Venom (2018)

Um filme que se torna uma comédia de horror sem limites. Seria ótimo se o propósito fosse esse. Mas, com uma trama mais perdida que cego em troca de tiros, você não consegue ter um relacionamento razoável com o roteiro. Confira…

Por Nagib Salha

Vamos começar esta crítica de uma forma um pouco diferente. Venom é um filme ruim. Você ficará sentado durante todo filme esperando que um dos maiores vilões da Marvel realmente dê as caras. Ele até aparece algumas vezes, mas nunca como o Venom que os fãs dos quadrinhos realmente conhecem ou gostariam de vê-lo.

Visualmente sensacional, este é o único ponto positivo. O personagem central parece nunca ser o destaque até os míseros minutos finais do longa. Tom Hardy parecia certo para o papel, mas me fez mudar de ideia quando começou a se comportar como um idiota bêbado desde o primeiro contato com o alienígena (simbiose). A atriz “não tenho nada a ver com isso” Michelle Williams terá que conviver por um bom tempo com a lembrança de ter passado pela mesma situação de Natalie Portman em Thor (2011). Espero que não cometa o erro de voltar em uma impossível sequência.

Passamos o tempo inteiro pensando: Venom é um herói ou um vilão? Alguns podem ter visto esta sinuca de bico como algo positivo. Entretanto, em minha humilde opinião, isso foi péssimo. Venom teria que ser destruidor, sem dor, sem piedade. Eddie Brock (Tom Hardy) é uma pessoa ruim e suas atitudes quando unidas ao simbionte deveria ser multiplicada. Porém, qual o sentido de um vilão sem ter aquele grande herói para salvar os fracos e oprimidos?

Um pouco antes de Tom Hardy se unir ao parasita, que entra na Terra após um desastre em uma operação espacial, conhecemos o interessante repórter investigativo Eddie Brock e sua adorável namorada Anne Weying (Michelle Williams). Eddie foi obrigado pelo seu chefe a entrevistar o vilão do filme, Carlton Drake (Riz Ahmed, mal aproveitado). Tudo dá errado! A sede por justiça leva o repórter a perder o emprego e sua namorada.

Drake é um bilionário e suas experiências estão o consumindo. Cobaias humanos são mortos como ratos em laboratório para testar suas teorias. Porém, uma funcionária resolveu traí-lo e levou Eddie até o prédio para olhar de perto as crueldades realizadas por seu chefe. Neste momento, o repórter torna-se o hospedeiro perfeito para o parasita do espaço.

A história se torna uma comédia de horror sem limites. Seria ótimo se o propósito fosse esse. Mas, com uma trama mais perdida que cego em troca de tiros, você não consegue ter um relacionamento razoável com o roteiro. Tentando levantar a moral adicionando terror e um temperamento sombrio, Venom toca sanfona para bêbados, com uma performance alcoolizada de Tom Hardy e um parasita alienígena tentando dançar baião ao ritmo de xote.

Riz Ahmed é um vilão decepcionante. Apesar de alguns bons momentos de Michelle Williams, ela não tem o que fazer ali. Pega a grana, compra umas roupas e esquece que fez parte deste elenco. Venom é disparado o pior filme de personagens da Marvel de todos os tempos. Porém, não deixe de ir ao cinema. Assista e tire suas próprias conclusões. Esquadrão Suicida (2016) é uma obra-prima diante deste pesadelo esquecível.

Venom (2018) – Título original: Venom. Dirigido por Ruben Fleischer. No elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Scott Haze, Reid Scott, Jenny Slate, Melora Walters, Woody Harrelson, Peggy Lu e Sope Aluko. EUA. Duração de 112 minutos. Temos duas cenas pós-créditos.