Vingança (2018)

Por Nagib Salha

O longa da diretora francesa Coralie Fargeat é um implacável jogo de gato e rato onde a luta pela sobrevivência se destaca na força de sua protagonista, com momentos de terror impressionantes em uma competente e explosiva história de vingança.

Jen (Matilda Anna Ingrid Lutz) é uma modelo belíssima e amante do milionário Richard (Kevin Janssens). Os dois resolvem passar um tempo no deserto, enquanto Richard irá reunir os amigos Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchède) para um dia de caça. O pior acontece quando Richard deixa Jen em sua mansão com Stan e Dimitri por apenas alguns instantes. Tempo suficiente para o inseguro Stan estupra-la.

Após a violência sexual, tudo o que Jen deseja é voltar para sua casa. Sem nenhum interesse em vingança, ela não se importa com o estuprador, Richard e qualquer outra pessoa. Em estado de choque, o único desejo agora é estar bem longe dali. Mas, a situação piora ainda mais quando Richard tenta matá-la para encobrir o crime.

Coralie Fargeat fez algo realmente incrível com sequências interessantes que levam o espectador a tomar decisões e discutir consigo mesmo sobre os acontecimentos. Deixar as lentes se distanciarem da cena do estupro até chegar ao parceiro de Stan, Dimitri, e vê-lo aumentando o volume da TV para abafar seus gritos de desespero e dor, transforma o personagem em um cúmplice tão cruel quanto o estuprador. Tudo isso realizado de uma forma para nos deixar inquietos e revoltados.

Quando Richard reaparece, encontra Jen destruída emocionalmente e traumatizada na cama. Ela praticamente implora para ir embora dali. Percebendo que algo muito ruim aconteceu, ele pensa no quanto sua vida pode desmoronar devido a crueldade de seus amigos. Tentando comprar a amante com uma proposta financeira, Jen recusa e imediatamente ameaça contar a esposa de Richard, caso ele não a deixe voltar para casa. Sem aceitar a ameaça imposta pela amante, Richard se torna um homem covardemente cruel.

As cenas de violência são bem filmadas e os efeitos visuais, mesmo com exageros, acabam tornando-se um show sangrento e necessário. Mas, isso não fica preso a tela durante todo o tempo, o que acaba transformando a trama em um thriller dramático, tenso e nem um pouco irritante. Matilda Lutz se entregou a personagem, demonstrando ir além do limite de uma mulher em busca da sobrevivência, usando o trauma como válvula de escape para superar o medo. Uma jornada interessante que faz o espectador enxerga-la como uma mulher quase invencível.

Bem dirigido e com um talentoso elenco, Vingança é implacável. Coralie Fargeat entregou algo mais do que um simples filme de terror. A diretora deve seguir esse caminho a partir de agora, espero eu, com um desejo de ver muito mais sucessos dessa talentosa novidade francesa.

Vingança (2017) – Título original: Revenge. Escrito e dirigido por Coralie Fargeat. No elenco: Matilda Anna Ingrid Lutz, Kevin Janssens, Vincent Colombe e Guillaume Bouchède. França. 108 minutos. Disponível nas salas do Cinépolis.