixados pelo seu pai, Lara tem acesso a um arquivo de anotações e mapas que podem ajuda-la a localizá-lo e descobrir toda a verdade sobre o seu desaparecimento. Após isso, Lara decide viajar para Hong Kong, e acaba tornando-se parceira de Lu Ren (Daniel Wu), que também tem interesse em encontrar a verdade por trás da morte de seu pai, parceiro de Richard Croft. A partir de então, assistimos um show visual comandado pelo diretor Roar Uthaug, que já tinha mostrado seu talento no filme A Onda (2015).

Roar Uthaug é preciso nas cenas de ação, tanto no mar quanto em terra firme, com várias sequências de ação, rápidas e tensas, que mais parecia uma fase interminável do jogo. O sentimento de querer um joystick nas mãos e ajudar Lara a passar por alguns desafios difíceis era incrível. As cenas envolvendo o penhasco, a cachoeira e o avião foram absolutamente fiéis. Antes disso, Lara e Lu Ren, estavam reféns do terrível vilão Mathias Vogel (com ótima atuação de Walton Goggins), que escravizou vários homens para encontrar a tumba secreta de Himiko.

A partir daí o que vi foi uma reciclagem do filme de 2001 e Indiana Jones. Se alguma coisa mudou sobre Tomb Raider, não foi sua história, mas a personagem principal. Muito melhor representada no cinema atual, assim como vimos Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria (2015) (brilhantemente interpretada por Charlize Theron) e a Mulher-Maravilha de Gal Gadot. Antes disso, para ativar a memória dos cinéfilos, tínhamos Ellen Ripley em Alien (1979) e Sarah Connor no clássico O Exterminador do Futuro (1984).

Tomb Raider: A Origem se resume a Lara Croft de Alicia Vikander. Finalmente, uma boa adaptação de um personagem dos games, apesar do roteiro fraco e participações esquecíveis (como a do personagem Richard). Tem alguns momentos de clichê, mas as incríveis sequências de ação superam tudo isso. É praticamente baseado no jogo de 2013 e isso foi o maior acerto.

Tomb Raider: A Origem (2018) – Título original: Tomb Raider. Dirigido por Roar Uthaug. No elenco: Alicia Vikander, Daniel Wu, Walton Goggins, Dominic West, Kristin Scott Thomas e Derek Jacobi. EUA/Reino Unido. Duração de 118 minutos.